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Mercado externo instável

Dólar vai R$ 3,30, maior alta semanal desde denúncias contra Temer

Cautela pré-carnaval e nervosismo externo explicam cenário

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O dólar fechou com alta nesta sexta-feira, 9, finalmente chegando a R$ 3,30 e no maior nível desde dezembro, em meio à cautela com a cena externa e o final de semana prolongado por causa do carnaval, já que os mercados locais ficarão fechados por dois dias na próxima semana.

O dólar avançou 0,65%, a R$ 3,3023 reais na venda, depois de marcar a máxima de R$ 3,3193. O dólar futuro subia 0,70% no final da tarde. Na semana, a moeda acumulou valorização de 2,73%, maior ganho semanal desde o período terminado em 19 de maio passado, quando avançou 4,26% depois de denúncias de executivos da JBS que atingiram o presidente Michel Temer.

“Lá fora estressou. Ninguém quer ficar vendido”, afirmou o operador da corretora Ourominas Ademar Vitor Pereira.

Já a B3 fechou em queda nesta sexta-feira, após sessão volátil, acompanhando o sobe-e-desce de Wall Street, com investidores também cautelosos ante o fim de semana prolongado pelo carnaval e atentos ao noticiário corporativo.

De acordo com dados preliminares, o Ibovespa encerrou em baixa de 0,56%, a 81.073 pontos, após oscilar da mínima de 79.690 pontos à máxima de 81.897 pontos. O volume financeiro do pregão somava R$ 11,5 bilhões.

Na semana, o índice de referência do mercado acionário brasileiro acumulou queda de 3,5%, também conforme dados pré-ajuste de fechamento.

No exterior, o dólar subia ante a cesta de moedas e caminhava para sua semana mais forte em cerca de 15 meses em meio aos tremores nos mercados de ações e títulos ao redor do mundo. As bolsas norte-americanas caíam mais de 1% neste pregão, depois de desabarem cerca de 4% na véspera.

Os dramáticos movimentos nas ações e bônus nesta semana foram abastecidos por preocupações sobre sinais de inflação em meio a especulação se o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, poderia agir mais rapidamente para elevar as taxas de juros.

Ante as divisas de países emergentes, o dólar operava misto. “Acreditamos que continuaremos vendo maior volatilidade nos mercados internacionais nos próximos meses. Mais: no curtíssimo prazo, tais ‘correções’ podem até continuar”, trouxe a corretora Guide em relatório.

No Brasil, por causa da folga prolongada, muitos investidores já haviam deixado o mercado e o volume ficou um pouco menor nesta sexta-feira.

O noticiário sobre a reforma da Previdência seguia no radar, com expectativa pela votação do texto na Câmara dos Deputados depois do carnaval. O governo ainda não reúne os 308 votos necessários para aprovação do texto.

O Banco Central vendeu integralmente a oferta de até 9.500 contratos de swap cambial tradicional – equivalentes à venda futura de dólares – para rolagem do vencimento de março. Desta forma, já rolou US$ 1,9 bilhão do total de US$ 6,154 bilhões que vencem no mês que vem.

Mantido esse volume diário até o final do mês e vendendo os lotes todos, rolará integralmente os swaps que vencem agora. (AE)