Operação Skala

Amigos de Temer foram denunciados pela Justiça antes de prisão pela PF

Denúncia contra José Yunes e coronel Lima é da Procuradoria da República no DF

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Presos na última quinta (29) pela Polícia Federal na Operação Skala, o advogado e ex-assessor de Temer José Yunes e o coronel aposentado da Polícia Militar de São Paulo João Baptista Lima Filho foram denunciados pela Procuradoria da República no Distrito Federal à Justiça Federal no dia 21 de março, seis dias antes da prisão.

Os amigos do presidente Michel Temer e o operador de propina Lúcio Funaro foram incluídos por meio de um aditamento na denúncia do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, que acusa políticos do MDB de formação de organização criminosa. Se a denúncia for aceita pelo juiz da 12ª Vara da Justiça Federal em Brasília, Yunes e Lima se tornam réus. 

A denúncia contra Funaro só terá efeito se ele for condenado a menos de 30 anos nos processos a quais responde. Esse foi o tempo acordado entre o operador de propina e o Ministério Público Federal (MPF) no acordo de delação premiada.

De acordo com os procuradores, existem “novos e robustos elementos probatórios” em documentos coletados na Operação Patmos, deflagrada em maio do ano passado, que também investiga o suposto benefício a empresas do setor portuário por meio da assinatura do Decreto dos Portos pelo presidente Michel Temer, em 2017, em troca de propina. 

Antonio Celso Grecco, dono de uma das empresas que foi supostamente beneficiada pelo decreto, a Rodrimar, foi alvo das duas operações: a de maio do ano passado e a deflagrada pela PF na última quinta. Grecco foi alvo de um dos mandados de prisão temporária, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso – além de Yunes, coronel Lima e o ex-ministro da Agricultura Wagner Rossi.

Os denunciados por Janot – na mesma denúncia que pode tornar réus Yunes e Lima – inclui ainda o presidente Michel Temer; os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria Geral da Presidência); o ex-ministro Geddel Vieira Lima; os ex-deputados Eduardo Cunha, Henrique Alves e Rodrigo Rocha Loures; o empresário Joesley Batista, um dos donos do grupo J&F, e o executivo do J&F Ricardo Saud.

Temer, Padilha e Moreira Franco tem foro privilegiado, por isso o caso iria para o Supremo. No entanto, a denúncia contra o presidente e os dois ministros foi barrada pela Câmara dos Deputados e só poderá ser retomada quando os três perderem o foro privilegiado. Os casos dos demais denunciados tramita na primeira instância da Justiça Federal. A PGR afirmou que os nomes denunciados fazem parte de um núcleo político formado para cometer crimes contra empresas e órgãos públicos, o chamado ‘quadrilhão do MDB’.

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