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Operação Vórtex

Empresa do genro de ministro do TCU doou R$ 3,8 milhões a campanhas em 2014

Rodrigo Leicht é um dos sócios da Lidermac, alvo da Operação Vórtex

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A empresa Lidermac Construções, que tem como um dos sócios Rodrigo Leicht Carneiro Leão, genro do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) José Múcio, firmou contratos de R$ 87 milhões com o governo de Pernambuco de 2010 a 2016, segundo a Polícia Federal. Desta quantia, contratos no valor de R$ 75 milhões foram fechados até 2014, ano da campanha presidencial do ex-governador Eduardo Campos (PSB), morto em agosto daquele ano em acidente aéreo em Santos (SP).

A construtora é investigada na Operação Vórtex, desdobramento da Operação Turbulência, que investiga uma organização criminosa suspeita de lavagem de dinheiro e de ter financiado a campanha de Campos. A investigação começou a partir da dificuldade em identificar o dono da aeronave após o acidente.

Ainda segundo as investigações, as doações eleitorais da Lidermac foram apenas R$ 30 mil em 2006; R$ 3 mil em 2008; saltou para R$ 270 mil em 2010, quando Campos foi reeleito governador e chegou a R$ 1,4 milhão em 2012. Em 2014, o valor repassado pela Lidermac para campanhas políticas foi para R$ 3,8 milhões. Nesse mesmo ano, foram doados pela empreiteira R$ 500 mil ao Diretório Nacional do PSB, segundo consta no site do TSE.

Os valores, tanto dos contratos quanto das doações, chamaram a atenção dos investigadores, que chegaram à Lidermac a partir das investigações das empresas usadas na polêmica compra do avião Cessna Citation que caiu e matou o então candidato do PSB à Presidência. A construtora transferiu R$ 159,9 mil para a empresa Câmara e Vasconcelos, que adquiriu a aeronave dois dias depois pelo valor de R$ 1,7 milhão.

A Câmara e Vasconcelos faz parte do grupo de empresas que teria lavado cerca de R$ 600 milhões em um esquema que teria abastecido as campanhas de Campos ao governo de Pernambuco em 2010, e de Marina Silva à presidência pelo PSB após a morte do ex-governador em 2014.

Rodrigo Leicht e 4 sócios foram levados nesta terça-feira, 31, para depor coercitivamente.

O superintendente regional da PF em Pernambuco, Marcello Diniz Cordeiro, afirmou que a evolução das doações eleitorais da Lidermac também chamou a atenção dos investigadores. Ele não citou nomes de políticos nem partidos que receberam essas doações, mas afirmou que foram repasses para deputados federais, estaduais e partidos políticos.

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