Menos de seis votos

Olavo Calheiros

Retaliação a deputados aliados ampliou resistência e forçou renúncia de Olavo Calheiros
10/01/2019

Imposição de Renan Filho destrói candidatura de seu tio a presidente da ALE

Menos de seis votos

Imposição de Renan Filho destrói candidatura de seu tio a presidente da ALE

Retaliação a deputados aliados ampliou resistência e forçou renúncia de Olavo Calheiros

A postura de coronel de interior com que atuou o governador Renan Filho (MDB) contra parlamentares aliados que se negaram a votar no deputado Olavo Calheiros (MDB-AL) para presidir a Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE) destruiu o projeto político que envolvia o tio do governador. Com menos de meia dúzia de votos, Olavo Calheiros confirmou nesta quarta-feira (9) a desistência de sua pré-candidatura. E Marcelo Victor (SD-AL) segue como candidato único a presidente do Legislativo, com apoio assegurado por 21 dos 27 colegas de parlamento.  A iniciativa de retaliar aliados, exonerando secretários e comissionados ligados a quatro dos deputados que rejeitaram apoio ao seu tio foi considerada passional e imatura pela maioria governista que apoia Marcelo Victor. Mas também expôs um projeto bem mais racional e estratégico do que o “toma lá dá cá” imediatista exigido pela velha política explicitamente praticada nestes primeiros dias do segundo mandato do filho do senador Renan Calheiros (MDB-AL) no governo de Alagoas. O fato gerador de toda a celeuma é a necessidade de Renan Filho de garantir retaguarda política confiável no Palácio República dos Palmares, para quando o governador renunciar ao mandato para disputar o Senado, em 2022. Ele até confia em seu vice, Luciano Barbosa (MDB); mas o quer eleito prefeito de Arapiraca em 2020, para tomar da oposição o segundo maior colégio eleitoral alagoano e pavimentar a consolidação de um domínio duradouro do clã Calheiros em Alagoas. Ao expor aos parlamentares aliados suas intenções de abrir feridas em sua base de apoio, o domínio do Legislativo era meio, não um fim. Renan Filho tentou eleger seu tio Olavo Calheiros presidente da Assembleia, para reelegê-lo até o segundo biênio. Seria uma imposição a ser aceita sem resistência pelos seus aliados. Assegurar um Legislativo domesticado nunca foi uma questão apenas de governar, mas de garantir a transição futura dos planos políticos de manutenção do clã Calheiros no poder. Mas a garantia da governabilidade, sem percalços, deverá ser trabalhada agora, humildemente pelo governador, após esta antecipação da derrota política da arrogância, há quase um mês da eleição da Mesa Diretora da ALE. Bola cantada para Renan Filho pelos deputados governistas pressionados, a rendição do deputado Olavo não passou por uma composição política com os adversários da disputa. Marcelo Victor, por exemplo, soube da desistência do tio do governador pela imprensa. Além do próprio voto, Olavo contava com os votos de Ricardo Nezinho (MDB-AL), Antônio Albuquerque (PTB-AL), Breno Albuquerque (PRTB-AL) e Fátima Canuto (PRTB-AL). Ao fim desta disputa, o governador de Alagoas foi exposto como praticante da política coronelista tradicional. E a maior derrotada foi a retórica de “porta-voz da nova política”, que brilhou como ouro de tolo desde 2014, nas alegorias do discurso de Renan Filho.
08/01/2019

Renan Filho terá que recuar de retaliação a opositores de seu tio para manter aliados

Intromissão uniu deputados

Renan Filho terá que recuar de retaliação a opositores de seu tio para manter aliados

Maioria da ALE só discutirá composição em bloco, após eleição sem interferência do governador

A intervenção do governador Renan Filho (MDB), exonerando indicados de parlamentares que rejeitaram a pré-candidatura de seu tio Olavo Calheiros (MDB-AL) para presidente do Legislativo, segue a todo vapor no Estado de Alagoas, mas só alimenta a aliança de 21 dos 27 deputados estaduais em prol da eleição de Marcelo Victor (SD-AL) para presidir a Assembleia Legislativa (ALE). Em uma reunião dos opositores de Olavo no último domingo (6), todos os integrantes da base governista foram solidários aos deputados retaliados por Renan Filho e se comprometeram a não ocupar os espaços abertos pelas exonerações motivadas pela eleição da Mesa Diretora. Além disso, os deputados interessados em fazer parte da bancada governista – que são quase todos os aliados de Marcelo Victor – decidiram por somente iniciar de forma coletiva a discussão dessa eventual relação de aliados do governo. Diálogo que só ocorreria antes da eleição, se Renan Filho recuasse das retaliações, recompondo os cargos; ou pode nem acontecer, caso o governo siga retirando os espaços dos governistas não domesticados. Tais medidas foram tomadas com a presença de 20 dos deputados que votam livremente no adversário de Olavo Calheiros, como forma de não haver ruptura do grupo. Enfim, se Renan Filho se interessar em ter sustentação política no Legislativo que ele tenta dominar a fórceps, impondo seu tio como presidente, agora terá que dialogar em bloco com os aliados, sem intervir nas escolhas já definidas para a Presidência e demais cargos da Mesa Diretora da ALE. Deputados afirmam que não se interessam em guerra antes ou depois das eleições. Até admitem que Renan Filho “participe vitória”, adotando para si a chapa que derrotou seu tio. Quem conhece os interesses ligados a cada um dos grupos sabe que há motivos sobrando para alimentar a batalha que já isolou o governador e minou bases de deputados aliados. Porque o clima de embate envolve um duodécimo de R$ 227,2 milhões para um Legislativo sem transparência e suspeito de ser um ralo de corrupção há mais de uma década. E a eleição pode garantir ao presidente eleito a força política necessária para ascender à vaga aberta para o cargo vitalício de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, ou até mesmo garantir a ocupação do cargo de governador de Alagoas, com a possível renúncia de Renan Filho para disputar o cargo de senador, em 2022.
07/01/2019

Deputado avisa: não dá para Renan Filho agir como ‘Coronel Saruê’ para eleger o tio

Interferência na ALE

Deputado avisa: não dá para Renan Filho agir como ‘Coronel Saruê’ para eleger o tio

Apoio a Marcelo Victor foi reafirmado por 21 deputados, após governador tomar cargos

O deputado estadual Bruno Toledo (Pros-AL) afirmou hoje (7) que o governador Renan Filho precisa reconhecer as limitações de seu papel no Executivo estadual, se curvar e respeitar a decisão da maioria do Poder Legislativo de apoiar a eleição do deputado Marcelo Victor (SD-AL) como presidente. Para o deputado que se tornou anfitrião das reuniões de opositores da candidatura de Olavo Calheiros (MDB-AL) a presidente da Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE), o comportamento de Renan Filho de intervir na disputa em favor do tio não pode ser o mesmo do Coronel Saruê, personagem da novela Velho Chico. A declaração acontece depois de o governador finalizar a última semana retaliando deputados aliados com exonerações de secretários da Cultura e Assistência Social e presidentes do Procon e do IMA, indicados por parlamentares que rejeitaram voto ao seu tio na eleição da Mesa Diretora do Legislativo. O grupo formado por 21 dos 27 deputados consolidou o apoio a Marcelo Victor neste domingo (6), em reunião na casa do deputado Bruno Toledo, desta vez, sem foto, mas com a presença da deputada Jó Pereira (MDB-AL) e Sílvio Camelo (PV-AL). “É importante para um político buscar seus interesses, mas tudo tem limite. Não dá pra agir como o “Coronel Saruê”. É preciso que ele entenda que o modelo institucional brasileiro pressupõe a existência autônoma de três poderes. Então, é preciso que ele se curve e respeite o Poder Legislativo e reconheça suas próprias limitações e seu papel exclusivamente no executivo. Pelo que vejo o grupo está muito coeso e quer privilegiar seu papel. Se o governador quiser uma boa convivência com o Legislativo uma boa postura deve ser a humildade e a de respeito aos seus interlocutores, sobretudo se estes contam com o contato direto com o povo”, disse Toledo, ao responder ao Diário do Poder sobre como avaliava a postura de Renan Filho. Na reunião de ontem que consolidou a oposição à candidatura de Olavo Calheiros, estiveram presentes os deputados  Davi Davino (PP), Gilvan Barros Filho (PSD), Dudu Ronalsa (PSDB), Léo Loureiro (PP), Cabo Bebeto (PSL), Ângela Garrote (PP), Marcelo Beltrão (MDB), Marcelo Victor (SD), Davi Maia (DEM), Silvio Camelo (PV), Cibele Moura (PSDB), Francisco Tenório (PMN), Tarcizo Freire (PP), Inácio Loiola (PDT), Jó Pereira (MDB), Bruno Toledo (Pros), Marcos Barbosa (PRB), Galba Novaes (MDB), Yvan Beltrão (PSD) e Paulo Dantas (MDB). A maioria dos deputados que dizem não votar em Olavo Calheiros é da base governista, ao contrário de Bruno Toledo, Cabo Bebeto e Davi Maia. Mas nenhum dos apoiadores do governo fala, ainda, em formar um bloco de oposição, mesmo com a postura de enfrentamento do governador, que pareceu disposto a usar cargos do Estado como moeda de troca por votos em seu tio. Renan Filho e sua assessoria ainda não responderam aos questionamentos do Diário do Poder sobre sua interferência na eleição do Legislativo. Até agora, as exonerações atingiram secretários e cerca de 20 servidores comissionados indicados e com relação próxima aos deputados Galba Novaes (MDB), Jó Pereira (MDB), Marcelo Beltrão (MDB) e Inácio Loiola (PDT).
05/01/2019

Deputado ironiza ‘nova política’ de Renan Filho, após se tornar alvo na disputa da ALE

Porta voz do 'novo'

Deputado ironiza ‘nova política’ de Renan Filho, após se tornar alvo na disputa da ALE

Marcelo Victor disse não crer na interferência do governador em favor do tio

Pivô da crise aberta pelo governador Renan Filho (MDB) contra a liberdade de voto dos parlamentares alagoanos, o deputado estadual Marcelo Victor (SD-AL) foi diplomático ao comentar sobre a interferência direta do chefe do Executivo na disputa pela Presidência da Assembleia Legislativa do Estado (ALE). Mas o adversário de Olavo Calheiros lançou mão da ironia ao afirmar não crer na “tese de interferência” de Renan Filho em favor do tio, porque o governador prega ser integrante da “nova política”, mesmo exonerando indicados de deputados que não declararam voto no candidato da família Calheiros. “Tenho com o governador Renan Filho, em quem votei e para quem pedi voto, uma relação muito boa, de respeito mútuo. Eu apoio seu governo e ele sabe da minha lealdade e da defesa das proposições governamentais que tenho encampado no Legislativo. Portanto, não acredito nessa tese da interferência. Ele é um porta voz importante da nova política”, respondeu Marcelo Victor, ao ser questionado pelo Diário do Poder sobre como avalia a interferência de Renan Filho na eleição da Mesa Diretora do Legislativo. Com apoio e votos prometidos de 21 dos 27 deputados estaduais alagoanos, Marcelo Victor conversou com o governador sobre a disputa na última quinta-feira (3), um dia depois de reunir o grupo de 20 parlamentares apoiadores da chapa de oposição a Olavo Calheiros. No mesmo dia da conversa, uma foto com 19 destes deputados circulou na imprensa, como demonstração de apoio a Marcelo Victor para presidente e o governador iniciou as exonerações e cobrança direta pelo apoio dos parlamentares aliados à eleição de seu tio Olavo. O Diário do Poder apurou com parlamentares do grupo de apoio a Marcelo Victor que a conversa entre o deputado e o governador foi “descontraída, porém direta”. O candidato a presidente da ALE disse que não desistiria da candidatura e Renan Filho disse que trabalharia para vencê-lo. “Marcaram para o dia 02 de fevereiro um cachimbo da paz”, confidenciou um deputado, em referência ao dia seguinte da eleição da Mesa do Legislativo. Após observar a perda de apoio de Olavo Calheiros para presidir a ALE, o governador expôs, através de exonerações e abordagens aos seus aliados, sua estratégia de minar de forma dura e lenta o grupo de deputados apoiadores de Marcelo Victor, para fazer os demais recuarem da ideia de não votar em sei tio. A medida tensionou a relação com os parlamentares aliados. E estrategistas do governo já difundem a justificativa de que tais exonerações ocorridas desde quinta-feira (3) seriam parte da reforma administrativa em curso, para remodelar a estrutura de cargos e secretarias do governo, no 2º mandato, com a possibilidade de retorno dos exonerados. Mas esta é uma tese criada para amenizar a crise exposta, afirmam representantes do grupo de apoio a Marcelo Victor. Nem o governador, nem sua assessoria responderam aos questionamentos do Diário do Poder acerca da pressão sobre os parlamentares e se esta seria uma posição que fere a independência dos poderes, ou faz parte de seu jogo político. Até agora, as exonerações atingiram secretários e servidores comissionados indicados ou com relação próxima aos deputados Galba Novaes (MDB), Jó Pereira (MDB), Marcelo Beltrão (MDB) e Inácio Loiola (PDT), no Procon, IMA, e secretarias da Cultura e Assistência Social.