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Prometeu, mas não cumpriu

Engenheiro conta que pediu ajuda a Lula contra corrupção, mas foi inútil

Testemunha diz que pediu ajuda a Lula para acabar propinoduto

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O dono da empresa Cogefe Engenharia, Geraldo Aurélio Feitosa, disse em depoimento à Justiça Federal de Minas Gerais, no dia 9 de dezembro de 2016, que sua companhia foi vítima do esquema de corrupção na Petrobras e que chegou a buscar ajuda do ex-presidente Lula, via Frei Betto, para tentar resolver o calote que tomou da estatal por não pagar propina, segundo ele a “mala preta” que foi exigida para as obras do Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes), no Rio de Janeiro.

“Trabalhamos por 24 anos para a Petrobrás, em todos os Estados do Brasil, São Paulo, Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais, nunca tivemos o menor problema. Mas na obra do Centro de Pesquisas, na Ilha do Governador, o Cenpes, que era uma obra de porte, começou tudo”, relatou. “Não pagaram as medições, não liberaram, não pagaram projeto”, seguiu Feitosa.

O engenheiro não deu detalhes de como teria sido o diálogo com o ex-presidente, disse apenas que Lula lhe prometeu ajuda e que Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula, teria indicado um diretor jurídico na estatal para ele conversar, tudo sem sucesso. “Pediam (ex-dirigentes da Petrobras) inclusive para ir no Lula, como eu fui, através de um amigo aqui de BH (Belo Horizonte), o Frei Betto, me levou lá, estive pessoalmente e (disseram) ‘não, vamos resolver’, ‘vamos resolver’”.

O depoimento dono da Cogefe foi encaminhado em vídeo pela Procuradoria da República em Minas para o juiz Sérgio Moro no dia 1.º de fevereiro.

Feitosa era réu até novembro do ano passado em uma ação penal em Minas acusado de sonegar R$ 2,2 milhões por meio de empresas de fachada com as quais sua companhia teria mantido contrato, segundo a Procuradoria da República do Estado. Segundo ele, por causa desse calote da Petrobras sua companhia teve um prejuízo contábil de R$ 65 milhões. Ele foi absolvido pelo juiz Murilo Fernandes de Almeida, que entendeu não haver elementos suficientes para condenar Geraldo e Paulo Rogério Feitosa e acabou absolvendo os sócios da Cogefe.

O engenheiro contou que neste período era recebido mensalmente pelo ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco e o ex-diretor de Serviços Renato Duque que lhe prometiam resolver o assunto ‘em breve’. Mais de um ano depois, sua companhia ainda não tinha recebido os recursos e os ex-dirigentes da estatal, atualmente condenados na Operação Lava Jato, lhe sugeriram que a Cogefe fizesse um contrato de cessão da obra para a Andrade Gutierrez, empreiteira que participava do cartel que fraudava licitações na estatal.

Feitosa relatou que aceitou fazer o contrato, que acabou sendo assinado, e passou a responsabilidade pelas obras para a Andrade Gutierrez. Na ocasião, segundo relatou, ele pediu que fosse feito um acordo para que sua empresa recebesse o pagamento que faltava, o que nunca ocorreu. “Trocaram de interlocutor (a Andrade Gutierrez) oito vezes e nos deram uma banana, todas as canetas caíram, inclusive da Petrobras”, afirmou.

“Eu falei, eu não entendo isso e as vezes a gente nem entende como deus age por linhas tortas, porque se tivéssemos entrado nesse esquema poderíamos estar lá em Curitiba, como inúmeros, todos esses que estão lá eu via, via trânsito na Petrobras, porque eu ia todos os meses e por incrível que pareça era recebido todos os meses e nada se resolvia”, disse.

As obras do Cenpes envolvendo a Andrade já foram alvo de denúncia na Lava Jato em Curitiba. A Procuradoria da República no Paraná denunciou em julho de 2015 treze pessoas, incluindo executivos da empreiteira, por 167 atos de corrupção, no total de R$ 243 milhões, e 62 atos de lavagem de dinheiro, envolvendo um montante de R$ 6,79 milhões e US$ 1 milhão.

Defesa de Lula

O criminalista José Roberto Batochio, que coordena a defesa do ex-presidente Lula, afirmou que o depoimento se trata da fala de um réu que lança acusações sobre outras pessoas para tentar se safar da Justiça e que por isso deve ser visto com cautela.

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