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Tem 'gato' na União

Governador exige R$ 2 bi para União vender a Eletrobrás Alagoas

Renan Filho cobra a Temer dívida com Alagoas pela venda da Ceal

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Um dia depois de ser chamado de “terrorista” pela CUT de Alagoas por afirmar só ter condições de pagar salários em dia até dezembro, o governador Renan Filho (PMDB) tomou um posicionamento contundente com relação à busca de recursos para amenizar a crise no Estado. Desde que assumiu o governo, em 2015, o peemedebista tenta receber até R$2 bilhões pela federalização da antiga Ceal (Companhia Energética de Alagoas). E disse que não permitirá a privatização da agora denominada Eletrobrás Alagoas, antes da liquidação da dívida do Governo Federal com o Estado.

“Nós temos que acompanhar a privatização de perto. Mas não vamos permitir privatização, se o Governo Federal não pagar o que deve a Alagoas. E isso é o que vou verbalizar em Brasília. O Estado tem dinheiro a receber e se não pagarem não pode vender”, protestou Renan Filho, ao comunicar à imprensa que irá a Brasília nesta semana para discutir a questão com o governo interino de seu colega de partido, Michel Temer.

Durante ordem de serviço para reformas no estádio Rei Pelé, Renan Filho falou sobre a necessidade de corrigir os R$ 230 milhões devidos pela União, desde que a Ceal foi repassada para o controle do Governo Federal, em 1997. E reforçou a necessidade de estar presente em cada passo deste processo, para discutir os parâmetros da correção desse saldo devido.

“Alagoas vendeu a Ceal para a União, mas a União só pagou a metade. O que significa que, na origem, a diferença é de cerca de R$230 milhões, e com a correção, oscila entre R$ 800 milhões e R$ 2 bilhões. Falei para o presidente Temer que Alagoas precisa receber o resto. E depois de realizar estudos e pareceres jurídicos e econômicos, o Ministério de Minas e Energia já reconheceu a dívida, e o Tesouro também”, afirmou o governador.

Renan Filho antecipou ainda que tem interesse de entrar em acordo com a União, para evitar a judicialização do pleito e a consequente ampliação do atraso no pagamento da dívida.

“Se conseguirmos esse acordo extrajudicial será bem melhor, porque não demoraríamos tanto a receber, Além disso, [o atraso] também será ruim para a União. Porque, não acelerar a privatização reincide no prejuízo que o setor elétrico vem causando ao país. Ou seja, não tenho nada contra a privatização, mas repito que Alagoas deverá ser pago antes”, concluiu o chefe do Executivo de Alagoas.

O governador destacou ainda que espera receber os valores em dinheiro e não em um possível desconto na dívida com a União. Ele viajou a Brasília nesta terça-feira (2).

“Não é brincadeira”

Ao autorizar investimentos na estrutura do estádio Rei Pelé, Renan Filho foi questionado a respeito sua declaração sobre somente ter condições de garantir o pagamento salários em dia até o mês dezembro e as reações que tal afirmação causou no funcionalismo público estadual e na Central Única dos Trabalhadores de Alagoas (CUT).

Chamado de terrorista pela CUT, por insistir no discurso sobre a gravidade do cenário que impediria a concessão de reposição salarial, Renan Filho aproveitou para reafirmar sua defesa da renegociação da dívida pelo Governo Federal como única forma de chegar até o final do ano sem atraso salariais. E pontuou que a gestão de Alagoas tem se diferenciado d os demais estados, antes de rebater a acusação da CUT.

“Eu não gosto de terrorismo, não. Eu gosto de alegria. Sou um cara de coração grande, aberto, do bem. Acordo todo dia para trabalhar, pensando nas melhores coisas. Nem pesadelo eu tenho. Não tenho esse espírito do mau agouro e de torcer pelo quanto pior, melhor, de trabalhar para dar errado e de fazer o mal para as pessoas. Agora, o que não posso fazer é criar o terror por decisões próprias. Tomar uma decisão aqui que, de repente, leve Alagoas ao caos, como outros governantes já fizeram. Sou defensor de que todo mundo tenha a sua opinião. Concordo em muita coisa com a CUT e divirjo de algumas. Uma que sempre digo é que a gente tem que ter cuidado com relação a esse momento. Porque, o que está acontecendo Brasil a fora não é brincadeira. Estamos aqui no Rei Pelé, fazendo investimento, porque o Estado está de pé. Se não estivesse, a pauta seria outra. Por isso, vamos ter a prudência necessária para governar um Estado pobre em um Brasil em crise”, respondeu Renan Filho.

Ao responder ao repórter Warner Oliveira, da Rádio Gazeta AM, se faltaria alguma ação do Governo Federal para melhorar a economia, o governador falou da natureza incerta da economia, mas apontou a necessidade de Temer fazer reformas estruturantes, como a previdenciária.

“Não dá mais para as pessoas se aposentarem aos 50 anos. Alagoas terá este ano mais de um bilhão de reais de déficit da Previdência. Isso significa 200 milhões a mais do que o ano passado”, alertou.

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