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Operação abafa

Lula pressiona para CPI não convocar amigos a depor sobre compra de MP

Ele quer blindar sócios de esquema que deu dinheiro a seu filho

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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu que seus aliados no Congresso "preserve" os empresários Mauro e Cristina Marcondes de convocações para que expliquem o esquema de compra de uma Medida Provisória do seu governo, conforme documentos publicados dias atrás pelo jornal O Estado de S. Paulo, confirmando reiteradas revelações da coluna Claudio Humberto, do Diário do Poder, nos últimos dois anos. Lula teria argumentado que isso "abalaria muito a família do casal".

Os dois são donos da consultoria que teria depositado R$ 2,4 milhões na conta de uma empresa do filho de Lula, Luís Claudio Lula da Silva, na época auxiliar de preparação física do time do Corinthians. A empresa de Luís Claudio seria de "marketing esportivo". Ss ex-ministros Gilberto Carvalho e Erenice Guerra também estariam envolvidos no esquema, segundo troca de correspondência entre os envolvidos, sob investigação da Polícia Federal.

Os requerimentos apresentados na CPI são de convocação, o que significa que se forem aprovados na sessão desta quinta-feira todos serão obrigados a comparecer, ao contrário do que ocorreria se fossem convites. Segundo Ataídes Oliveira, a ampliação do objeto da CPI nesse caso esta respaldada em decisões tomadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

"Essa ampliação do objeto da CPI em função de fatos novos surgidos no curso da investigação é perfeitamente admissível e cabível, como se vê, por exemplo, do Inquérito nº 2.245, de que foi relator o Ministro Joaquim Barbosa, do MS 23.639, de que foi relator o Ministro Celso de Mello e do HC 71.039, de que foi relator o Ministro Paulo Brossard", argumentou.

O primeiro a defender que a CPI investigue o suposto esquema de compra da MP foi o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) que chegou a interpelar o lobista Alexandre Paes dos Santos, o APS, sobre o assunto na última reunião do colegiado. Segundo documentos aos quais a reportagem teve acesso, APS teria atuado para viabilizar a MP. Uma agenda dele descreve o passo a passo das discussões dobre a norma e reunião com Gilberto Carvalho. O ex-ministro nega o encontro.

Na Câmara, o PPS também apresentou requerimentos para ouvir os envolvidos, incluindo o ex-presidente Lula. O PSDB pediu para que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, investigue o caso que já é alvo de inquéritos da Polícia Federal e do Ministério Público Federal.