Mobilidade

Yellow

08/05/2019

Após acidentes, órgãos do DF divulgam orientações para uso de patinetes

Mobilidade

Após acidentes, órgãos do DF divulgam orientações para uso de patinetes

A mobilidade na capital federal ganhou um reforço nos últimos meses com a chegada de patinetes elétricos. No Distrito Federal, o serviço é oferecido por dois aplicativos: Yellow e Grin — ambos presentes em outras cidades brasileiras, como Rio de Janeiro e São Paulo. No entanto, o crescente número de acidentes ligados ao uso do meio de transporte vinha causando preocupação a alguns usuários e pedestres que têm que dividir a calçada com os patinetes. Por não haver uma regulamentação específica para o equipamento e para evitar as ocorrências, o Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) se uniu ao Departamento de Estradas de Rodagem (DER-DF) e a Polícia Militar do DF (PMDF) para elaborar orientações à população. De acordo com os órgãos, é proibido que os patinetes elétricos circulem nas rodovias pelo risco do compartilhamento de espaço com automóveis. Para atravessar uma via pública, o usuário do patinete deve procurar passarelas, passagens subterrâneas ou faixas de pedestres — nesse caso, é necessário descer do equipamento para atravessar a rua. A velocidade máxima permitida para os patinetes em calçadas, passarelas, quadras, praças, passagens subterrâneas ou outras áreas de circulação de pedestre é de 06 km/h. Já na ciclofaixa ou outras vias com pista própria destinada a ciclos, a velocidade máxima é de 20 km/h. “Antes de usar o patinete pela primeira vez, é importante manter baixa velocidade e evitar locais com muita circulação de pessoas, bicicleta ou outros patinetes”, orientam o Detran, DER e PM. Equipamentos de proteção, mesmo não sendo obrigatórios, são aconselhados pelos órgãos. Na hora de estacionar o patinete, o usuário não deve usar as calçadas, ciclovias ou ciclofaixas, para não obstruir a passagem. Quem consumir bebidas alcoólicas não deve usar o meio de transporte, já que — por ser necessário o equilíbrio no equipamento — o risco de acidentes aumenta consideravelmente. Menores de idade que quiserem usar o patinete elétrico devem ser supervisionados por um adulto. Os pais serão responsabilizados em caso de acidente envolvendo menores. Os órgãos apontam ainda para a necessidade do uso de calçados fechados “que se firmem aos pés garantem mais segurança e menor risco de lesões”. Orientações dos aplicativos A Yellow, em seu site e no aplicativo, dá as seguintes orientações aos seus usuários: – Respeite as leis de trânsito e evite acidentes; – Use o capacete para sua própria segurança; – Ande até 6km/h em calçadas e 20km/h em ciclovias e ciclofaixas; – Se for andar à noite, acenda os faróis. Já nos termos de uso, o app afirma que os usuários devem ser maiores de 18 anos, não devendo emprestar o equipamento a terceiros. Além disso, a empresa aponta que o usuário não deve andar de patinete enquanto usa um equipamento eletrônico, incluindo fone de ouvido; sob o efeito de álcool ou drogas; para realizar corridas, saltos ou manobras arriscadas. De acordo com o app, o usuário não deve dar carona a outras pessoas com o patinete. No Grin a idade mínima do usuário também é de 18 anos e é permitido apenas um usuário por patinete. A empresa aconselha que se evite ladeiras, manobras arriscadas e celulares durante o uso. Também é aconselhado o uso de ciclofaixas e ciclovias, onde a velocidade pode ser de 20 km/h. “Calçadas somente se precisar (6km/h)”, aponta a empresa em seu site. As dicas de segurança do app incluem ainda: “sempre mantenha os dois pés na prancha enquanto estiver em movimento” e “sempre mantenha as duas mãos no guidão”.
08/11/2018

A economia compartilhada revela como ainda precisamos evoluir individualmente

Tecnologia X Fator humano

A economia compartilhada revela como ainda precisamos evoluir individualmente

Objetivo é mostrar como é possível compartilhar recursos, serviços e produtos em geral

Além das milhares de bicicletas já disponíveis para uso compartilhado na cidade de São Paulo, mais 100 mil bikes serão viabilizadas em cidades de todo o Brasil até 2020. É o que promete a Yellow, startup criada por Ariel Lambrecht e Renato Freitas, criadores da 99, e Eduardo Musa, ex-CEO da Caloi. O trio pegou carona na onda da Economia Compartilhada, que torna possível a partilha de recursos, serviços e produtos, e recebeu investimento de aproximadamente US$ 63 milhões em um aplicativo de compartilhamento de bicicletas  e, recentemente, de patinetes também. Como já é de conhecimento geral, seu funcionamento é simples: basta verificar, por meio do app, se há bikes disponíveis para uso nas imediações e, caso haja, ir a uma delas e destravá-la fotografando um QR Code. Além de acessível, ambos os veículos podem ser usados por menos de R$ 4, o diferencial do serviço é a praticidade: não é preciso retirar as bicicletas em uma estação determinada, muito menos devolvê-las em um ponto específico. Elas podem ser achadas e deixadas nos lugares delimitados pela empresa, indicados no aplicativo, contanto que sejam bloqueadas após o uso, também via app. No caso dos patinetes, como ainda não há regulamentação que permita que eles sejam deixados em qualquer lugar, é preciso devolvê-los em uma estação pré-estabelecida. A ideia é ousada, mas se mostrou totalmente possível em lugares como a China e os EUA, por exemplo, que vêm usando outros meios de transporte com esse conceito compartilhado – como é o caso dos patinetes. No entanto, apesar de servir para facilitar a vida das pessoas, a tendência tem trazido alguns problemas justamente no quesito a que se propõe a resolver: mobilidade. Em São Francisco, o Departamento de Obras Públicas da cidade apreendeu dezenas de scooters (patinetes motorizados) que estavam obstruindo a passagem de pedestres nas calçadas e bloqueando trechos das ruas, pois haviam sido “largados” pelas pessoas que os utilizaram. As empresas responsáveis pelos equipamentos estão sendo multadas e prometeram buscar soluções para resolver o problema, que anda incomodando boa parte dos cidadãos, principalmente idosos e pessoas com mobilidade reduzida, que exigem regulamentação do serviço e medidas mais rígidas por parte da prefeitura para a implementação do mesmo. Fica evidente, nesse caso, que o principal impasse está no fator humano. As pessoas querem um meio de transporte ágil e barato, mas talvez ainda não estejam preparadas para fazer um bom uso dele. Em outras palavras, querem, sim, fazer uso de uma Economia Compartilhada, mas não se mostram dispostas a, de fato, dividir de maneira consciente e empática o espaço público com os demais agentes que formam a mobilidade urbana – que, nesse caso, deveria ser humana. Essa problemática traz à tona diferentes questões sobre os motivos e as consequências que envolvem o mind-set coletivo em relação ao “ir e vir”. E nesse contexto, é preciso que diferentes âmbitos – acadêmico, legislativo, judicial e até mesmo cultural – ajam em conjunto, com abordagens variadas, para que possamos evoluir e extrair o melhor que a evolução tecnológica pode proporcionar, coletiva e individualmente. Caso contrário, ela não será tão útil como se propõe a ser.