Para distribuir propinas

Delator voava com secretário do PT, Silvio Pereira

Propina foi destinada a campanhas nas eleições de 2004, diz Moura

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Em delação premiada à força-tarefa da Operação Lava Jato, o empresário Fernando Moura, lobista do PT na Petrobrás e amigo do ex-ministro José Dirceu (Casa Civil/Governo Lula), revelou que propina supostamente paga pela empresa Hope Recursos Humanos foi destinada a campanhas do partido nas eleições municipais em 2004. Segundo o empresário, 2% do contrato entre Hope e Petrobrás iam para o Diretórios Regionais da legenda e 1% ia para ele próprio.

Fernando Moura foi preso no dia 3 de agosto na Operação Pixuleco, 17ª fase da Lava Jato, que pegou também o ex-ministro Dirceu. Em troca de benefícios, o empresário fechou acordo de delação premiada, homologado nesta segunda-feira, 21, pelo juiz federal Sérgio Moro.

Em um trecho de sua delação, o lobista citou o ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira. “A parte do dinheiro destinada ao Diretório Regional do Partido dos Trabalhadores era entregue em espécie e depois era distribuída para as campanhas; que o declarante chegou a voar com Silvio Pereira para levar dinheiro para as campanhas municipais; que nessa viagem Silvio entregou quantias em espécie para representantes dos Diretórios Regionais do Rio de Janeiro, de Vitória e de Fortaleza; que o dinheiro nunca ia direto das empresas para os Diretórios Regionais, eram operações distintas”, declarou Fernando Moura.

O novo delator contou à força-tarefa que, ao final de 2003, seu irmão Olavo Moura o procurou pedindo para que ajudasse ‘um amigo seu com quem havia trabalhado na Secretaria Estadual da Saúde, chamado Rogério Penha da Silva’. De acordo com Fernando Moura, seu irmão disse que Rogério Penha da Silva estava trabalhando com uma empresa de serviços que tinha um contrato com a Petrobrás na ordem de R$ 10 milhões.

“Que o declarante procurou Renato Duque para saber se existia a possibilidade de ajudar o amigo do Olavo; que Duque lhe disse que ajudaria, mas que o declarante deveria se preocupar com negócios do tamanho da Petrobrás e não com coisa ‘miúda'; que foi nesse momento que o declarante avalizou a empresa Hope Recursos Humanos para Renato Duque e tal empresa renovou o contrato, que saiu de RS 10 milhões para RS 40 milhões”, disse Fernando Moura.

“Naquela época o porcentual pelo negócio era de 3% , sendo que desse porcentual dois terços, ou seja, 2% eram revertidos diretamente para o Diretório Regional do Partido dos Trabalhadores para custear as campanhas municipais que aconteceriam naquele ano de 2004 e a diferença 1%  era só para o declarante, porque, segundo Renato Duque, o negócio era pequeno demais”, relatou o delator.

Fernando Moura afirmou que Rogério Penha da Silva não era sócio da Hope, e, ao perceber que o negócio desta empresa havia dado certo, seis meses depois o procurou para apresentar uma outra empresa concorrente, a Personal. O empresário delatou que levou a nova indicação a Duque, ‘que comprou a ideia e também passou a aumentar gradativamente o contrato da Personal’.

Em sua delação, Moura citou outro lobista que desfrutava de portas abertas na Diretoria de Serviços da Petrobrás, Milton Pascowitch – pivô da prisão do ex-ministro Dirceu. “O negócio só ficou pequeno naquele primeiro período, porque depois que Milton Pascowitch assumiu o controle da operação, o contrato de R$ 40 milhões se transformou em um contrato de R$ 300 milhões e o declarante (Moura) deixou de ter um porcentual de participação no novo contrato porque passou a ser “carta fora do baralho”.”

Segundo Moura, ‘essa transformação “da água para o vinho” não foi obra do acaso’. O empresário afirmou que as empresas tinham o mesmo lobista – Rogério Penha da Silva- e ambas disputavam o mesmo segmento na Petrobrás.

“Com tais informações, Milton Pascowitch, que sempre foi muito habilidoso, organizou o “cartel” e passou a distribuir os contratos de serviços da Petrobrás entre as duas empresas, gerando um faturamento dez vezes maior para cada uma delas; que o declarante pode afirmar que o arranjo também contemplou a participação societária de Rogério, uma vez que ele não era sócio da Hope na época em que pediu ajuda para o declarante; que depois do arranjo entabulado por Milton, Rogério passou a ser sócio da empresa; que não é verdade que a Hope pagava só R$ 500 mil mensais quando Milton Pascowitch operava o esquema; que se o contrato era de R$ 300 milhões, eles recebiam algo em torno de R$ 9 milhões pelo contrato e o valor mensal é bem maior do que o declarado por Milton.” (AE)

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