Derrota dupla

Olavo Calheiros

Governador carregou pai na campanha e contava com a Presidência do Senado
04/02/2019

Fracasso de Renan no Senado também ocorreu com Renan Filho na Assembleia

Derrota dupla

Fracasso de Renan no Senado também ocorreu com Renan Filho na Assembleia

Governador carregou pai na campanha e contava com a Presidência do Senado

O governador de Alagoas Renan Filho (MDB) deu provas no último final de semana de que também perdeu o que era qualificado como talento hereditário para articulação política, exaltado havia décadas como característica que levou seu pai e senador Renan Calheiros (MDB-AL) à cúpula da política nacional. Renan Filho viajou de mala e cuia para Brasília (DF), na sexta (1º), faltando à posse dos deputados estaduais sob a justificativa de que ajudaria o pai a ser eleito presidente do Senado. Sua derrota foi dupla, já que o parlamento estadual também rejeitou com antecedência eleger seu tio Olavo Calheiros (MDB-AL) para presidir a Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE). Renan Filho fracassou ao tentar manobrar com cargos a eleição do tio Olavo na ALE. Isso mesmo. Demitiu em massa indicados de aliados não domesticados, porque a cartilha da democracia calheirista prega independência e harmonia entre os poderes, somente se os seus próprios poderes não estiverem em jogo. Sem habilidade nem sensibilidade, o governador não viu o antagonista de seu tio, Marcelo Victor (SD-AL), ser eleito presidente da ALE. Tinha viajado para Brasília certo de que a velha política nacional apagaria as luzes e elegeria seu pai longe dos olhos dos eleitores e com base em conchavos de bastidores. Fortalecido eleitoralmente com uma vitória folgada e carregando nas costas de seu governo a reeleição do pai, o governador de Alagoas não contava com dois fracassos políticos neste início de segundo mandato. Contava era com o pai na Presidência do Senado para seguir atuando com o mesmo poder arrogante que tratou parceiros como capachos e os ignorou, em busca de redenção na capital federal para o conforto de seus interesses. A partir de hoje, os aliados e adversários dos Calheiros esperam que Renan Filho e seu pai aprendam a lidar com suas derrotas e enfraquecimento político, colocando Alagoas e o Brasil acima dos anseios pessoais pelo poder. Olavo Calheiros retirou a pré-candidatura ainda em janeiro, ao notar a falta de apoio contra o Marcelo Victor que foi eleito por unanimidade. Tal fato aliado à desistência de Renan da candidatura a presidente do Senado, sob os primeiros votos abertos que jogaram luz desinfetante naquele pleito, evidenciam que os Calheiros estavam acostumados a só jogar para ganhar, sob a penumbra de votações secretas e da velha política nada transparente. A dupla de apoiadores do ex-presidente Lula, preso por corrupção, e do Partido dos Trabalhadores, engolfado por escândalos do petrolão, ainda acredita iniciar um novo momento de domínio político duradouro em Alagoas. Mas Renan Filho e seu pai terão que atuar sem o poderio potencializado em suas estratégias e com o Brasil presidido pela “nova ordem” imposta pelo Jair Bolsonaro (PSL) que eles trataram como antagonista há bem pouco tempo. De quebra, os parlamentares e aliados estão ouriçados, sedentos para dar novas lições no clã Calheiros. Os alagoanos que acompanham esta resistência no âmbito político logo após a consagração eleitoral de outubro de 2018 deveriam estar ansiosos para compreender como será a postura de mais oito anos de um “novo” Renan Calheiros, esvaziado de poder e abastecido de rancor; bem como para observar como atuará o Renan Filho que já aparentava ser mais velho do que o pai, antes mesmo de estar desamparado pelas costas largas do ex-presidente do Senado.
19/01/2019

Renan Filho minimiza derrota de sua arrogância tentando aliar-se a vencedor na ALE

Disfarçando a derrota

Renan Filho minimiza derrota de sua arrogância tentando aliar-se a vencedor na ALE

Vencido tentando eleger o tio, governador agora 'apoia' futuro presidente da Assembleia

Durante o lançamento do livro custeado pelo contribuinte em plena campanha eleitoral de seu pai à Presidência do Senado, o governador de Alagoas Renan Filho (MDB) tentou transformar em vitória a derrota de sua arrogância durante a disputa da eleição no Legislativo Estadual. Na noite de quinta-feira (17), Renan Filho disse que agora apoia a eleição de Marcelo Victor (SD-AL) para presidir a Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE), somente depois de não ter sucesso na tática coronelista de retaliar parlamentares com demissões de indicados de deputados que rejeitaram votar em seu tio Olavo Calheiros (MDB-AL). Já na terça-feira (15), depois de abrir uma trincheira em favor de seu parente para guerrear com aliados de seu governo, o governador Renan Filho declarou que “espera ter adiante mesma tranquilidade que teve até aqui, porque é bom para Alagoas e para a naturalidade institucional”. Na realidade, Renan Filho foi o menos tranquilo deste início de segundo mandato. Criou e comandou feito um coronel a guerra política que fez seu tio acenar com uma bandeira branca e abandonar o campo de batalha quando 21 dos 27 deputados votantes no candidato opositor lhe deram as costas. E optou por abrir uma ferida que ainda sangra entre a maioria de seus aliados tratados como capachos que deveriam servir ao Executivo e abandonar o princípio constitucional da independência entre os poderes. Em entrevista ao jornalista Odilon Rios, do site Repórter Nordeste, o filho do senador Renan Calheiros (MDB-AL) admitiu sua atitude de defesa intransigente da candidatura do seu tio, na estratégia que visa manter o domínio do clã Calheiros sobre Alagoas, a partir de uma eventual sucessão do governo por Olavo Calheiros na eleição de 2022, quando Renan Filho tentará ser senador. O governador declarou ao jornalista que agora apóia o deputado que o derrotou antecipadamente na eleição que ocorrerá em 1º de fevereiro: “Vai [ter apoio], provavelmente porque é isso o que eu sinto da Casa e terá o apoio do Governo”, disse o governador, ao destacar que Marcelo Victor colaborou bastante com o primeiro mandato e certamente colaborará novamente. Não se arrepende Sua fala evidencia justamente o erro que não admite, de ter atacado sua base aliada em nome de um projeto pessoal e familiar. “Não! Renan Filho jamais pode deixar de apoiar Olavo Calheiros em qualquer situação. O Olavo solicitou a minha solidariedade e o meu apoio. Contará sempre com isso”, respondeu o governador ao repórter. Se a reação de retirar cargos foi dura? Renan Filho chamou de “solidariedade” a tentativa de tratorar aliados em favor de Olavo Calheiros. E alega ter demitido secretários e comissionados indicados pelos deputados que não apoiavam seu candidato, porque inicia um segundo mandato e faz uma “releitura dos espaços, conversando com os partidos políticos”. O governador afirma que a atitude que expôs o ranço coronelista do toma lá da cá que mantém enquanto discursa como defensor da “nova política” é uma necessidade para garantir “equilíbrio que precisa ter no campo político para levar o Governo como levamos no primeiro mandato”. “Todo mundo erra, mas neste caso não houve erro. Fui leal a uma candidatura de uma pessoa que não poderia deixar de ter minha lealdade”, explicou Renan Filho, ao tentar passar de vencido a vencedor. Mas o governador não convence a maioria de deputados da base de apoio a Marcelo Victor, que ainda suspeitam de uma nova tentativa do chefe do Executivo de fazer novas retaliações e tentativas de eleger outro candidato. Veja a entrevista completa aqui.
10/01/2019

Imposição de Renan Filho destrói candidatura de seu tio a presidente da ALE

Menos de seis votos

Imposição de Renan Filho destrói candidatura de seu tio a presidente da ALE

Retaliação a deputados aliados ampliou resistência e forçou renúncia de Olavo Calheiros

A postura de coronel de interior com que atuou o governador Renan Filho (MDB) contra parlamentares aliados que se negaram a votar no deputado Olavo Calheiros (MDB-AL) para presidir a Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE) destruiu o projeto político que envolvia o tio do governador. Com menos de meia dúzia de votos, Olavo Calheiros confirmou nesta quarta-feira (9) a desistência de sua pré-candidatura. E Marcelo Victor (SD-AL) segue como candidato único a presidente do Legislativo, com apoio assegurado por 21 dos 27 colegas de parlamento.  A iniciativa de retaliar aliados, exonerando secretários e comissionados ligados a quatro dos deputados que rejeitaram apoio ao seu tio foi considerada passional e imatura pela maioria governista que apoia Marcelo Victor. Mas também expôs um projeto bem mais racional e estratégico do que o “toma lá dá cá” imediatista exigido pela velha política explicitamente praticada nestes primeiros dias do segundo mandato do filho do senador Renan Calheiros (MDB-AL) no governo de Alagoas. O fato gerador de toda a celeuma é a necessidade de Renan Filho de garantir retaguarda política confiável no Palácio República dos Palmares, para quando o governador renunciar ao mandato para disputar o Senado, em 2022. Ele até confia em seu vice, Luciano Barbosa (MDB); mas o quer eleito prefeito de Arapiraca em 2020, para tomar da oposição o segundo maior colégio eleitoral alagoano e pavimentar a consolidação de um domínio duradouro do clã Calheiros em Alagoas. Ao expor aos parlamentares aliados suas intenções de abrir feridas em sua base de apoio, o domínio do Legislativo era meio, não um fim. Renan Filho tentou eleger seu tio Olavo Calheiros presidente da Assembleia, para reelegê-lo até o segundo biênio. Seria uma imposição a ser aceita sem resistência pelos seus aliados. Assegurar um Legislativo domesticado nunca foi uma questão apenas de governar, mas de garantir a transição futura dos planos políticos de manutenção do clã Calheiros no poder. Mas a garantia da governabilidade, sem percalços, deverá ser trabalhada agora, humildemente pelo governador, após esta antecipação da derrota política da arrogância, há quase um mês da eleição da Mesa Diretora da ALE. Bola cantada para Renan Filho pelos deputados governistas pressionados, a rendição do deputado Olavo não passou por uma composição política com os adversários da disputa. Marcelo Victor, por exemplo, soube da desistência do tio do governador pela imprensa. Além do próprio voto, Olavo contava com os votos de Ricardo Nezinho (MDB-AL), Antônio Albuquerque (PTB-AL), Breno Albuquerque (PRTB-AL) e Fátima Canuto (PRTB-AL). Ao fim desta disputa, o governador de Alagoas foi exposto como praticante da política coronelista tradicional. E a maior derrotada foi a retórica de “porta-voz da nova política”, que brilhou como ouro de tolo desde 2014, nas alegorias do discurso de Renan Filho.
08/01/2019

Renan Filho terá que recuar de retaliação a opositores de seu tio para manter aliados

Intromissão uniu deputados

Renan Filho terá que recuar de retaliação a opositores de seu tio para manter aliados

Maioria da ALE só discutirá composição em bloco, após eleição sem interferência do governador

A intervenção do governador Renan Filho (MDB), exonerando indicados de parlamentares que rejeitaram a pré-candidatura de seu tio Olavo Calheiros (MDB-AL) para presidente do Legislativo, segue a todo vapor no Estado de Alagoas, mas só alimenta a aliança de 21 dos 27 deputados estaduais em prol da eleição de Marcelo Victor (SD-AL) para presidir a Assembleia Legislativa (ALE). Em uma reunião dos opositores de Olavo no último domingo (6), todos os integrantes da base governista foram solidários aos deputados retaliados por Renan Filho e se comprometeram a não ocupar os espaços abertos pelas exonerações motivadas pela eleição da Mesa Diretora. Além disso, os deputados interessados em fazer parte da bancada governista – que são quase todos os aliados de Marcelo Victor – decidiram por somente iniciar de forma coletiva a discussão dessa eventual relação de aliados do governo. Diálogo que só ocorreria antes da eleição, se Renan Filho recuasse das retaliações, recompondo os cargos; ou pode nem acontecer, caso o governo siga retirando os espaços dos governistas não domesticados. Tais medidas foram tomadas com a presença de 20 dos deputados que votam livremente no adversário de Olavo Calheiros, como forma de não haver ruptura do grupo. Enfim, se Renan Filho se interessar em ter sustentação política no Legislativo que ele tenta dominar a fórceps, impondo seu tio como presidente, agora terá que dialogar em bloco com os aliados, sem intervir nas escolhas já definidas para a Presidência e demais cargos da Mesa Diretora da ALE. Deputados afirmam que não se interessam em guerra antes ou depois das eleições. Até admitem que Renan Filho “participe vitória”, adotando para si a chapa que derrotou seu tio. Quem conhece os interesses ligados a cada um dos grupos sabe que há motivos sobrando para alimentar a batalha que já isolou o governador e minou bases de deputados aliados. Porque o clima de embate envolve um duodécimo de R$ 227,2 milhões para um Legislativo sem transparência e suspeito de ser um ralo de corrupção há mais de uma década. E a eleição pode garantir ao presidente eleito a força política necessária para ascender à vaga aberta para o cargo vitalício de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, ou até mesmo garantir a ocupação do cargo de governador de Alagoas, com a possível renúncia de Renan Filho para disputar o cargo de senador, em 2022.