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'Braço' da Al-Qaeda reivindica autoria de ataque em hotel no Mali

Segundo a ONU, extremistas mataram 27 pessoas

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Um grupo de 13 radicais islâmicos armados invadiu nesta sexta-feira, 20, o hotel Radisson Blu, em Bamako, capital do Mali, e fez mais de 100 reféns. Tropas malinesas e da missão de paz da ONU no país (Minusma) invadiram o hotel, mataram os terroristas e libertaram parte dos hóspedes e funcionários, após um cerco de cinco horas. O ataque deixou 27 reféns mortos. A Al-Qaeda no Magreb Islâmico e o Al-Mourabitoun, um grupo menor que atua no país, reivindicaram a ação. 

Os militantes entraram no hotel, bastante frequentado por estrangeiros, em um carro diplomático e não levantaram suspeitas da equipe de segurança. Eles abriram fogo contra guardas,  hóspedes e funcionários gritando em árabe “Deus é o maior”. Após tomar os reféns, cerca de 20 pessoas que estavam no hotel foram libertadas depois de  conseguirem recitar trechos do Alcorão, o livro sagrado do Islã. Havia 138 pessoas no local, entre elas idosos, mulheres e crianças.

Uma das testemunhas do cerco, o confeiteiro-chefe do hotel, Kamissoko Lassine, disse que os terroristas chegaram por volta das 7h da manhã (5h em Brasília). “Eles dirigiam veículos com placas diplomátocas. Como isso é frequente no hotel, os guardas apenas levantaram as cancelas”, disse. “Aí eles abriram fogo e feriram os guardas. Tomaram os reféns e os colocaram no salão principal.”

O grupo militante islâmico al Mourabitoun disse que é corresponsável junto com a Al-Qaeda no Magreb Islâmico pelo ataque. A organização  é liderada pelo veterano militante argelino Mokhtar Belmokhtar, que foi dado como morto em um ataque aéreo dos Estados Unidos em junho.

O presidente malinês, Ibrahim Boubacar Keita, cancelou uma viagem ao Chade e retornou ao país após o ataque. “Não  queremos assustar nosso povo, mas temos de aprender a lidar com situações como essa”, disse. “Precisamos permanecer humildes. Ninguém está a salvo do terrorismo."

Resgate. Equipes de segurança isolaram o hotel Radisson, onde estavam hospedados delegados da Organização Internacional da Francofonia e participantes de um encontro previsto para este sábado sobre novas tecnologias. As embaixadas dos EUA e da França chegaram a pedir para seus cidadãos em Bamako se abrigarem onde fosse possível. O ataque ocorreu uma semana depois dos atentados de Paris, que deixaram 130 mortos na capital francesa. 

Com o auxílio logístico de especialistas franceses e americanos, uma equipe de soldados malineses e da Minusma preparou o ataque para retomar o prédio. Por mensagens de celular, representações diplomáticas no país avisaram seus cidadãos para procurar abrigo, manter a calma e esperar a invasão militar. Entre os reféns havia, americanos, franceses, indianos, chineses, belgas, turcos, alemães, argelinos e guineenses. 

“Tropas de Operações Especiais dos EUA ajudaram no resgate dos reféns”, disse o coronel Mark Cheadle, porta-voz do comando militar americano na África. “Nossos militares ajudaram a remover os civis para locais seguros enquanto tropas malinesas garantiam a segurança do hotel.”

No começo da tarde, as tropas decidiram invadir o hotel, esquadrinhando o local andar por andar. Os reféns mortos estavam nos dois primeiros níveis. Muitos dos reféns que foram libertados estavam em estado de choque. Alguns, não tinham roupas. 

“Vi muitos corpos pelo hotel. É muito horrível o que está acontecendo”, disse um refém francês que não se identificou ao canal France 24. “Eu me escondi no meu quarto o tempo todo e quando ouvi o grito para sair os soldados apareceram.”

Instabilidade. O Mali  tornou-se alvo de militantes islâmicos a partir de janeiro de 2012, quando radicais ligados à Al-Qaeda roubaram parte do arsenal do líder líbio Muamar Kadafi, morto no ano anterior, e lançaram uma campanha que tomou cidades no norte e no centro do país. 

Um golpe de Estado, motivado pela insatisfação com a incapacidade do governo em deter os islamistas, derrubou o governo democraticamente eleito em março. Um ano depois, quando os militantes chegaram ao sul do país, a França enviou uma missão militar para a ex-colônia para expulsá-los. Com a presença militar francesa e de outros países da África Ocidental, o país foi relativamente pacificado e conseguiu realizar eleições em 2013. O norte continua instável. (AE)

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