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DEUSA DA ESPADA AFIADA

Aliado de Renan preso pela PF perde topete em presídio alagoano

Com uniforme e cabeça raspada, líder coronelista quis regalias

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Alvo da Operação Deusa da Espada, deflagrada pela Polícia Federal na sexta-feira (12), e ex-presidente da Assembleia Legislativa de Alagoas, Celso Luiz Tenório Brandão (PMDB) já se adapta ao lugar ao qual o nível de sua atuação política o levou. Dois dias após sua tentativa frustrada de ter acesso a celas especiais, no presídio Cyridião Durval, e não se misturar a outros presos, uma foto passou a circular nas redes sociais, na tarde desta terça-feira (16), e expôs que a triagem do complexo prisional alagoano derrubou, literalmente, o topete que era ostentado pelo acusado de saquear R$ 17 milhões em recursos do povo pobre sertanejo de Canapi, entre 2015 e 2016.

A foto mostra o ex-prefeito sertanejo de uniforme e com a cabeça raspada, com imagem bem diferente da que ostentava junto ao comportamento típico de um líder político coronelista. A imagem vazada não o diferencia de quase todos com que Celso Luiz passou a conviver desde a última sexta-feira.

A imagem oficial teve autenticidade confirmada ao Diário do Poder pela Secretaria de Ressocialização e Inclusão Social de Alagoas (Seris). E é do momento em que Celso Luiz passava pela triagem, antes de ingressar no Cadeião, para depois ser transferido para o presídio Cyridião Durval, onde divide cela com outros presos, sem televisão, geladeira ou qualquer outra regalia.

Corredor de celas do Presídio Cyridião (Reprodução TV Pajuçara/TNH1)No domingo (14), o juiz José Braga Neto, da Vara de Execuções Penais, rejeitou o pedido por celas especiais, feitos por Celso Luiz e os ex-secretários municipais Jorge Valença Neves Neto e Carlos Alberto dos Anjos Silva, também presos pela operação da Polícia Federal. Seus advogados alegavam insalubridade e que os ex-gestores não poderiam ser tratados como presos comuns. Mas como não comprovaram ter curso superior, o pedido foi atendido somente no aspecto de garantir a integridade física dos custodiados, colocados em alas afastadas de membos de facções criminosas.

Há um ano, uma rebelião destruiu parcialmente o presídio Cyridião Durval, em protesto contra greve de agentes penitenciários em dia de visitas. 

FEIJÕES POR MILHÕES

O aliado histórico do ex-presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), é acusado de liderar um bando de saqueadores do dinheiro público, que ofereciam saco de feijão para pessoas pobres usadas como laranjas para saques milionários.

O ex-prefeito desistiu de se candidatar à reeleição e não concluiu oficialmente o mandato, por ter sido afastado em agosto de 2016, mas é acusado de convencer seu vice e sucessor Genaldo Soares Vieira (PTdoB), a desviar R$ 5,1 milhões, em cerca de quatro meses. Ele também foi alvo desta que foi a segunda fase da Operação Triângulo das Bermudas. E se entregou na manhã dessa segunda-feira (16).

Em uma das ações a que responde, Celso Luiz é acusado pelo Ministério Público Estadual de Alagoas de tentar impedir o cumprimento de algumas das medidas cautelares, resistindo em ser intimado da primeira decisão, se comportando como um coronel, diante da servidora oficial de Justiça que cumpria a intimação.

Ele também tentou arguir, por 10 vezes, a suspeição do magistrado que determinou as medidas judiciais em seu desfavor. Mas não conseguiu. E chegou a dizer à oficial de Justiça que a decisão do juiz estaria errada e, ainda, sugeriu que ela registrasse no mandado que não o havia encontrado.

“Celso Luiz ostentou comportamento típico de líder político coronelista, quando se recusou a ser intimado, dirigindo-se à servidora pública, acompanhado de dois 'capangas' e ordenando que a mesma respeitasse aqueles senhores, expressando postura nitidamente intimidatória e resistente ao cumprimento da lei”, narra uma das ações do MP.

Celso Luiz foi preso em 2007 na Operação Taturana (Foto Extra-Arquivo)Ele é velho conhecido da Polícia Federal. Foi preso em 2007 na Operação Taturana, que desbaratou uma quadrilha que desviou de R$ 300 milhões da Assembleia Legislativa de Alagoas. Parte desse montante, durante o período em que o ex-deputado foi presidente da Mesa Diretora.

IMPONDO UM SUCESSOR

O ex-prefeito conseguiu viabilizar junto à Câmara Municipal presidida pelo seu primo Luciano Malta o afastamento provisório e a cassação dos mandatos de Hélio Maciel Souza Fernandes e Aluísio Antônio da Silva, por terem dado posse ao seu vice.

Os vereadores foram afastados, juntamente com o vice, que relatou ao Ministério Público ter sofrido intimidações pelo grupo do prefeito afastado, que o obrigou a tomar posse do lado de fora da Câmara, em 3 de agosto, após Celso Luiz se reunir com vereadores e afirmar: “Quem tem que assumir é um da gente, pois estamos em época de campanha, e tem que ser o Luciano Malta, que faz o que eu quero e vai bancar a campanha de vocês”.

O vice-prefeito Genaldo Soares Vieira relatou ao MP que, ao ligar para o presidente da Câmara, Luciano Malta, teria sido atendido a gritos: “Não vou lhe dar posse de jeito nenhum”.

Genaldo não conseguiu tomar posse formal na Prefeitura, porque Luciano Malta, no dia 4 de agosto, durante sessão da Câmara, cassou seu mandato e dos dois vereadores que o empossaram. Somente em 17 de agosto o vice assumiu o mandato, via decisão judicial.