Alerta

Desfalque no efetivo da Força Nacional traz risco aos Jogos, diz TCU

Documento aponta problemas no planejamento para os Jogos do Rio

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O Tribunal de Contas da União (TCU) levantou um alerta sobre a segurança dos Jogos Olímpicos após receber documento do Ministério da Defesa que aponta desfalque no efetivo da Força Nacional de Segurança Pública. Segundo a corte, o governo nem sequer elaborou em tempo hábil um Plano Integrado das Ações de Segurança Pública, Defesa Nacional, Inteligência e Segurança Privada, meta prevista para janeiro deste ano.

Trechos do documento, de 29 de março deste ano, são citados em relatório sigiloso de auditores da corte de contas, ao qual o jornal O Estado de São Paulo teve acesso. Em auditoria, o TCU atribui esse e outros problemas que surgem às vésperas dos Jogos à falta de planejamento e de coordenação dos órgãos federais. 

A Defesa informa que a não mobilização do total de 9.613 militares da Força para fazer a segurança no interior das instalações desportivas, como previsto inicialmente, é um risco à operação de Segurança dos Jogos Rio 2016, com repercussões para o “ministério e para as Forças Singulares”. O governo federal informou que haverá 5.000 integrantes da Força Nacional cuidando das instalações olímpicas. Já foram deslocados para a cidade 1,5 mil homens. 

O deslocamento da Força Nacional para o Rio dependia da assinatura de termos aditivos a convênios firmados entre a União e os Estados para a cessão dos profissionais. Até 25 de maio, no entanto, o governo só havia conseguido negociar o envio de 4,3 mil integrantes, com 18 Estados. Alguns justificaram que não poderiam cooperar.

Os auditores do TCU apontaram falhas como a falta de uma autoridade para comandar os preparativos. Ao menos três pastas estão encarregadas de cuidar da segurança durante o evento – Justiça, Defesa e a própria Presidência da República. “No entanto, não foi verificada a coordenação central por ministro de Estado. Essa falha acarretou dificuldades de coordenação, integração e articulação entre os órgãos”, diz o documento.

O resultado, sustenta o TCU, são os atrasos em alguns dos preparativos, a possível sobrecarga de governos locais (além do Rio, Belo Horizonte, Brasília, São Paulo, Manaus e Salvador serão sedes do futebol) e a indefinição sobre qual papel cada órgão vai desempenhar.