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Mala com R$ 500 mil

Coaf: Filho de Perrella sacou R$ 103 mil um dia depois de repasse da JBS

Conselho considerou suspeitas transações na conta de empresa do senador

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O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) – órgão ligado ao Ministério da Fazenda responsável por rastrear transações suspeitas – comunicou à Procuradoria Geral da República que o filho de Zezé Perrella, Gustavo Perrella, sacou R$ 103 mil no dia 13 de abril da conta da empresa Tapera Participações.

O levantamento do dinheiro ocorreu um dia depois da entrega de mala de R$ 500 mil da JBS ao primo de Aécio Neves, Frederico Pacheco, o Fred, que repassou o montante ao assessor de Zezé Perrella, Mendherson Souza. Naquele período, o órgão flagrou Mendherson provisionando a retirada de R$ 103 mil, em espécie, da conta da Tapera, junto à agência bancária, que foi sacada posteriormente pelo filho de Perrella. Saques volumosos usualmente necessitam de uma solicitação prévia – classificada como ‘provisionamento’ -, já que as instituições financeiras não disponibilizam, no dia-a-dia, valores altos em dinheiro vivo a serem retirados.

O Ministério Público Federal suspeita de que a Tapera tenha sido a destinatária de parte dos R$ 2 milhões solicitados por Aécio a Joesley Batista, da JBS.

O relatório do Coaf é mais um dos indícios levantados pelos procuradores de que o montante tenha ido parar na empresa que tem como sócio o filho de Zezé Perrella. O órgão de controle de transações financeiras revelou saques e depósitos suspeitos na data e nos dias posteriores à ação controlada na qual o assessor de Perrella foi flagrado recebendo dinheiro do primo de Aécio Neves, que, por sua vez, havia pego a mala com os valores em espécie do diretor de Relações Institucionais da J&F, Ricardo Saud.

De acordo com os relatórios do Coaf entregues às autoridades no âmbito de inquérito que investiga Aécio Neves (PSDB-MG) por suposta propina de R$ 2 milhões da JBS, entre 12 e 13 de abril, logo após ter recebido o dinheiro em espécie de Fred, Mendherson Souza, assessor de Zezé, fez um pedido de ‘provisionamento’ para saque de R$ 103 mil na conta da Tapera Participações – apontada pelo Ministério Público Federal como receptora dos valores supostamente solicitados por Aécio a Joesley.

Atualmente, Gustavo Perrella é sócio da Tapera, segundo dados da Receita. O relatório do Coaf revela que a conta da empresa é movimentada pelo servidor do gabinete de Zezé Perrella e a defesa do senador confirmou ao Estado que a empresa é controlada pelo parlamentar tucano.

Gustavo sacou R$ 103 mil reais da conta da empresa um dia depois de o funcionário de seu pai no Congresso provisionar, também, aproximadamente a mesma quantia – data em que também foi flagrado pela Polícia Federal pegando uma mala de dinheiro de Fred, o primo de Aécio.

Já no dia 27 de abril, o Coaf registra um depósito, em espécie, feito por Gustavo, no valor de R$ 220 mil, também na conta bancária da Tapera. As transações constam em uma agência em Belo Horizonte.

Mendherson também levou R$ 480 mil à casa da sogra, quando soube do estouro da Operação Patmos, segundo relatórios de busca e apreensão da PF em endereços ligados a ele.

Ele carregou as duas sacolas recheadas de notas de R$ 100 até a cidade de Nova Lima, na região Metropolitana de Belo Horizonte, onde vive sua sogra, Azelina.

O relatório da PF dá conta de que Azelina ficou com os recipientes ‘sem que soubesse do seu conteúdo’. As sacolas estavam em um quarto da residência da sogra de Mendherson, segundo relatou a PF. (AE)