Embromation

Gabrielli: refinaria superfaturada de Abreu e Lima é ‘diferenciada’

Custo do refino em Abreu Lima é 15,8 vezes superior ao de Pasadena

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O ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli afirmou na tarde desta quarta-feira, 25, em depoimento na CPI mista da Petrobras, que o preço da Refinaria Abreu e Lima está ligado à complexidade da obra. Segundo ele, a refinaria vai custar US$ 87 mil por barril, enquanto o investimento da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), está em cerca de US$ 5,5 mil por barril.

Gabrielli exemplificou que a refinaria, que começará a operar no final do ano, vai produzir diesel de altíssima qualidade. O ex-presidente defendeu também a elevação dos preços das ações da Petrobras-FGTS. Segundo ele, desde o ano de 2000, quando os trabalhadores fizeram as primeiras aquisições, as ações valorizaram 412%, mesmo com toda a queda registrada este ano. Ele observou que a valorização do FGTS no período foi de 90%.

Pasadena

Sobre a compra da refinaria de Pasadena, o ex-presidente que a compra de toda a refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), foi “barata”, de acordo com os preços praticados no mercado atualmente. “Nós compramos uma refinaria barata, abaixo do preço de mercado”, afirmou em sua exposição inicial na CPI mista da Petrobras. Segundo ele, a operação somente com a refinaria custou US$ 554 milhões, nas duas etapas de compra, em 2006 e 2012.

Gabrielli disse que o valor é um pouco mais do que a metade de aquisições semelhantes realizadas nos Estados Unidos, em média de US$ 10 mil por barril. Ele destacou que a compra estava de acordo com a decisão estratégica da estatal do final da década de 90, que tinha por objetivo investir na aquisição de refinarias com vistas ao crescimento do mercado consumidor interno de petróleo.

O ex-presidente da Petrobras lembrou que o valor Total de US$ 1,2 bilhão de Pasadena engloba, além da compra da refinaria, a da comercializadora (trading) e das custas judiciais. Ele disse que atualmente a refinaria tem sido “razoavelmente lucrativa” e chegou a ganhar este ano um prêmio promovido pelas próprias refinarias norte-americanas.

O ex-presidente disse ainda que não ocorreu nenhum crime ou irregularidade no processo que culminou na compra da refinaria. “Não há nenhum crime, nenhuma ilegalidade no processo decisório”, defendeu ele, em resposta ao questionamento feito pelo deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ) na CPI mista da Petrobras.

Segundo Gabrielli, a estatal não tomou nenhum decisão irregular ou ilegal sobre a compra da refinaria. Numa tentativa de blindar a presidente Dilma Rousseff, ele disse não saber qual seria a posição que a Petrobras tomaria em 2006, caso soubesse da existência das cláusulas omitidas ao conselho de administração da companhia. “Não sei e seria irresponsabilidade fazer qualquer inferência sobre isso”, afirmou.

Licitações.

Durante o depoimento, Gabrielli preferiu não comentar a decisão do Palácio do Planalto de eliminar a licitação de quatro campos do pré-sal e concedê-los diretamente para exploração da estatal. Com a operação, a Petrobras ganhará reservas adicionais de petróleo, mas terá de fazer um desembolso bilionário para o caixa do governo. “Prefiro não comentar porque não sei dos detalhes”, afirmou ele, em depoimento à CPI mista da Petrobrás. Contudo, Gabrielli observou que a contratação direta é parte do novo marco brasileiro de exploração do petróleo, que foi aprovado pelo Congresso Nacional. AE

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