Cheiro de 19º golpe

Exército impõe lei marcial e censura imprensa na Tailândia

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O Exército tailandês decretou hoje (20), lei marcial no país, ao centro de novos protestos e desordens após a destituição da primeira-ministra Yingluck Shinawatra. Também foram censurados os meios de comunicação da Tailândia. As forças armadas justificaram a ação dizendo querer “restaurar a paz e a ordem pública”, após a morte de 28 pessoas e uma centena de feridos nos últimos confrontos e negando a tentativa de realizar um novo golpe de Estado no país.

Desde 1932, os militares já deram 18 golpes de Estado na Tailândia. O último ocorreu em 2006, quando o então primeiro-ministro, o controverso Thaksin Shinawatra, irmão da ex-premier Yingluck, foi derrubado. A primeira-ministra Yingluck foi derrubada há duas semanas acusada de abuso de poder pela Corte Constitucional, naquele que foi considerado por seus apoiadores como “golpe judiciário”. Desde novembro de 2013 a Tailândia é palco de protestos que pedem a “extirpação do regime Shinawatra”. Nas últimas semanas, o exército tailandês havia ameaçado intervir “com toda a força” se a crise política não fosse superada.

O primeiro-ministro interino, Niwattumrong Boonsongpaisan, apelou ao exército para que respeite a Constituição. “O exército deve proceder de acordo com o respeito à monarquia constitucional”, divulgou o premier através de sua assessoria de imprensa. O ex-primeiro-ministro da Tailândia, Thaksin Shinawatra, que está no exílio desde o golpe de Estado de 2006, pediu que a lei marcial “não destrua a democracia”. “Espero que ninguém viole os direitos humanos e destrua a democracia”, escreveu o ex-premier em sua conta no Twitter, em uma rara declaração a respeito da crise enfrentada pelo país.

De acordo com o chefe das Forças Armadas, general Prayuth Chan-ocha, a lei marcial permanecerá em vigor até que seja retomada a ordem. O exército também decretou hoje a censura dos meios de comunicação. “Todos os meios de comunicação estão proibidos de reportar o difundir notícias ou imagens danosas aos interesses nacionais”, informou uma declaração difundida em canais de televisão e de rádio. Também foram removidas as antenas de dez canais de televisão acusados de “distorcer informações e agravar os conflitos”.

Repercussão

O porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Jen Psaki, exprimiu a inquietude de Washington em relação à crise política na Tailândia, e espera que a lei marcial seja temporária e que não coloque em risco a democracia. “É preciso respeitar os princípios da democracia e garantir a liberdade de expressão”, explicou. O Japão expressou “grave preocupação” e espera uma solução pacífica nas manifestações tailandesas. “Solicitamos com força que as partes interessadas dêem prova de moderação e que não usem a violência”, declarou o porta-voz do governo, Yoshihide Suga. “Esperamos realmente que a situação seja afrontada de modo pacífico e democrático”, completou. O porta-voz anunciou que o Japão tomará todas as medidas necessárias para garantir a segurança dos japoneses que vivem na Tailândia. Ansa

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