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VIDA VALENDO MENOS

Crime mata 23% a mais em Maceió, mas Renan Filho exalta menos assaltos

Governo celebra menos assaltos e ignora mais mortes em Maceió

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Enquanto protela a exposição dos números oficiais da criminalidade no ano passado, que registrarão o segundo ano consecutivo de aumento da violência em Alagoas, o governo de Renan Filho (MDB) voltou a colocar em segundo plano a importância da preservação da vida dos alagoanos, ao escolher divulgar primeiramente a redução de 54% no número de assaltos a ônibus em Maceió, em vez explicar como a Segurança Pública de Alagoas fracassou ao não impedir que houvesse 23,8% mais mortes decorrentes de crimes na capital alagoana, no ano de 2017.

Além de inverter a lógica da importância de se combater crimes contra a vida, em detrimento de crimes patrimoniais em Maceió, a SSP de Alagoas ainda optou por não se manifestar sobre o fato de não ter evitado que as mortes violentas no Estado crescecem 1,8%, mesmo tendo investido 18% a mais nas forças policiais e com a pasta da segurança, com o gasto recorde de mais de R$ 1 bilhão.

O Diário do Poder pediu uma explicação à SSP sobre a péssima relação custo benefício em 2017, mas a resposta foi de que ainda não havia uma declaração oficial sobre este quadro.

O fato é que, no ano de 2017, a violência fez 657 vítimas fatais em Maceió. Foram 126 maceioenses mortos a mais do que o ano anterior, que registrou um total de 531 mortos. A capital alagoana também obteve o pior resultado da política de segurança pública desde o início do governo de Renan Filho, assim como foi o desempenho das forças de segurança em toda Alagoas, onde houve o número recorde de 1.912 crimes violentos letais e intencionais (CVLIs), desde 2015, quando se obteve uma redução histórica de 17,6% dos CVLIs no Estado.

TÃO PERTO E TÃO DISTANTE

Renan Filho e coronel Lima Júnior chefiam Segurança (Foto: Aílton Cruz)O aumento de 23,8% na violência mortal na capital alagoana dá maior amplitude às falhas da política de segurança de Renan Filho, por ter ocorrido dentro da sede do governo de Alagoas, tão fisicamente próximo à origem do problema.

Mas apesar da proximidade física, o governo de Renan Filho não esconde o distanciamento de compromisso com as famílias dos maceioenses mortos, e ainda mais com os sobreviventes, ao escolher priorizar a divulgação das estatísticas de crimes patrimoniais no transporte público da cidade administrada por Rui Palmeira (PSDB), contra quem deve disputar a renovação de seu mandato, na eleição de outubro.

Enfim, a retórica da Segurança Pública de Alagoas tenta convencer o eleitorado de classe média maceioense a elevar celulares e objetos pessoais de usuários do transporte coletivo a importância maior do que suas próprias vidas. Assim, o secretário da SSP, coronel Lima Júnior não conseguiu reduzir crimes violentos no maior colégio eleitoral para o projeto de reeleição de Renan Filho.

Em tempo, o número de assaltos a ônibus caiu de 1.109, em 2016, para 506, em 2017. Tais dados devem realmente importar a eventuais eleitores sobreviventes que acreditem que Alagoas segue no rumo certo, investindo cada vez mais nas polícias e na SSP, para obter menos assaltos e mais mortes.