Sustentabilidade

São Paulo

Vereador Caio Miranda ressalta que o principal da medida é a conscientização da população
18/04/2019

São Paulo está a um passo de proibir venda de canudos plásticos

Sustentabilidade

São Paulo está a um passo de proibir venda de canudos plásticos

Vereador Caio Miranda ressalta que o principal da medida é a conscientização da população

A cidade de São Paulo está a um passo de proibir o fornecimento de canudos de plástico em estabelecimentos comerciais, como restaurantes, bares e hotéis e se tornar mais sustentável. Com a aprovação do projeto pela Câmara Municipal na noite de quarta-feira, 18, falta apenas a sansão do prefeito Bruno Covas (PSDB) para que a lei entre em vigor. Em caso de descumprimento, de acordo com a proposta, os estabelecimentos serão inicialmente advertidos. A segunda autuação prevê multa de R$ 1 mil, a terceira, multa no dobro do valor da primeira autuação, e assim sucessivamente até a sexta autuação, que estabelece multa no valor de R$ 8 mil, além do fechamento administrativo. De autoria do vereador Reginaldo Tripoli (PV), o projeto recebeu 32 votos favoráveis. Fernando Holiday (DEM) e Janaína Lima (Novo) votaram contra. Os parlamentares também aprovaram emenda do vereador Caio Miranda (PSB) que estabelece o prazo de 180 dias para a prefeitura regulamentar o projeto e dá um período adicional de 180 dias para que as empresas se adequem. “A principal mudança que conseguimos, através da emenda, foi a ampliação do prazo para a lei entrar em vigor. Você não consegue promover uma mudança dessa escala numa cidade como São Paulo em questão de dias. Então, a gente garante o prazo de um ano para que a lei entre em pleno vigor. Se você fizer uma lei que não dá prazo, é uma lei injusta que vai só gerar multa e não vai gerar o principal que é conscientização”, enfatizou Caio Miranda. No Brasil, cidades litorâneas como Fortaleza, Salvador, Rio de Janeiro, Camboriú (SC), Ilhabela (SP), Santos (SP), Rio Grande (RS) e todo o estado do Rio Grande do Norte já sancionaram leis de proibição dos canudos e de outros plásticos descartáveis. Os estabelecimentos poderão fornecer canudos em papel reciclável, material comestível ou biodegradável, embalados individualmente em envelopes hermeticamente fechados feitos do mesmo material. Uma outra opção para a população é ter consigo um canudo próprio. Já há no comércio os canudos de inox, vidro e bambu. Segundo relatório da ONU sobre o tema publicado em junho de 2018, mais de 90 países já adotaram medidas contra os plásticos de uso único, somando iniciativas do mercado e leis locais. Para se ter uma ideia do problema do plástico – que nunca irá se decompor completamente –, empilhando os canudos consumidos por brasileiros em um ano em um muro de 2,10 metros de altura, seria possível dar uma volta completa na Terra, numa linha de mais de 45 mil km, por exemplo. Segundo artigo publicado na revista científica Science Advances em 2017, o mundo já havia produzido 8.300 milhões de toneladas de plástico até 2015. Do total de resíduos plásticos gerados, estima-se que apenas 12% foram reciclados e 9%, incinerados. Os outros 79% estariam no ambiente — principalmente no mar.
17/04/2019

Primeiro carro híbrido flex do mundo é lançado no Brasil

Tecnologia brasileira

Primeiro carro híbrido flex do mundo é lançado no Brasil

O novo Corolla chega ao mercado consumidor em outubro; valor de venda não foi divulgado

O primeiro carro com propulsão híbrido flex, ou seja, movido tanto pelos combustíveis etanol e gasolina, como por eletricidade, começa a ser produzido na cidade de Indaiatuba, interior paulista. O lançamento foi feito hoje (17) no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. Com tecnologia brasileira, o veículo do modelo Corolla terá um motor elétrico e outro de tecnologia flex fuel. O veículo não foi projetado para ser recarregado na tomada, já que as vias públicas brasileiras não estão adaptadas para alimentar esse tipo de energia. A propulsão elétrica, que ficará armazenada em bateria, é gerada a partir do uso dos combustíveis, cujo consumo deve reduzir em mais de 20%. Investimento O projeto da empresa Toyota recebeu investimento de R$ 1,6 bilhões e deve gerar 900 empregos diretos. “Vamos seguir inovando e trazendo novas tecnologias e desenvolvimento industrial para São Paulo, inclusive com o IcentivAuto, programa que nós lançamos há cerca de 60 dias. Agora, também, a Toyota poderá fazer uso dele”, disse o governador João Doria. “Este é um setor muito importante, porque é forte empregador, utilizador de tecnologia, tem uma rede robusta complementar de revendedores, fornecedores e é uma cadeia produtiva de grande importância”, completou o governador. O presidente da Toyota no Brasil, Rafael Chang, falou sobre a importância da inovação no país. “O mais importante é que estamos trazendo tecnologia para o Brasil. Essa tecnologia híbrida flex combina duas tecnologias muita limpas, a tecnologia híbrida e com utilização do etanol”. O novo Corolla com propulsão híbrido flex chega ao mercado consumidor em outubro, com expectativa de ser exportado para Argentina, Paraguai, Uruguai, Chile, Peru e Colômbia no ano que vem. O valor de venda não foi divulgado. (ABr)
15/04/2019

Justiça manda bloquear bens de Alckmin em ação sobre repasses da Odebrecht

Improbidade administrativa

Justiça manda bloquear bens de Alckmin em ação sobre repasses da Odebrecht

Indisponibilidade de patrimônio de ex-governador e executivos de empresa somam total de R$ 39 milhões

A Justiça de São Paulo determinou o bloqueio dos bens do presidente nacional do PSDB e ex-governador Geraldo Alckmin, em processo referente à investigação de improbidade administrativa decorrente de repasses da Odebrecht para a campanha do tucano em 2014, quando foi reeleito governador. Os valores não teriam sido declarados à Justiça Eleitoral. A decisão é do juiz Alberto Alonso Muñoz, da 13ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo, que atendeu a um pedido do Ministério Público de São Paulo feito em ação civil pública. Cabe recurso. O montante seria de R$ 7,8 milhões —R$ 9,9 milhões atualizados. Muñoz ordenou o bloqueio de R$ 39,7 milhões dos investigados, incluindo Alckmin. Além do tucano, o juiz também decretou a indisponibilidade dos bens de Marcos Antônio Monteiro, da construtora Odebrecht, Luiz Bueno Júnior, Benedicto Barbosa da Silva Júnior, Fernando Migliaccio da Silva e Hilberto Mascarenhas Alves da Silva. São servidores e executivos da empreiteira. O juiz determinou ainda que fiquem indisponíveis todos os veículos licenciados em nome dos réus. Foi determinado o bloqueio de todas as contas-correntes e aplicações financeiras em nome dos investigados. Muñoz ainda juntou ao processo, “nos autos digitais, provas que foram remetidas ao Ministério Público pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo. Permanecerão em segredo de justiça apenas aquela prova obtida perante a 1ª Zona Eleitoral de São Paulo”. Foram ainda inseridos no processo depoimentos colhidos pela Promotoria de Justiça nos autos do inquérito civil que instruíram a petição inicial. Segundo o Ministério Público, a Odebrecht, por meio do diretor de Infraestrutura, Benedicto Barbosa da Silva, e o superintendente de São Paulo e região Sul, Luiz Antônio Bueno Júnior, teriam, entre 2013 e 2014, “escolhido candidatos a governador e deputados estaduais que correspondessem a suas pretensões”, escreve o juiz. O objetivo seria, segundo a Promotoria, beneficiar a empreiteira em licitações, contratos, obras públicas e parcerias público-privadas por meio de contribuições clandestinas (não declaradas à Justiça Eleitoral). O juiz relata, com base nas investigações do Ministério Público, que, em 2013, a diretoria da empresa teria procurado Marcos Antônio Monteiro, então diretor da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, responsável pela administração financeira de Alckmin, então governador candidato à reeleição. “Tais informações teriam sido reveladas pelo réu Luiz Antônio Bueno Júnior”, diz o juiz, segundo as investigações do Ministério Público. De acordo com a Promotoria, relata Muñoz, a Odebrecht buscaria manter-se no projeto de concessões e privatizações do estado de São Paulo. Segundo a acusação, a empresa ainda acobertou fraudes à Lei de Licitações, tais como formação de cartel e superfaturamento de obras, dentre elas, as obras da linha 6-laranja do Metrô de São Paulo. “Resta que os fatos poderiam, em tese, e ao menos a partir de uma análise perfuntória, adequar-se aos tipos descritos como ato de improbidade administrativa, previsto na Lei Federal nº 8.429/92, uma vez que o crime de ‘caixa dois’ eleitoral, ou o de corrupção passiva, disciplinam condutas que não afastariam a responsabilidade administrativa, cível e por ato de improbidade, esferas autônomas e independentes”, escreve Muñoz. “Se, por outro lado, houve de fato ou não enriquecimento ilícito ou vantagem patrimonial indevida, lesão ao erário e patrimônio público, ou violação dos princípios da administração pública, é matéria de mérito que não cabe, por ora, examinar”, afirma o juiz.​ Na eleição de 2018, Alckmin declarou ter um total de bens de R$ 1,38 milhão. À Justiça a defesa de Alckmin pediu a rejeição da ação afirmando que todas as doações de sua campanha eleitoral de 2014 foram registradas e aprovadas pela Justiça Eleitoral e que, mesmo que houvesse irregularidades, elas deveriam ser apuradas no âmbito eleitoral. Disse também que o único indício de improbidade levantado pelos promotores tem origem em delações premiadas que não atribuem ilegalidades desse tipo ao ex-governador. Alckmin chegou a prestar depoimento ao Ministério Público sobre a delação da Odebrecht em plena campanha eleitoral, em 2018. A ação de improbidade foi ajuizada em setembro. (FolhaPress)
12/04/2019

Poluição do ar afeta crescimento de árvores em São Paulo

Pesquisa

Poluição do ar afeta crescimento de árvores em São Paulo

Pesquisa do Instituto de Biociências da USP revela que não são só os humanos que sofrem com a poluição

Os efeitos da poluição do ar à saúde humana já são conhecidos. Uma pesquisa do Instituto de Biociências (IB) da Universidade de São Paulo (USP) identificou agora que as árvores também sofrem esses efeitos, o que interfere nos benefícios ambientais prestados por elas. Os pesquisadores utilizaram como modelo a tipuana (Tipuana tipu) – uma das espécies de árvores mais comuns em São Paulo – e mostraram que os poluentes atmosféricos restringem o desenvolvimento desse tipo de planta. Diminuir temperatura, produzir vapor de água, mitigar o escoamento da água da chuva e, inclusive, filtrar a poluição são alguns dos benefícios das árvores no ambiente urbano que estão prejudicados. “Vamos precisar muito desses serviços ambientais para a gente se adaptar aos impactos das mudanças climáticas. É muito importante ter árvores na cidade. Quanto mais saudáveis elas forem, mais rapidamente a gente vai ganhar esse serviço [ambiental]. As árvores que estão crescendo neste momento estão, provavelmente, sofrendo com o efeito da poluição”, disse Marcos Buckeridge, professor do IB-USP e responsável pelo projeto. Foram analisadas 41 tipuanas localizadas em diferentes distâncias do Polo Industrial de Capuava, em Mauá, uma das áreas mais industrializadas da região metropolitana de São Paulo. De acordo com os pesquisadores, o bairro é composto por áreas residenciais e comerciais e um polo industrial, formado por refinarias de petróleo e fábricas de cimento e fertilizantes, por onde circula grande quantidade de caminhões e carros. Estudo Com um instrumento semelhante a uma broca de furadeira, mas com o interior oco, chamado de sonda Pressler, os pesquisadores retiraram amostras das cascas e dos anéis de crescimento. Eles analisaram a composição química e o tamanho dos anéis e conseguiram medir a variação dos níveis de poluição do ar por diversos elementos químicos a que as plantas foram expostas durante o desenvolvimento e como esse fator influenciou o crescimento delas. “Nós pegamos árvores que estão em posição onde há uma poluição muito forte e comparamos com árvores onde a poluição não é tão forte”, afirmou Buckeridge. Quando os anéis são muito grandes ou largos, isso indica anos de bom crescimento, ou seja, foram anos de menores níveis de poluição. Os anéis de crescimento menores ou mais estreitos, por sua vez, representam anos de crescimento ruim, quando os níveis de poluição foram maiores. “As árvores mais próximas às vias de tráfego e expostas a concentrações mais altas de alumínio, bário e zinco, gerados pelo desgaste de peças de automóveis, tiveram menor crescimento ao longo dos anos”, mostra o estudo, que teve apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). De acordo com a pesquisa, o material particulado (partículas muito finas de sólidos ou líquidos suspensos no ar) com tamanho de até 10 micrômetros (PM10), emitido pelo polo industrial, reduziu em até 37% a taxa de crescimento do diâmetro das árvores mais próximas à área. Os resultados das análises da composição química das amostras das cascas foram confirmadas com dados obtidos por meio de séries temporais de emissões de material particulado na região de Capuava por cerca de 20 anos, elaboradas pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). O estudo revela que os metais pesados e o material particulado influenciam o desenvolvimento das árvores ao mudar as propriedades ópticas da superfície das folhas. “Dessa forma, aumentam a temperatura e reduzem a disponibilidade de luz para a fotossíntese da planta. Além disso, podem reduzir as trocas gasosas das árvores ao acumular nos estômatos foliares – um conjunto de células nas folhas da planta que permitem a troca de gases com o ambiente e a transpiração do vegetal”. Buckeridge destaca que a pesquisa mostrou o impacto da poluição no desenvolvimento das tipuanas e, agora, em novas etapas do trabalho, será possível calcular os impactos para a cidade como um todo. “Agora vamos ter que integrar, fazer a modelagem da arborização em São Paulo e ver, no caso da tipuana tipu, quais são esses efeitos no nível macro, mas nós não temos esse número ainda”, explicou. (ABr)