Jeitinho espanhol

Espanhóis se revoltam contra sentença que amenizou punição de estupradores

Juízes desqualificaram crime de agressão sexual para 'abuso'

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Espalham-se protestos na Espanha contra decisão da Justiça de Granada, que amenizou acusação de estupro de uma garota de 18 anos por cinco rapazes, e ainda reduziu-lhes a pena de 22 para 9 anos de prisão. Os juízes decidiram considerar “abuso” o que antes era agressão sexual. Um deles queria a absolvição já que nos vídeos a vítima tinha uma expressão "relaxada".

A jovem disse em tribunal que ficou em choque, fechou os olhos, ficou calada e esperou que acabasse. Os cinco membros da Manada (como se autointitulavam num grupo no Whatsapp) afirmam que foi sexo “consentido”.

A sentença gerou indignação e levou milhares de pessoas às ruas em diferentes cidades espanholas sob os lemas "não é abuso, é violação", "não é não" e "eu acredito em ti". Palavras de ordem transformadas em hashtags nas redes sociais, entre as mais usadas no Twitter a nível mundial, havendo quem questione que mulher se atreverá agora a denunciar este tipo de violência.

"Ela disse não. Acreditámos em ti e continuamos a acreditar. Se o que fez a Manada não foi violência em grupo contra uma mulher indefesa, o que entendemos então por violação?", escreveu o líder socialista Pedro Sánchez no Twitter. "Como cargo público respeitarei sempre e acatarei as sentenças judiciais, mesmo que não goste. Mas reconheço que como cidadão e como pai me custa assumir a sentença da Manada. Todo o meu apoio à vítima e à sua família", disse Albert Rivera, líder do Ciudadanos, na mesma rede social. Há quem defenda que se a lei foi cumprida, se deve mudar a lei.

Os fatos ocorreram na madrugada de 7 de julho de 2016, durante as Festas de San Fermín, em Pamplona. Ela, estudante de 18 anos de Madrid, tinha viajado com um amigo, que no meio da noite foi dormir no carro. A jovem caminhou um pouco e se sentou num banco, quando foi abordada pelos cinco acusados, todos à volta dos 20 anos de idade, nascidos em Sevilha. Quando ela resolveu voltar para o carro onde o amigo dormia,  o grupo a seguiu e levou ao vão da escada de um prédio, onde eles a sujeitaram a sexo oral, vaginal e anal, filmando no total 96 segundos dos atos com celular. Um deles ainda roubou o celular da vítima. Sozinha, vestiu-se e saiu para a rua chorando muito. Sentou-se num banco, aos prantos, quando um casal a abordou e pouco depois a polícia. Entre os acusados há um militar e um guarda civil, e os cinco foram condenados a pena de 22 anos cada um, agora reduzida para nove anos.

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