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Até julho, Maceió registrou 44,6% mais mortes violentas que 2016

Capital alagoana ainda acumula 30,6% mais mortes, em um ano

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Obtida em um período de chuvas intensas e novos investimentos, a queda dos números da violência letal dos últimos três meses em Alagoas ainda não deve ser exaltada pelo governo de Renan Filho (PMDB) como exemplo de êxito da política da Secretaria de Segurança Pública (SSP) na pacificação do Estado. Um dado elementar que atesta não haver motivos para comemorar é o fato de o ano de 2017 ainda ser o mais violento do que os dois anos anteriores, no intervalo de janeiro até julho, em Alagoas. E o mais grave é que Maceió já teve 44,6% mais mortes do que o ano de 2016, até julho.

Há uma semana, Renan Filho disse ter “os melhores resultados do governo inteiro e de toda a série histórica” ao comentar o fato positivo, porém isolado, de o mês de julho de 2017 ter sido o menos violento desde 2008. Mas a fala é facilmente contrariada pelos dados da violência mortal em Alagoas, que confrontam essa visão de exaltaçã de fatos positivos, em detrimento de todo o ainda preocupante contexto. Porque, mesmo tendo havido dez municípios sem crimes violentos letais e intencionais (CVLIs), até julho deste ano, o Estado foi 5% mais violento que 2015 e teve 4,4% mais mortes violentas do que 2016.

2017 ampliou rotina mortal nas ruas (Foto: Rebecca Bastos/Gazetaweb)A interiorização da violência identificada no primeiro ano de governo de Renan Filho impulsionou investimentos em 12 Centros Integrados de Segurança Pública (Cisps) no interior, com sete já em funcionamento. Mas a mudança do foco da capital alagoana coincide com o fato de o maceioense ter tido 412 mortes entre janeiro e julho deste ano de 2017. O que representa 44,6% mais casos do que 2016 e quase 19% mais mortes que 2015.

A queda histórica de 16,6% da violência letal em todo o Estado, obtida no primeiro ano de governo de Renan Filho poderá até render um bom discurso eleitoral para sua tentativa de reeleição em 2018. Porém, a vitória seria facilmente esquecida, caso se permita que 2017 seja, pelo segundo ano seguido, mais violento que 2015, com a SSP comandada pelo coronel Lima Júnior.

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Meta de Renan Filho e Lima Junior deve ser maior (Foto: Márcio Ferreira)

O acumulado dos últimos 12 meses da violência em Alagoas registrou 1.925 mortes violentas decorrentes de crimes, de agosto de 2016 a julho de 2017. Se comparado com o mesmo período anterior, o crescimento foi de 5,8%, com 106 mortes a mais. O quadro já foi bem pior, em abril deste ano, quando Alagoas teve dez meses consecutivos de aumento da violência, alcançando um acúmulo de 15% mais mortes, com 266 mortes mais, em relação aos 12 meses anteriores.

Em Maceió, esse acúmulo mortal é bem mais significativo, com 30,6% mais mortes, entre agosto de 2016 a julho de 2017, comparados com o mesmo período anterior. A diferença foi de 154 mortes a mais, somente na capital.

Enfim, os próprios números da SSP de Alagoas mostram que não adianta contorcer a retórica e a realidade, para exaltar a queda de 58% de assaltos a ônibus da capital alagoana, quando o que importa mesmo ao maceioense é sobreviver.

Até porque, em todo o Estado, continuam a ocorrer crimes como o duplo homicídio de jovens em Coruripe; o assassinato de uma mulher em Marechal Deodoro, morta pelo marido a golpes de faca; o trucidamento de um sargento da Polícia Militar a tiros e a morte de um homem dentro de casa, cujo corpo foi jogado no Vale do Reginaldo; tudo isto registrado no último fim de semana.

Veja o gráfico da realidade da violência em Maceió: