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Engevix diz que tesoureiro do PT pediu propinas em forma de doação

Vaccari Neto recebia valores via operador da Diretoria de Serviços

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O empreiteiro Gérson de Mello Almada, vice-presidente da Engevix Engenharia, afirmou em depoimento à Justiça Federal no Paraná, base da Operação Lava Jato, que repassou propinas para o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. Almada, preso desde 14 de novembro na Polícia Federal em Curitiba, disse que fez os pagamentos a pedido do lobista Milton Pascowitch, apontado como operador de propinas na Diretoria de Serviços da Petrobrás.

Almada é o segundo empreiteiro que cita propinas para Vaccari. Antes dele, em delação premiada perante a força tarefa da Lava Jato, o vice-presidente da Camargo Corrêa, Eduardo Leite, declarou que em um restaurante em São Paulo ouviu pedido do tesoureiro do PT para providenciar quantia superior a R$ 10 milhões.

Segundo o empreiteiro da Engevix, que pediu para ser ouvido na Justiça Federal alegando que tinha “contribuição relevante” a prestar à Lava Jato, a propina era equivalente a meio por cento e até um por cento do valor dos contratos de sua empresa com a estatal petrolífera.

“O Milton (Pascowitch) veio falar: ‘olha, você precisa manter um relacionamento com o partido, precisa manter relacionamento com o cliente e eu me proponho a fazer isso, eu tenho condição de fazer isso’. Ótimo, seja bem vindo”, relatou Gérson Almada.

O juiz federal Sérgio Moro, que dirige os processos da Lava Jato, perguntou ao empreiteiro sobre qual partido ele se referia. “O PT”, respondeu Almada.

Segundo ele, os valores eram repassados para Milton Pascowitch, que a força tarefa da Lava Jato indica como um dos onze operadores de propinas que atuavam no âmbito da Diretoria de Serviços da Petrobrás, então sob comando do engenheiro Renato Duque, preso pela Operação ‘Que País é esse?’, décima fase da Lava Jato.

O empreiteiro declarou que o dinheiro da propina era entregue a Pascowitch. “A pedido (de Pascowitch) repassei dinheiro para o PT, para Vaccari. Como ele (Pascowitch) tinha relacionamento com o pessoal do PT trazia pedidos não vinculados a obras, mas a doações para o partido nas épocas das eleições ou em dificuldades de caixa do partido.”
Em um ano eleitoral, a Engevix fez duas doações para o PT, disse Almada.
A doação era ajustada com alguém especificamente?, indagou um procurador da República na audiência. “Sim, com João Vaccari”, respondeu o empreiteiro. (AE)