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Delator confirma pagamento de propinas em depoimento

Durante o depoimento Mendonça confirmou a corrupção na estatal

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O empresário Augusto Mendonça Neto, presidente da construtora Toyo Setal, compareceu nesta quinta-feira (23), à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que investiga os crimes de corrupção na Petrobras. A estatal divulgou ontem (22) balanço no qual reconhece que, apenas os desvios, causaram um prejuízo de mais de R$ 6 bilhões à companhia.

Durante seu depoimento, o empresário confirmou que a corrupção na diretoria de serviços, da Petrobras, comandada por Renato Duque, era institucionalizada e que “em cada contrato eles queriam propina”. Ainda de acordo com ele, o valor das propinas saía da margem de lucro das empresas.

Falando sobre o cartel criado por empresas do setor, o delator informou que o objetivo era “autoproteção”, ou seja, as empresas decidiam entre si com qual projeto cada uma ficaria. Ainda assim, afirmou que não havia um oligopólio no segmento, até por volta do ano 2005, quando então a diretoria da Petrobras passou a combinar as contratações com o cartel e fazer convites direcionados para a participação dos contratos da estatal.

Ainda de acordo com Augusto, apenas a empresa dele repassou cerca de R$ 80 milhões em propinas para a Diretoria de Serviços da Petrobras, e por volta de R$ 30 milhões para a Diretoria de Abastecimento, comandada à época por Paulo Roberto Costa, condenado a sete anos pelos crimes investigados na Operação Lava Jato.

O deputado Onyx Lorenzoni (RS), um dos requerimentos para a vinda do empresário à CPI, o inquiriu acerca de repasses feitos ao diretório do Partido dos Trabalhadores (PT), os quais foram todos confirmados. Além disso, Augusto Neto confirmou também que havia a orientação de Costa para que os acertos fossem feitos diretamente com João Vaccari Neto, então tesoureiro do PT. Para o parlamentar, o depoimento “derruba a versão de Vaccari, que afirmou que só se envolveu com ‘captações legais’ desde sua chegada à tesouraria do PT, em 2010”.

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