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Destruição de provas

Em grampo, investigado pela PF fala que 'cortou papéis'

'Cê não sabe o que eu cortei na máquina hoje', diz alvo da Triplo X

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Ademir Auada foi pego pela Polícia Federal em grampo telefônico cinco dias antes da Operação Triplo X, última fase da Lava Jato, ser deflagrada. Na ligação com sua filha, Carolina, eles conversaram sobre a destruição de provas. Ademir foi alvo de mandado da operação nesta quarta-feira, 27.

Segundo a Lava Jato, Ademir é responsável, junto à empresa Mossack Fonseca, por pelo menos dezenove off­shores, entre elas a Murray Holdings, proprietária de um apartamento tríplex no Condomínio Solaris, no Guarujá (SP), onde a família do ex-presidente Lula também teria um imóvel do mesmo padrão.

Numa das conversas, Ademir diz a filha que “triturou” tanto papel que a máquina não estava dando conta do trabalho. E, por isso, pai e filha cogitam adquirir uma segunda máquina.

De acordo com a Polícia Federal, pai e filha ficaram assustados e decidiram eliminar os papéis após a revista ÉPOCA ter procurado outra investigada, Nelci Warken (presa na Operação Triplo X), em busca de informações sobre a Murray Holdings. Posteriormente Nelci procurou Ademir Auada para contar sobre a ligação da revista. Ademir, então, orientou Neuci a não conversar com o repórter da ÉPOCA e deu início à trituração da papelada.

A PF grampeou pai e filha no último dia 22.

CAROL: Oi, pai.

ADEMIR: Carol, será que você pode fazer um favor, se possível. O Alexandre, o que prometeu hoje saiu na marra, taí.. Ainda bem. Agora “tô” indo no outro lá. Vê se é possível, senão não faz mal. Você pode ir até aquela adegazinha ali no jardim, né? Comprar meia garrafinha de vinho pra mim.

CAROL: Posso, eu vou. Daqui a pouco eu vou. Só vou terminar de picar os papeis que a máquina parou, “tava” esperando ela voltar.

ADEMIR: Tá. Então chama-se “La Linda”.

CAROL: “La Linda?”

ADEMIR: “La Linda”, eles sabem, lá. É meia, meia garrafinha eu quero.

No dia 23, a PF interceptou:

ADEMIR: “cê” não sabe o que eu cortei.. nossa senhora.. na máquina hoje, viu?

CAROL: o que que você cortou? ah! você cortou mais papel?

ADEMIR: “bá!” Aquela mala inteira.. (ininteligível)

CAROL: Nossa! Não sei como aquela máquina aguentou.

ADEMIR: Não.. nossa senhora! Eu tentei consertar a outra.. não dá viu.

CAROL: Ah, mas quanto custa uma máquina dessas?

ADEMIR: 400 “pau”

CAROL: “Cê não quer comprar uma outra, não?

ADEMIR: Eu vou comprar mais uma depois

CAROL: Porque daí eu trago pra cá, a gente racha isso daí, e “meu”, eu vou cortando aqui. Porque senão.. vai uma vida pra cortar esses papéis.

ADEMIR: É.. tá bom.

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