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Crise no Turismo

De olho no setor privado, Embratur é alvo de boicote funcional

Instituto de Turismo precisa de R$ 200 mi para sair da pindaíba; altos funcionários acusam presidente de "aparelhamento estratégico"

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De olho em sanar a atual crise na promoção do Brasil no exterior, o presidente da Embratur (Instituto Brasileiro de Turismo), Vinicius Lummertz, planeja transformar a autarquia em entidade de serviço social autônomo. Inspirado na Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), o novo modelo institucional promete angariar recursos a fim de propelir a entrada de estrangeiros Brasil por meio de convênios com o setor privado. Em regime de urgência, o projeto, que aguarda aprovação na Mesa Diretora da Câmara, tem sido amplamente criticado por servidores públicos vinculados ao Ministério do Turismo. 

Com a transformação, além de um conselho de empresários do setor privado, a nova Embratur também contaria com representantes do governo. “Estamos dispostos a dialogar com as mais diversas entidades. Só assim, teremos mais incentivo e recursos no orçamento para a promoção turística internacional”, comentou a porta-voz Katia Bittencourt.

A situação financeira do órgão vai de mal a pior desde a Olimpíada, quando o governo federal investiu cerca de US$ 17 milhões (R$ 55 milhões) na tentativa de otimizar a entrada de visitantes internacionais no país. Para sanar a crise, seria necessário um investimento de, no mínimo, R$ 200 milhões, de acordo com Bittencourt. "Queremos um salto de 6,5 milhões para 12 milhões de turistas até 2022. Isso deverá injetar até US$ 19 bilhões na economia brasileira", calcula. Ela revela planos de firmar acordo cooperativo com o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), em que, durante cinco anos, a empresa desembolsaria cerca de R$ 100 milhões para fomentar ações estratégicas da Embratur.

Pessimismo
Entre servidores, há um consenso de que Lummertz tem falhado "miseravelmente" em cumprir a promessa de dar fôlego à Embratur, desde que foi reconduzido à presidência, em julho de 2016. Um integrante de escalão intermediário do órgão, que preferiu não se identificar, acredita que a gestão do peemedebista promove "aparelhamento estratégico" em vez de turismo: "O único objetivo do presidente Lummertz é se promover em Santa Catarina, onde já foi eleito prefeito. Ele retirou RJ e nordeste do foco de promoção para mostrar à mídia estadual 'quem manda'… Transformar o Instituto em agência é uma jogada de interesses políticos e pessoais", disse à reportagem do Diário do Poder

Se os planos de Lummertz vingarem, quem opera lá será cedido ao Ministério do Turismo, onde a jornada é bem menos flexível.