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Financial Times diz que Temer pode deixar um legado ao Brasil

Editorial de jornal britânico mostra panorama da política

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O editorial do jornal britânico Financial Times desta sexta-feira (13), um dia após Michel Temer tomar posse como presidente da República em exercício, diz que o processo de impeachment tem controvérsias, mas que Temer pode deixar um legado na Presidência da República. O peemedebista enfrentará, segundo o jornal, uma "tarefa assustadora", com uma crise tripla: econômica, ética e política.

No topo das prioridades, o FT diz que está a situação da economia. A nomeação de Henrique Meirelles para o Ministério da Fazenda e o rumor de que o economista-chefe do Itaú Ilan Goldfajn pode ir para o Banco Central são "encorajadores", diz o jornal, que avalia a equipe econômica como "digna de confiança".

O editorial argumenta que nomes como Meirelles e Goldfajn podem gerar um choque positivo nas expectativas, o que já ajudaria a reduzir os prêmios de risco e o custo do crédito para o Brasil. O FT diz que é um bom começo, mas ainda muito longe das reformas estruturais que o Brasil precisa executar para religar a economia.

Sobre a crise ética, o FT lembra que a Operação Lava Jato pesa sobre boa parte do Congresso e até sobre o próprio Temer. Por isso, o editorial defende que o presidente em exercício "deve permitir que as investigações continuem seu curso". "Mesmo se isso o deixar exposto. Qualquer coisa diferente vai correr o seu já magro apoio popular".

O editorial diz ainda que é preciso enfrentar o problema político que torna o Brasil "uma das democracias presidenciais mais fragmentadas e complexas do planeta". Sobre esse tópico, porém, o FT diz que a tarefa é para o próximo presidente da República, que será eleito em 2018.

Ao reconhecer a controvérsia sobre a argumentação jurídica que baseia o processo de impeachment, o FT admite que o resultado do desdobramento da crise política visto na quinta, 12, "está longe de ser perfeito". "Se ele conseguir colocar a economia em uma trajetória mais segura e deixar que o combate à corrupção continue, deixará para trás um legado considerável. Há muitos 'se', mas não é inconcebível que ele conseguirá transformar em realidade". (Com informacões da Agência Estado)