Imigração

América do Sul planeja receber mais refugiados da guerra

Participação dos países é fundamental no processo, diz OIM

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Diante da crise migratória que atinge a União Europeia, diversos países da América do Sul declararam recentemente que estão dispostos a abrir suas fronteiras e receber parte das centenas de milhares de refugiados que deixam o lugar onde vivem na esperança de fugir de conflitos e da pobreza.

Recentemente, alguns líderes sul-americanos anunciaram medidas para receber novos imigrantes. O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, por exemplo, disse que receberá 20 mil refugiados que vivem o que ele qualifica como "diáspora síria".

A Argentina ratificou a continuidade do "Programa Síria", que concede vistos por razões humanitárias aos cidadãos que fogem da guerra. A chilena Michelle Bachelet afirmou que seu país trabalha para receber um "número significativo de imigrantes". E a presidente Dilma Rousseff disse que o Brasil está aberto a acolher parte deles.

Ajuda regional. A participação da América do Sul é fundamental no processo de imigração, segundo o porta-voz da Organização Internacional para Migração (OIM), Joel Millman. Ele destaca que os "países sul-americanos podem contribuir fornecendo ajuda humanitária e concedendo asilos aos mais necessitados".

Para Millman, essas nações desempenham um papel muito importante e não apenas na crise atual. "Não podemos esquecer que o Brasil foi o primeiro país da região a adotar o projeto de 'visto humanitário' para receber refugiados sírios", afirmou o porta-voz.

Um estudo publicado pela OIM mostra que os pedidos de asilo feitos por africanos e asiáticos aumentaram nos últimos dez anos. Em 2004, houve 339 solicitações de asilo vindas da África e 54, da Ásia. Já em 2010, esses números subiram para 964 e 722, respectivamente. De acordo com Millman, a pesquisa incluiu Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela.

O porta-voz da OIM explicou que quando os governantes se mostram interessados em acolher imigrantes, normalmente, já existe um plano a ser colocado em prática. Esse planejamento varia conforme as condições de cada país.

No entanto, apesar dos problemas internos, como crises econômicas e embates políticos, qualquer país pode se oferecer para acolher refugiados. "Não se trata de números, mas sim da capacidade que cada Estado tem de fornecer aos refugiados condições para recomeçar suas vidas", afirma o porta-voz da OIM. "A América do Sul, assim como o restante do mundo, deve ser parte da solução para o problema da imigração." (AE)

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