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LAVA JATO CERCA RENAN

Deputado aliado de Renan foi alvo da Operação Satélites 2 em Alagoas

Inácio Loiola é irmão de ex-presidente do TJ afastado pelo CNJ

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A Polícia Federal não confirma oficialmente os dois alvos dos mandados de busca e apreensão da segunda fase da Operação Satélites, em Maceió-AL, na manhã desta sexta-feira (28). Mas, pelo menos um dos endereços foi o apartamento do deputado estadual Inácio Loiola Damasceno Freitas (PSB), aliado do senador Renan Calheiros (PMDB-AL).

O deputado alagoano é irmão de Washington Luiz Damasceno Freitas, que foi afastado em junho do ano passado do cargo de desembargador e da presidência do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL), por decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Ele é acusado acusado de corrupção e homicídios.

A busca e apreensão foi cumprida no apartamento do parlamentar, no bairro mais rico de Maceió, a Ponta Verde. O deputado não estava em casa e, do imóvel, foram levados celulares, notebook, e equipamentos eletrônicos. Nas contas de campanha de sua reeleição em 2014, não há registro de doações de empreiteiras ligadas à Operação Lava Jato.

Washington Luiz foi um dos alvos, segundo jornalista (Caio Loureiro/DicomTJ)SERIA SEGUNDO ALVO

A informação sobre os alvos das buscas foi antecipada pelo jornalista Odilon Rios, do site Repórter Alagoas. Segundo sua apuração, o apartamento do ex-presidente do TJ também foi alvo da Operação Satélites, no mesmo bairro.

Washington Luiz tem ligação política muito próxima do senador Renan. É dele, por exemplo, a indicação da Secretaria de Cultura de Alagoas, no governo de Renan Filho (PMDB). Sua filha, Mellina Torres Freitas, é a titular da pasta da Cultura, que foi denunciada pelo Ministério Público, em 2013, acusada em ação penal de cometer 483 crimes, para desviar quase R$ 16 milhões de obras públicas do município sertanejo de Piranhas, quando era prefeita.

O Diário do Poder tentou, sem sucesso, contato com o desembargador afastado. E a assessoria do deputado encaminhou a seguinte nota assinada pelo parlamentar, que está viajando:

NOTA PÚBLICA

Na condição de homem público,  em virtude do cargo que exerço, sinto-me no dever de prestar os seguintes esclarecimentos:

1- Na manhã de hoje (28/04), estiveram em minha residência,  em Maceió, integrantes  da Polícia Federal, em cumprimento a um mandado de Busca e Apreensão, de ordem do  Ministro Edson Fachin, do STF.

2- após o término da busca, foram apreendidos dois computadores  portáteis, um de minha esposa e outro de um afilhado, de nome Tarcísio, que reside conosco, dois telefones  celulares sem uso, quatro cadernetas de anotações e alguns DVD`s, contendo palestras e trabalhos de pesquisas, e discursos proferidos por mim ao longo da minha vida pública.

3 – Aguardo o resultado da perícia atestando a minha idoneidade para continuar trabalhando em benefício do povo alagoano.

Inácio Loiola.

OS MANDADOS

Os mandados determinados pelo ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), tiveram como alvo central o advogado Bruno Mendes, ligado ao senador Renan Calheiros. Os policiais fizeram busca e apreensão no escritório do advogado, em Brasília-DF. E também cumpriram mandados em São Paulo, Alagoas, Sergipe e Rio Grande do Norte.

O objetivo da operação é coletar provas de crimes contra a administração pública, lavagem de dinheiro, corrupção, organização criminosa, entre outros, em investigações relacionadas a desvio de recursos na Transpetro. Segundo relatório da Polícia Federal, Bruno Mendes é suspeito de agendar jantares com Ricardo Pessoa, dono da UTC, e realizar pagamentos como doações de campanha, em 2014.

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