Operação Ararath

Esquema corrupto no Mato Grosso financiou campanhas

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O esquema de lavagem de dinheiro montado pelo empresário Gércio Marcelino Mendonça Júnior abasteceu o caixa dois de campanhas eleitorais em Mato Grosso (MT). Em depoimento ao Ministério Público Federal, Mendonça Júnior, que aceitou colaborar com a Justiça em troca do abrandamento de sua pena, confirmou ter entregue ao menos R$ 5,2 milhões ao governador Silval Barbosa (PMDB) durante a campanha eleitoral de 2010.

O dinheiro não está declarado na prestação de contas do peemedebista. Na época do alegado empréstimo, o patrimônio do governador era de R$ 2,05 milhões, segundo documentação enviada à Justiça Eleitoral.

Conforme o depoimento, a maioria dos empréstimos tinha como intermediário o ex-secretário Éder Moraes, que foi preso na terça-feira durante a Operação Ararath.

Mendonça Júnior também revelou que, em outubro de 2012, durante a campanha para prefeito de Cuiabá, foi procurado pelo então candidato Mauro Mendes (PSB), que venceria a disputa. Mendes lhe pediu um empréstimo de R$ 3,45 milhões. O empresário conta ter feito a transferência direto para a conta do candidato, cobrando juros de 1,5% ao mês. Recebeu como garantia uma nota promissória de R$ 3,89 milhões com vencimento no dia 29 de janeiro de 2014.

A PF suspeita que a dívida tenha sido paga com recursos públicos. Em agosto de 2013, a prefeitura celebrou contrato de R$ 3,7 milhões, sem licitação, com a Amazônia Petróleo, empresa de Mendonça Júnior.

O advogado Ulisses Ra­­baneda, que defende o governador, não se manifestou. A prefeitura encaminhou nota informando que o empréstimo, ?ainda não liquidado?, está informado nas declarações de Imposto de Renda do prefeito. Sobre o contrato com a Amazônia Petróleo, a prefeitura disse que ele resultou em economia aos cofres municipais.

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