Operação Miqueias

Carrões exibidos pela PF não eram do doleiro, revela advogado

Os donos dos carrões os deixaram na loja do doleiro em consignação

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O criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, “Kakay”, que defende o doleiro Fayed Traboulsi e obteve sua soltura nesta segunda-feira, criticou hoje em entrevista à rádio BandNews FM o que chama de “espetacularização” da Operação Miqueias, exibindo a apreensão de carros de luxo que, logo se verificou, não pertenciam ao seu cliente, ao contrário do que a PF informou aos jornalistas e tornou a Operação Miquéias destaque no noticiário em todo o país, com imagens de um verdadeiro desfile de Ferraris, Mercedes, Lamborghinis etc.

Segundo Kakay aqueles carrões não pertencem ao doleirio, e sim a clientes de sua loja de automóveis, que os deixaram em consignação para venda. Por isso os veículos logo foram devolvidos e recolocados em exposição na própria loja do doleiro, a Z-8, e em outras lojas concorrentes.

O criminalista, considerado um dos mais importantes do País, explicou também que os suspeitos presos foram vítimas de um grave erro na condução da investigação. É que o caso foi investigado ao mesmo tempo em dois inquéritos, um na PF e outro na Polícia Civil do DF, ambos presididos por uma delegada federal. Essa duplicidade gerou uma confusão sobre de quem era a competência para atuar no caso, se da Justiça Comum ou da Justiça Federal. Além disso, a prisão preventiva dos acusados havia sido solicitada e recusava vinte dias antes, e as autoridades que a solicitaram novamente não informaram esse detalhe no novo pedido, finalmente acolhido.

Almeida Castro afirmou que o juiz Evandro Neiva de Amorim, da 8ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do DF, surpreendido pelas informações que ignorava, tomou uma decisão técnica ao soltar nesta segunda-feira cinco presos: Fayed Traboulsi, Marcelo Toledo, Sandra Maria da Silveira, Carlos Marzola e Flávio Júnior. A Polícia Federal investigou os envolvidos durante um ano e meio por meio das contas bancárias de empresas de fachada ou fantasmas, abertas em nome de laranjas. Na ocasião, verificou-se a existência de uma holdingde empresas que consistia em um serviço de terceirização para lavagem do dinheiro proveniente de crimes diversos. Mas a PF também teria monitorado telefoneas de Fayed por mais de um ano, o que seria ilegal, na visão do criminalista. “A lei prevê monitoramento de quinze dias e mais quinze”, esclareceu.

Segundo a PF, a quadrilha lavou cerca de R$ 300 milhões, sendo que R$ 50 milhões vieram da aplicação indevida de recursos de fundos de investimentos do Regime Próprio de Previdência Social administrados por prefeituras. Dentre as prefeituras envolvidas estão as de Manaus; Ponta Porã e Murtinho, em Mato Grosso do Sul; Queimados, no Rio de Janeiro; Formosa, Caldas Novas, Águas Lindas, Itaberaí, Pires do Rio e Montividiu, em Goiás; Jaru, em Rondônia; e Barreirinhas, Bom Jesus da Selva e Santa Luzia, no Maranhão.