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Igreja deve acolher os divorciados ‘caso a caso’

Texto final do Sínodo mantém matrimônio homossexual como impossibilidade cristã

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A Igreja Católica deve passar a acolher, “caso a caso”, divorciados que voltarem a se casar. O matrimônio homossexual segue como uma impossibilidade cristã; mas a pessoa homossexual precisa ser aceita com dignidade e respeito. São estes os dois principais pontos do texto final do Sínodo do Bispos sobre a Família, aprovado na tarde deste sábado, 24, na Cidade do Vaticano pela ampla maioria dos padres sinodais.

Tendo a família como tema, o encontro episcopal da Igreja Católica será encerrado neste domingo, 25, depois de três semanas de discussões entre 265 religiosos de todo o mundo. Todos os 94 parágrafos do texto final foram aprovados por pelo menos 177 votos dos religiosos participantes – a votação foi feita trecho a trecho.

Em discurso proferido aos participantes do Sínodo, papa Francisco afirmou que procurou “abrir os horizontes para superar toda a hermenêutica conspiradora ou perspectiva fechada, para defender e difundir a liberdade dos filhos de Deus, para transmitir a beleza da novidade cristã, por vezes coberta pela ferrugem duma linguagem arcaica ou simplesmente incompreensível”.

“A experiência do Sínodo fez-nos compreender melhor também que os verdadeiros defensores da doutrina não são os que defendem a letra, mas o espírito; não as ideias, mas o homem; não as fórmulas, mas a gratuidade do amor de Deus e do seu perdão”, disse ainda o papa. “Isto não significa de forma alguma diminuir a importância das fórmulas, das leis e dos mandamentos divinos, mas exaltar a grandeza do verdadeiro Deus, que não nos trata segundo os nossos méritos nem segundo as nossas obras, mas unicamente segundo a generosidade sem limites da sua Misericórdia.”

Acolhida. “Não foi dada a bênção aos casamentos entre pessoas do mesmo sexo, nem permitida a comunhão aos casados em segunda união. Mas uma série de chamadas de atenção para casos específicos, recomendações para a acolhida e a integração de pessoas em situações que poderiam ser consideradas irregulares implicam num posição de amor e acolhida a todos muito mais forte e precisa”, analisou o biólogo e sociólogo Francisco Borba Ribeiro Neto, coordenador do Núcleo Fé e Cultura da PUC-SP.

“Para além das brigas políticas, que representam muito mais posicionamentos da mídia e de grupos radicais dentro da Igreja, o que fica claro é a vitória da posição que Francisco apresenta, não tanto como discurso, mas sim como postura: as normas aparentemente são pouco mudadas, mas existe uma renovação da Igreja a partir do amor e da acolhida.”

Divorciados. Em comunicado à impressa feito três horas antes da divulgação do texto final do Sínodo, o cardeal-arcebispo de Viena d. Christoph Schoenborn já havia antecipado que haveria um a nova posição do Vaticano frente ao caso dos católicos divorciados e em segunda união. “O relatório final não contém um ‘sim’ ou um ‘não’, mas um convite ao discernimento das situações concretas”, afirmou, lembrando que o documento propunha “critérios para o acompanhamento pastoral, não só para a comunhão, mas para todas as questões”. “Neste caso, discernimento significa tentar entender a situação de uma pessoa ou de um casal”, disse o cardeal.

Se até agora um divorciado em segunda união não pode receber a Eucaristia, o texto final dá margem para que o sacramento possa ser concedido a esses católicos, após análise “caso a caso”. “A conversa com o sacerdote, no foro íntimo, contribui para formar um julgamento correto sobre se há obstáculo para a plena participação na vida da Igreja”, atesta o documento sinodal. O uso da expressão “plena participação” indicaria a possibilidade do acesso do divorciado ao sacramento.

“Os divorciados novamente casados, portanto, não só não devem se sentir excomungados, como podem viver e crescer como membros vivos da Igreja, sentindo-a como uma mãe que os acolhe sempre”, diz o texto. “Para a comunidade cristã, cuidar dessas pessoas não é um enfraquecimento de sua fé e testemunho sobre a indissolubilidade do matrimônio. Mas, sim, é a Igreja manifestando neste tema sua caridade.”

Homossexualidade. Quanto às uniões de pessoas do mesmo sexo, o documento mantém a posição da Igreja, contrária. “Não há fundamento algum para assimilar ou estabelecer analogia, ainda que remota, entre as uniões homossexuais e o plano de Deus para o matrimônio e a família”, diz. Entretanto, o Sínodo ressalta que “todas as pessoas, independentemente de sua orientação sexual, devem ser respeitadas em sua dignidade e acolhidas com respeito, tendo cuidado para evitar todo tipo de injusta discriminação”.

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