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Prisão foi mantida

Gim Argello esvaziou as contas antes de ser preso, diz Moro

Moro acha que Gim escondeu o dinheiro para driblar bloqueio

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O ex-senador Gim Argello (ex-PTB-DF), preso na 28ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Vitória de Pirro, esvaziou as contas pessoais e da empresa antes de ser detido, segundo o juiz federal Sérgio Moro. Em manifestação enviada ao Supremo Tribunal Federal, Moro diz que, após determinar o bloqueio do dinheiro em conta para recuperar o que o ex-parlamentar teria arrecadado de forma ilegal, o resultado foi pífio.

"O bloqueio de ativos decretado por este Juízo a pedido do MPF para recuperá-lo teve resultados pífios, sugerindo que o paciente esvaziou suas contas correntes e de suas empresas antes da efetivação da medida", disse o juiz Sérgio Moro em despacho enviado ao ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, ontem (2) sobre o pedido de habeas corpus do ex-senador. Em abril, a Justiça determinou o confisco de R$ 5 milhões das contas de Argello, mas só R$ 46 mil foram encontrados nas contas do ex-senador.

No comunicado, Moro diz que é preciso manter a prisão preventiva do ex-senador uma vez que a “medida mais drástica é necessária para prevenir reiteração da prática de crimes contra a Administração Pública em um contexto de corrupção sistêmica”. Desde abril o pedido de liberação já foi negado pela Justiça Federal do Paraná e pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), com sede em Porto Alegre.

A força tarefa da Lava Jato investiga a cobrança de propinas por parte do ex-senador para evitar a convocação de empreiteiros em CPIs sobre a Petrobras, entre 2014 e 2015. Argello, à época, era membro da CPI no Senado e vice-presidente da Comissão Parlamentar Mista (CPMI), da Câmara e do Senado. Segundo as investigacões, ele teria cobrado R$ 35 milhões de empreiteiras para blindá-las de investigação, embora só tenha conseguido arrecadar R$ 7,2 milhões.