Tremores no Pinheiro

Tremores no Pinheiro

Defesa Civil Nacional deve garantir apoio e proteção aos moradores
20/03/2019

MPF quer a União à frente da ajuda humanitária em bairro que afunda em Maceió

Tremores no Pinheiro

MPF quer a União à frente da ajuda humanitária em bairro que afunda em Maceió

Defesa Civil Nacional deve garantir apoio e proteção aos moradores

O Grupo de Trabalho do Ministério Público Federal (MPF) em Alagoas recomendou que a ajuda humanitária aos moradores do bairro atingido por tremores de terra e afundamento do solo em Maceió (AL) seja coordenada pela Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, ligada ao Ministério do Desenvolvimento Regional. Este foi o foco das três recomendações do MPF sobre o caso, com o intuito de regularizar a assistência aos moradores do bairro do Pinheiro, onde a terra tremeu duas vezes em 2018. As procuradoras da República Cinara Bueno, Niedja Kaspary, Raquel Teixeira e Roberta Bomfim recomendaram que a Defesa Civil Nacional aprecie os cadastros relativos ao aluguel social já enviados pela Prefeitura de Maceió, mas ainda pendentes de aprovação, bem como que viabilize o aluguel social para toda a região em área de risco indicada pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM). Para o Grupo de Trabalho, a Defesa Civil deve articular e coordenar as defesas civis nas três esferas (nacional, estadual e municipal) para que sejam adotadas medidas conjuntas e eficazes para a construção de uma rede de assistência à população, especialmente, quanto à saúde dos moradores do bairro. E a Defesa Civil Nacional deve ainda promover e coordenar as ações das defesas civis, para que sejam adotadas medidas eficazes que reduzam os riscos envolvidos e, também, em caso de eventual desastre, atuem em ações de socorro, assistência às vítimas, ações em saúde, rotas de fuga e plano de contingências eficientes. Inclusive com instalação da Sala de Coordenação. Por fim, sugeriu que a Defesa Civil Nacional forneça apoio logístico – inclusive de pessoal capacitado – para o cadastramento da população residente nas áreas indicadas pela CPRM. O secretário Nacional de Proteção e Defesa Civil, Alexandre Lucas, é o destinatário das recomendações expedidas pelo MPF. E tem 15 dias para informar se acolherá as recomendações. E, no mesmo prazo, deve apresentar cronograma com as providências que serão adotadas para o pronto atendimento das medidas recomendadas pelo Grupo de Trabalho do MPF em Alagoas. As recomendações alertam ainda que a ausência de resposta será interpretada como recusa ao atendimento. Veja as recomendações expedidas pelo MPF, na íntegra: Recomendação n. 5/2019 – Cadastramento da População residente nas áreas indicadas pela CPRM e medidas assistenciais Recomendação n. 6/2019 – Fornecimento do apoio de recursos humanos para a construção de uma rede de assistência à população Recomendação n. 7/2019 – Aluguel social Audiência Pública A Comissão de Transparência, Governança, Fiscalização, Controle e Defesa do Consumidor do Senado (CTFC), realiza nesta quinta-feira (21), a partir das 9h30, uma audiência pública com mais de 20 especialistas e autoridades envolvidas diretamente no problema do bairro do Pinheiro. A audiência foi aprovada a pedido do presidente da comissão, o senador Rodrigo Cunha (PSDB-AL), que disse ter sido alertado por autoridades federais que o caso seria de “catástrofe anunciada”. “Este não será um simples ato político. Venho acompanhando desde o início a situação do Pinheiro e estou extremamente preocupado com os riscos que os moradores correm permanecendo ali. Não se trata de alarmar as pessoas, mas elas precisam de respostas imediatas e de um cronograma preciso para cumprir”, disse o senador tucano. A audiência será transmitida ao vivo pelo E-cidadania, portal do Senado que também permite a participação de todos os interessados. Quem quiser, poderá mandar perguntas, e a comissão se responsabilizará por encaminhá-las aos expositores. O link para participar é: https://www12.senado.leg.br/ecidadania. (Com informações das assessorias do MPF em Alagoas e do senador Rodrigo Cunha)
08/02/2019

Técnicos investigam se há cavernas no subsolo de bairro com fissuras, em Maceió

Rachaduras no Pinheiro

Técnicos investigam se há cavernas no subsolo de bairro com fissuras, em Maceió

Nova fase de estudos alcançará até 1.500 metros de profundidade

Pesquisadores do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) iniciaram uma nova etapa de trabalho para investigar se há cavernas e identificar falhas no subsolo no bairro Pinheiro, em Maceió (AL), que após tremores de terra teve ampliadas fissuras existentes há cerca de dez anos. A nova fase do trabalho e os novos métodos foram detalhados em uma entrevista coletiva de imprensa concedida pelo coordenador das ações, o geólogo Thales Sampaio, e a Defesa Civil Municipal, na tarde desta sexta-feira (08), na sede da Prefeitura de Maceió, em Jaraguá. “Nós estamos desenvolvendo dois métodos geofísicos, gravimetria e audiomagnetotelúrico. Esses dois métodos vão investigar até 1.500m de profundidade. Através desses métodos, vamos saber se há cavernas e, inclusive, identificar estruturas geológicas e falhas”, explicou Sampaio. O membro do Serviço Geológico do Brasil também detalhou cada tipo de estudo. “O audiomagnetotelúrico é um método geofísico de ponta, estamos com o melhor equipamento que existe. Vamos fazer muitos pontos no bairro para investigar esses 1.500 metros de profundidade. Ele utiliza corrente elétrica para explicar correntes elétricas naturais que existem no subsolo”, disse. “O método gravimétrico utiliza a gravidade do planeta Terra, ou seja, todo movimento que vai ao centro da Terra e a gente utiliza uma série de parâmetros que é capaz de mostrar anomalias de densidade na rocha”, detalhou o pesquisador. Além de causas naturais, técnicos investigam se a extração de sal-gema pela Braskem ou falhas no saneamento afetaram a estabilidade do bairro. A subsidiária da Odebrecht nega ser responsável pelos fenômenos. Empenho Com a presença do secretário de Defesa Civil de Maceió, Dinário Lemos, o pesquisador também falou da importância da parceria com o Município, que acompanha de perto a situação do bairro. Thales Sampaio destacou que os estudos continuam até que mostrem os motivos das fissuras em vias e imóveis do Pinheiro. “Nós estamos completamente empenhados em esclarecer as causas do que a gente está observando na superfície do Pinheiro. Não sairemos do bairro sem esclarecer isso para população. Nós teremos equipes técnicas de geólogos, geofísicos, hidrogeólogos e geotécnicos no bairro até esclarecermos”, garantiu Thales. (Com informações da Secom Maceió)
15/01/2019

Prefeito e Bolsonaro buscam respostas para fissuras em Maceió, sob omissão de Renan Filho

Tremores no Pinheiro

Prefeito e Bolsonaro buscam respostas para fissuras em Maceió, sob omissão de Renan Filho

Rui Palmeira obteve apoio do presidente e atua com técnicos em Maceió e Brasília

Enquanto o governador Renan Filho (MDB) passou os últimos meses alheio à situação de apreensão e riscos que envolvem tremores e fissuras no bairro do Pinheiro, o prefeito de Maceió (AL) Rui Palmeira (PSDB) assumiu o protagonismo na busca por respostas e providências para a situação de causas ainda misteriosas. O prefeito tucano obteve o apoio do presidente Jair Bolsonaro (PSL), que determinou um esforço federal para agilizar a identificação do fenômeno e adoção de medidas para a resolução do problema. Antes mesmo de decretar situação de emergência no bairro, o prefeito Rui Palmeira participou de reuniões em Maceió e em Brasília, conversando com técnicos do município e do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), bem como com o Ministério da Integração Nacional, desde o governo de Michel Temer (MDB). Já o governador nunca foi visto à frente de nenhum dos encontros com os técnicos diretamente envolvidos na busca por providências. Na última sexta-feira (11), depois de Bolsonaro reunir parte de sua equipe ministerial e determinar atenção especial para o bairro do Pinheiro, o ministro da Infraestrutura Tarcísio Gomes telefonou para o prefeito e iniciou a articulação de um encontro para discutir a questão na capital federal. O esforço prioritário foi oficializado ontem (14), em portaria assinada pelo ministro das Minas e Energia, Bento Albuquerque. “Desde o surgimento das primeiras rachaduras, a Prefeitura tem buscando toda a ajuda possível para identificação das causas, a fim de obter um diagnóstico e também buscar meios para solucionar os problemas no bairro. Devo ir a Brasília para saber na prática como será esse apoio federal”, disse o prefeito Rui Palmeira. Como resultado dos esforços do prefeito de Maceió, técnicos do Serviço Geológico do Brasil avançam, desde a semana passada, em estudos técnicos de alta complexidade para diagnosticar o fenômeno e buscar providências para a população da região, que segue apreensiva, sendo cadastradas para ajuda humanitária do Governo Federal, atendimento psicossocial e recebendo informações sobre os riscos e necessidade de desocupação de imóveis mais atingidos. Ausência  Desde que decretada pelo prefeito tucano e aceita a situação de emergência pelo Governo Federal, em dezembro de 2018, o governador ainda não havia falado sobre o assunto, até a manhã de hoje (15). Ainda assim, depois do hiato entre cobranças por soluções que fez após o tremor mais forte registrado em março do ano passado, falou hoje somente porque foi perguntado pela imprensa sobre o apoio do presidente. E destacou a responsabilidade do governo federal sobre o caso, do qual o prefeito tucano conquistou apoio. “É muito importante [o apoio federal]. Essas questões de subsolo são sempre afeitas ao governo federal também. E é uma questão muito atípica que acontece no bairro do Pinheiro. Muita gente já está estudando o ocorrido no bairro, governo do Estado, prefeitura de Maceió e muitas universidades. Defendi que tragamos para cá os mais capacitados técnicos do mundo para que a gente tenha uma análise mais profunda do que está ocorrendo no Pinheiro”, respondeu o governador, sem especificar exatamente o que fez para ajudar até aqui. Apesar da rivalidade política entre Rui e Renan Filho e de o governador jamais ter se reunido conjuntamente com os técnicos federais e municipais que atuam na busca por providências, os órgãos estaduais da segurança pública cumprem seus deveres institucionais. Um exemplo é o plano de contingência da Defesa Civil Estadual para o bairro, que será apresentado somente na próxima sexta-feira (18). “O plano de contingência é uma obrigação que o governo tem que cumprir para se preparar para a necessidade de intervir na área, caso algo ocorra”, discorreu Renan Filho, sobre o óbvio.
14/01/2019

Serviço Geológico quer saber se a Braskem causou fissuras em bairro de Maceió

Mineração e rachaduras

Serviço Geológico quer saber se a Braskem causou fissuras em bairro de Maceió

Multinacional nega relação da extração de sal-gema com rachaduras no Pinheiro

O Serviço Geológico do Brasil (CPRM) pediu esclarecimentos à Braskem sobre a possibilidade de suas atividades de mineração estarem relacionadas ao surgimento de fissuras no solo e em imóveis do bairro do Pinheiro, em Maceió (AL). Há mais de quatro décadas explorando poços de jazidas gigantescas de sal-gema em Alagoas, a multinacional negou nesta segunda-feira (14) que as atividades de mineração tenham provocado o fenômeno no bairro próximo à região da Lagoa do Mundaú, onde há uma grande concentração de pontos de extração no subsolo. A empresa que extrai o minério utilizado na química e no plástico disse ao Diário do Poder que segue rigorosamente as recomendações técnicas de segurança em todas as suas operações. E negou haver uma evidência sequer de relação de sua atuação nos poços próximos ao bairro com os eventos que causaram apreensão na população e riscos de desabamentos de imóveis no Pinheiro. Quando perguntada sobre os questionamentos do Serviço Geológico, a Braskem afirmou ainda que, em função do conhecimento técnico de geologia, vem dando apoio às autoridades a fim de “encontrar as reais causas deste fato”. O Diário do Poder questionou se a empresa poderia apresentar uma demonstração técnica, com imagens e estudos, de que as áreas exploradas não apresentam nenhum risco de ter provocado falhas geológicas, ligadas à extração. E respondeu que acionou a área técnica para saber se existem tais comprovações. A reportagem apurou que a partir da chegada do Serviço Geológico do Brasil para os estudos de campo, houve reuniões entre os especialistas do órgão e da Braskem. A multinacional apresentou relatórios, quando questionada sobre aspectos técnicos de suas atividades de mineração próximas ao bairro. A Braskem ainda teria firmado um acordo para fazer um dos estudos que seria feito pelo Serviço Geológico, que provavelmente será a “sísmica de reflexão”, um método geofísico que permite melhor descrição das características de terrenos e o estudo em grandes profundidades, com base na reflexão de ondas sísmicas. Além da possibilidade de a Braskem ter provocados vazios no subsolo após a retirada de sal-gema em grandes profundidades, outras hipóteses que estão sendo verificadas são naturais, ou decorrente da atividade tectônica no bairro que tem uma falha geológica, ou do aparecimento de dolina, que é uma depressão no solo causada pela dissolução química de rochas que provoca desabamentos. Após boatos que aterrorizaram moradores da região no fim de semana, a Defesa Civil e o Serviço Geológico publicaram nota em que alertam a população do Pinheiro de que é inverídica e precipitada qualquer informação que aborde uma suposta situação de colapso no bairro. Minas e falha geológica O engenheiro civil e mestre em Geotecnia, Abel Galindo, evidenciou essa possibilidade ao apresentar a grande concentração de minas de sal-gema da Braskem, na área da Lagoa Mundaú próxima aos bairros do Mutange e Pinheiro, por onde passa uma das muitas falhas geológicas adormecidas a milhões de anos. “Ela [a falha] passa exatamente pelo meio das minas. Esse que é o grande problema. E as fissuras estão aproximadamente paralelas à linha de falha”, disse o professor aposentado da Universidade Federal de Alagoas, em entrevista ao programa ALTV 1ª Edição, na TV Gazeta, afiliada da Rede Globo. O estudioso também elenca entre o conjunto de hipóteses o grande volume de água retirada do subsolo, e uma camada de rochas muito fraturadas, com 200 metros de espessura, logo acima das jazidas do sal-gema. Em 2012, a Braskem ativou um novo parque industrial, transformando Alagoas no maior produtor de policloreto de vinila (PVC) da América Latina, com a geração de 460 mil toneladas de resina por ano. A pedido do Prefeito de Maceió, o presidente da República Jair Bolsonaro determinou, na última sexta-feira (11), que sejam viabilizadas todas as condições que levem à identificação das causas do fenômeno e proposição de soluções. No mesmo dia, técnicos do Serviço de Geologia do Brasil iniciaram o trabalho de batimetria sísmica do Complexo Lagunar alagoano em busca de informações do fundo da Lagoa Mundaú, bem como da estrutura de camadas mais profundas, para identificar as causas do fenômeno. Os moradores do Pinheiro marcaram para 19h30 desta segunda um encontro na praça Menino Jesus de Praga, no bairro, para discutir sobre outra reunião que acontecerá na quarta-feira (16), com a Defesa Civil de Maceió. Segue o posicionamento da Braskem sobre o assunto: A Braskem segue rigorosamente as recomendações técnicas de segurança em todas as suas operações. As atividades de mineração em Alagoas começaram em 1975.  Não há nenhuma evidência de relação com os eventos do bairro do Pinheiro. Em função do conhecimento técnico de geologia, a Braskem vem dando apoio às autoridades a fim de encontrar as reais causas deste fato.