54 itens faltando

saúde

Defensoria Pública constata ausência de 54 medicamentos e insumos em hospital referência
19/02/2019

Cremal vai apurar se falta de remédios causou mortes por meningite em Alagoas

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Cremal vai apurar se falta de remédios causou mortes por meningite em Alagoas

Defensoria Pública constata ausência de 54 medicamentos e insumos em hospital referência

A Defensoria Pública e o Ministério Público de Alagoas vão acionar o Conselho Regional de Medicina de Alagoas (Cremal) para apurar as suspeitas de que duas mortes por meningite registradas em janeiro teriam ligação com o desabastecimento recorrente de medicamentos e insumos no Hospital Escola Dr. Helvio Auto. A medida ocorre depois de uma inspeção da Defensoria constatar a ausência 54 remédios e insumos na unidade que é referência para o tratamento de doenças infectocontagiosas. No flagrante, estaria em falta a Ceftriaxona, usada para tratar pacientes de meningite. E até agulhas e lâminas de bisturi faltavam. Na tarde de hoje (19), o Cremal informou que que vai investigar as mortes por meningite e a suposta relação com a permanente falta de insumos no Helvio Auto, assim que o Ministério Público do Estado (MP/AL) enviar um questionamento ao conselho. E a Defensoria Pública fará a solicitação oficial nesta quarta-feira (20). “Tivemos informações, que estou colhendo oficialmente a partir de uma requisição ao setor de Notificação de Doenças Compulsórias da Secretaria de Saúde, sobre a ocorrência de mortes por meningite no hospital no último mês de janeiro. Chama a atenção essas mortes num cenário onde falta um medicamento essencial para o tratamento”, disse o defensor público Daniel Alcoforado, à Gazetaweb. Administrado pela Universidade Estadual de Doenças da Saúde de Alagoas (Uncisal), o Hospital Helvio Auto negou o desabastecimento de antibióticos contra meningite, ao explicar em nota que o medicamento Ceftriaxona é a primeira escolha medicamentosa em alguns casos, mas está sendo substituído por outras drogas similares, uma vez que existem diversas opções terapêuticas para tratar a patologia. “Como ocorre com recorrência na indústria farmacêutica, o medicamento em questão deixou de ser fabricado por alguns laboratórios, dificultando a compra por processos como normalmente é realizado nas instâncias públicas”, disse a nota do Helvio Auto, que também atribui as dificuldades de abastecimento ao retardo de repasses do fundo estadual de saúde, administrado pelo governo de Renan Filho (MDB), em Alagoas. “O Ministério Público tem um questionamento a fazer ao Cremal, e o mesmo será enviado por escrito para ser respondido o mais rápido possível. Fiquei sabendo nesta manhã sobre o caso. Ainda não foi iniciada as investigações. Contudo, se irregularidades forem constatadas, vamos responder e tomar as providências cabíveis ao Cremal”, afirmou o presidente do Cremal, Fernando Pedrosa, à Gazetaweb. Revisão de prontuários O Diário do Poder apurou que os prontuários dos pacientes estão sendo revisados até amanhã, para eliminar todas as dúvidas a respeito das mortes. Mas há registros de que nenhum dos dez pacientes com casos de meningite confirmados ficou sem tratamento, em janeiro. Os dois mortos naquele mês, inclusive, já haviam chegaram ao hospital bastante debilitados, tendo sido direcionados imediatamente para a UTI. E até o início da noite desta terça, havia um paciente internado com a doença, sendo tratado. O defensor Daniel Alcoforado disse não poder afirmar se as mortes estariam relacionadas ao desabastecimento, o que motiva o acionamento do Cremal para checar as reais consequências do problema para a população. A inspeção da Defensoria teve a finalidade de verificar o cumprimento de uma decisão judicial de fevereiro de 2018, que determina que a Uncisal e a Secretaria de Saúde (Sesau) mantenham o abastecimento adequado de medicamentos. “A falta de insumos ainda está interrompendo a oferta de vários serviços, como ultrassonografia, hemodiálise, endoscopia. Vamos cobrar medidas coercitivas contra os responsáveis pelos procedimentos de compra da Sesau e da Uncisal”, ressaltou Alcoforado, ao prometer comunicar o Judiciário sobre a situação flagrada, e informar que também pediu aos gestores que enviem, em até sete dias, uma lista informando os itens que se encontram com estoque crítico e sem prazo para reabastecimento. Problema eterno Médicos e outros profissionais da saúde do Estado de Alagoas protestaram na última sexta-feira (15), denunciando o novo episódio de desabastecimento e atraso de pagamentos recorrentes dos hospitais geridos pela Uncisal. A unidade mais prejudicada é referência para atender mulheres pobres alagoanas com gestação de alto risco, a Maternidade Santa Mônica, onde falta até material de limpeza e fio para sutura, além de insumos básicos e medicamentos. O problema é fruto da falta de regularização dos repasses pela pasta da Saúde de Alagoas, que em julho de 2018 foi cobrada por cerca de R$ 26 milhões de déficit com a Uncisal, acumulados durante os quatro anos anteriores. O reitor da Uncisal, Henrique de Oliveira Costa, obteve em 12 de julho do ano passado um acordo para o Estado liberar R$ 2 milhões e garantir o abastecimento por 90 dias. E na sexta-feira (15), o MP firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para garantir os repasses, mesmo depois de a Sesau publicar em Diário Oficial a Portaria nº 913, de 06 de fevereiro de 2019, que formalizou a previsão de repasse anual de R$ 78,7 milhões, para custear anualmente as unidades hospitalares geridas pela Uncisal, fixando o repasse mensal em R$ 6,5 milhões. Além disso, a portaria que se antecipou ao TAC, graças a um acordo anterior firmado com a Defensoria Estadual, resolveu repassar em cota única o valor de R$ 6.1 milhões, referentes ao retroativo de portarias do Ministério da Saúde devidos à Uncisal. A Sesau atribuiu o atraso dos pagamentos, desde novembro, ao fechamento do Sistema Integrado de Administração Financeira e Contábil do Estado (Siafe), no final de 2018. (Com informações da Gazetaweb)
18/02/2019

Audiência pública na Câmara Legislativa discute saúde no Distrito Federal

Recuperação do SUS

Audiência pública na Câmara Legislativa discute saúde no Distrito Federal

Aberta ao público, audiência discutirá propostas do GDF para a recuperação do Sistema Único de Saúde (SUS)

Uma audiência pública marcada para esta segunda (18), na Câmara Legislativa do Distrito Federal, discutirá a saúde pública na capital. O objetivo da reunião proposta pela deputada distrital Arlete Sampaio (PT) é debater as propostas do GDF para a recuperação do Sistema Único de Saúde (SUS). Foram convidados para o debate o secretário de Saúde do DF, Osnei Okumoto; a presidente do Sindicato dos Enfermeiros, Dayse Amarilio; a presidente do Sindicato dos Odontologistas, Jeovânia Rodrigues, além dos presidentes do Sindicato dos Médicos, Gutemberg Fialho; do Sindicato dos Auxiliares e Técnicos em Enfermagem, João Cardoso; e do SindSaúde, Marli Rodrigues. Também estarão presentes alguns dos parlamentares da Casa. A audiência é aberta ao público e acontece na sala de comissões da CLD, a partir das 15h desta segunda.
17/02/2019

Brasil vai precisar de 10 milhões de profissionais de saúde e educação

Até 2040

Brasil vai precisar de 10 milhões de profissionais de saúde e educação

Segundo publicação do BID, crescimento é atribuído à dificuldade para automatizar as atividades feitas desses profissionais

Um estudo do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) afirma que o Brasil vai precisar de cerca de 4 milhões de professores, 1 milhão de médicos e 4,5 milhões de enfermeiros em 2040. Chamado “Educação e Saúde: os setores do futuro?” e disponível em espanhol, o estudo projeta qual será a demanda futura de profissionais no que chama de setor social na América Latina. Segundo a publicação, a região analisada necessitará de 10,3 milhões de professores, 2,4 milhões de médicos e 6,2 milhões de enfermeiros no final do período analisado. O resultado indica que o número de profissionais nessas áreas quase dobrará no período. O crescimento dessas profissões é atribuído pelo BID à dificuldade para automatizar as atividades feitas por seus profissionais, ao envelhecimento populacional e ao potencial de aumento de matrículas no sistema educacional. Segundo o BID, um terço dos professores e dois terços dos médicos da região que estarão ativos em 15 anos serão formados por pessoas que ainda não entraram no mercado de trabalho. “Diante desta realidade, é importante assegurar que estes novos profissionais tenham as habilidades e a formação que necessitam para serem os professores, médicos e enfermeiros do futuro”, diz o estudo. Para chegar aos resultados, foram analisadas diferentes variáveis. No caso da educação, entraram na conta dados como população em idade de estudar e número de crianças por professor. Já em saúde, levou-se em consideração a proporção de médicos em relação à população de idosos que existirá nas próximas décadas, assim como a proporção de enfermeiros por médico. O estudo também analisa a evolução do emprego de professores, médicos e enfermeiros durante as últimas quatro décadas na América Latina e o Caribe. Segundo a publicação, a diferença salarial em atividades de homens e mulheres ligadas à saúde e educação é menor do que em outros setores. O estudo afirma que, na região, as mulheres com educação pós-secundária ainda ganham em média 28% menos que os homens. Por outro lado, em educação e saúde essa diferença é de aproximadamente 10%. Além disso, as mulheres representam cerca de 75% da força de trabalho nesses segmentos. De acordo com o BID, o número de profissionais de educação e saúde quadruplicou em quarenta anos e atualmente 11 milhões de pessoas trabalham como médicos, enfermeiros e professores na região analisada. (FolhaPress)
16/02/2019

Helicóptero será usado para atendimento de pacientes indígenas no Amazonas

Saúde

Helicóptero será usado para atendimento de pacientes indígenas no Amazonas

Serviço do Distrito Sanitário Especial Indígena beneficiará cerca de 17 mil pessoas, segundo a Funai

O Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) Parintins, no Amazonas, e mais seis municípios do interior do estado e do Pará, passarão a ter um helicóptero para atendimento aos pacientes. Os serviços da unidade beneficiam cerca de 17 mil pessoas distribuídas, segundo a Fundação Nacional do Índio (Funai), em três terras indígenas: a Andirá-Marau, onde vivem os Sateré-Mawé; a Nhamundá-Mapuera, povoada pelos Hixkaryana, Katuenayana, Katxuyana e Waiwai; e a Kaxuyana/Tunayna, que leva o nome dos dois povos que a habitam. O helicóptero será usado em atividades de vacinação, deslocamento das equipes multidisciplinares de saúde indígena, entrega de equipamentos e insumos médicos e odontológicos. A aeronave poderá ser empregada ainda no acompanhamento de obras ligadas à unidade gestora, uma das 34 operantes no país, conforme dados do Ministério da Saúde. O coordenador do Dsei Parintins, José Augusto dos Santos Souza, disse que, para o helicópttero começar a operar precisa concluir a tramitação do processo de contratação de uma empresa especializada em fretes aéreos. A expectativa é de que a Consultoria Jurídica da União no Amazonas, vinculada à Advocacia-Geral da União (AGU), libere, nas próximas semanas, o parecer exigido para a assinatura do contrato, de modo que a aeronave já esteja voando até o fim de março. Além da documentação, o Dsei precisará de um heliporto, para que os embarques e desembarques sejam feitos adequadamente. Em entrevista, o coordenador disse ainda que o helicóptero é importante por agilizar o transporte de pacientes em estado grave e facilitar o acesso dos agentes de saúde a áreas mais remotas. Uma das dificuldades enfrentadas pelos profissionais, segundo ele, é a demora da chegada ao destino quando o deslocamento é feito por hidrovias. Em alguns casos, informou, esses deslocamentos levam até dois dias. “Com o helicóptero, cai para 10 horas. Tem vezes, em que são 15 horas de lancha, que você faz em 28 minutos, de helicóptero”, explicou. Indagado sobre as doenças que mais acometem a população que atende, Souza disse que há muita procura pelo tratamento de tuberculose e que, entre as urgências mais comuns, estão as referentes a picadas de cobra. “Ainda temos um número elevado de tuberculose, em razão da qualidade da alimentação da população indígena, que a deixa mais vulnerável. Nesse período, em que o Rio Amazonas vai enchendo, temos uma elevada taxa de acidentes ofídicos, porque as cobras acabam subindo para as comunidades. Todos os anos, isso ocorre e a gente já prepara, antes, doses de soro antiofídico. Temos muitas emergências por causa disso e o helicóptero dará maior agilidade aos salvamentos”. Perfil no consultório indígena Algumas doenças apresentam, de fato, maior incidência entre os índios, na comparação com a parcela não indígena da população brasileira. Como constata o 1º Inquérito Nacional sobre Saúde e Nutrição dos Povos Indígenas, que tabulou dados de 2008 e 2009, a desnutrição afeta 25,7% das crianças indígenas, enquanto a média entre não indígenas é 7,1%.Com a anemia ocorre o mesmo. A condição afeta mais da metade (51,2%) das crianças indígenas, mais do que o dobro da taxa observada entre não indígenas (20,9%). Quando se fala em mulheres indígenas adultas, a anemia também se faz presente. No total, conforme o levantamento, naquele período 33% apresentavam sintomas a ela relacionados, ante uma taxa de 29,4% entre adultas não indígenas. Na época do estudo – elaborado pelo governo federal, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Universidade de Gotemburgo (Suécia) -, a hipertensão, que se sobressaía como uma das condições com nível mais baixo no grupo de mulheres indígenas, comparativamente ao das não indígenas, se tornou um dos focos do atendimento do Dsei Parintins. Ao menos, entre homens. Segundo o coordenador, as aldeias indígenas da região têm o costume de salgar os alimentos como modo de conservá-los por mais tempo. A técnica, que retarda a proliferação de micro-organismos capazes de causar intoxicação, apesar de funcionar a contento, por um lado, acarreta, por outro, danos para a saúde. De acordo com estudos médicos, o cloreto de sódio artua no aumento da vasoconstrição (contração dos vasos sanguíneos), o que gera um aumento da pressão arterial. “A gente começa, hoje, também a enfrentar um alto índice de indígenas com hipertensão e também contraindo diabetes, em razão da alimentação. Eles passaram a usar mais o sal, tendo em vista que a maioria das aldeias não têm energia elétrica e acabam usando o sal para manter os alimentos. Outro problema é o refrigerante. É difícil porque, depois que experimentam, não querem largar, principalmente as crianças”, disse Souza. (ABr)