Fraude no FI/FGTS

Áudio revela ex-sócio de Funaro extorquindo "100 pau para apagar incêndio"

Lúcio Funaro é apontado como operador de propinas de Cunha

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Uma conversa de 40 minutos entre Alexandre Margotto, ex-funcionário do lobista Lúcio Bolonha Funaro, e dois interlocutores, revela extorsão de R$ 100 mil ‘para apagar um incêndio’. O diálogo anexado aos autos de um dos processos da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF) indica que Margotto queria o dinheiro para não incriminar Lúcio Funaro, apontado como operador de propinas do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ex-presidente da Câmara.

Funaro foi preso na sexta-feira 1.º na Operação Sépsis, sob suspeita de comandar com o parlamentar ousado esquema de arrecadação de propinas de grandes empresas que, para executar projetos milionários, recorriam ao Fundo de Investimentos do FGTS (FI/FGTS), então sob comando do vice-presidente da Caixa, Fábio Cleto.

Na gravação, um interlocutor identificado como ‘Bob’ pergunta a Margotto se ‘100 pau resolve’.

“Pra começar a negociar já. Ele precisa me pagar 100 pau agora, já, para depois a gente sentar e negociar”, afirma Alexandre Margotto.

Em um dos trechos da conversa, o ex-funcionários de Lúcio Funaro alerta ‘Bob’. “Calma aí, eu tenho muito a falar desde o começo. E se eu for falar desde o começo, eu tenho muito a falar”, diz.

Adiante, Margotto revela a ‘Bob’ que ‘Lúcio comprou um juiz que eu arrumei, ele sabe’.

“Eu f*** ele muito nisso, mas muito”, avisa o ex-funcionário de Funaro.

‘Bob’, então, o questiona. “Você quer o que? Você quer f**** o Lúcio ou quer pegar a grana?”

“Eu quero estar do lado do Lúcio e que ele não me desampare financeiramente nem juridicamente”, diz Margotto.

“Mas já eu quero 100 pau agora. Eu quero R$ 100 mil agora para apagar incêndio.”

Em delação premiada, o ex-Caixa Fábio Cleto apontou pelo menos doze operações em que recursos do FI/FGTS financiaram empreendimentos empresariais de grande porte, todas supostamente aprovadas com ‘aval’ do parlamentar, entre 2011 e 2015. Segundo Cleto, Eduardo Cunha recebia pelo menos 1% em propinas sobre o valor de cada contrato.

Segundo o ex-vice da Caixa, Funaro seria o encarregado de procurar as empresas, em nome do peemedebista, para acertar as bases da extorsão. Após a sondagem preliminar, o próprio deputado cuidava da negociação com executivos e diretores das empresas. (AE)