Sobre Lava Jato

Em sabatina, Fernando Haddad faz de tudo para não falar mal do PT

Mesmo em tempos de Lava Jato, prefeito diz que maior erro dos governos do PT foi 'não fazer a reforma política'

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O prefeito de São Paulo e candidato à reeleição, Fernando Haddad (PT), classificou sua administração à frente da cidade como “proba” e rebateu qualquer comparação do seu mandato com as denúncias envolvendo o PT na Operação Lava Jato.

“Tira minha administração dessa conversa, porque é administração mais proba… Até meus adversários reconhecem a probidade. Então não vamos misturar”, disse Haddad durante sabatina realizada pelo portal UOL, jornal Folha de S.Paulo e SBT ao ser questionado sobre o escândalo envolvendo os governos da presidente afastada Dilma Rousseff (PT) e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Haddad admitiu que o maior erro do PT no governo federal foi não ter feito a reforma política para acabar com o financiamento empresarial de campanhas – proibido somente após avaliação da Justiça – e ainda pelo fim das coligações proporcionais nas eleições.

“O PT tinha de ter tido coragem de ter feito a reforma política proibindo o financiamento empresarial e as coligações proporcionais. Partidos são corretores de tempo de TV e apenas três ou quatro têm bandeira. Isso é uma vergonha”, disse. “O mal original está no sistema que empurra para a ilegalidade”.

Para explicar a fisiologia política, Haddad disse que em São Paulo é fácil construir uma maioria na Câmara Municipal por conta da pressão popular e pelo número menor de parlamentares, ao contrário de Brasília. “Aqui são 55 vereadores (…) e é possível aprovar propostas com a força popular. Lá, com 513 deputados e 81 senadores, que força você vai reunir? O maior erro do PT foi não ter feito a reforma política e ela (Dilma) foi vítima disso também”, reforçou.

O prefeito rebateu ainda as denúncias de que o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto teria viabilizado a injeção de recursos de caixa 2 na campanha à eleição em 2012 e ainda o possível uso de dinheiro não contabilizado por meio do marqueteiro João Santana, preso na Lava Jato. “Na minha campanha quem responde sou eu e o meu tesoureiro. E você não vai encontrar ninguém que fale sobre nada além da legislação”, disse sobre as denúncias.

“Eu tive cuidado de assinar o contrato com o João (Santana) e checar o que tinha no mercado, em sintonia plena com a do (José) Serra (derrotado por Haddad em 2012) para evitar ilações e suspeitas, até porque em 2012 estava no auge do mensalão”, completou o prefeito. (AE)