Lobby eficiente

indústria automobilística

Renúncia fiscal só 2019 deve atingir mais de R$2,11 bilhão
08/11/2018

Após votação relâmpago, Temer sanciona programa que dá isenção às montadoras

Lobby eficiente

Após votação relâmpago, Temer sanciona programa que dá isenção às montadoras

Renúncia fiscal só 2019 deve atingir mais de R$2,11 bilhão

O presidente Michel Temer (MDB) sancionou nesta quinta-feira, 8, a medida provisória que cria o Rota 2030, novo regime tributário para as montadoras de veículos no país. O texto foi sancionado minutos depois da aprovação no Senado, em sessão de apenas 22 minutos, e um dia depois de ser aprovado pelo plenário da Câmara dos Deputados. Segundo projeções da Receita Federal, a renúncia fiscal com o texto original da MP seria em torno de R$ 2,11 bilhões em 2019 e de R$ 1,64 bilhão em 2020. Para 2018, não há renúncia, já que as deduções no Imposto de Renda e na Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) das empresas valem apenas a partir do próximo ano. Estimativas do setor indicam que os investimentos em desenvolvimento deveriam ser de R$ 5 bilhões em três anos para contar com os incentivos. O novo regime exige dos beneficiários, como contrapartida, desenvolvimento de novas tecnologias, pesquisas em eficiência energética, entre outros pontos. Poucos senadores debateram a matéria. Armando Monteiro (PTB-PE) foi nomeado relator-revisor no plenário e deu um breve parecer no microfone: “A matéria está devidamente instruída, e o nosso parecer é conforme ao conteúdo da matéria.” O texto foi aprovado de forma simbólica, sem registro nominal dos votos, com manifestação contrária apenas do senador Reguffe (sem partido-DF). “Essas isenções representam uma renúncia fiscal de R$ 2 bilhões e eu não consigo entender como os governos no Brasil simplesmente preferem priorizar a indústria automobilística e não a questão de remédios”, disse Reguffe. Autor de uma proposta de emenda à Constituição que tramita no Senado e impede a tributação de remédios no país, ele destacou que hoje 35% do preço cobrado por medicamentos são impostos. Temer comentou a criação do Rota 2030 durante abertura do Salão do Automóvel em São Paulo. “Gostaria de cumprimentar os deputados que aqui estão porque se deve a esta conjugação entre o setor produtivo e o Congresso Nacional esta vitória que providencialmente foi anunciado precisamente aqui, na abertura do Salão do Automóvel”, disse. “Um governo não se faz por conta própria, se faz, na democracia, com os setores produtivos no país, a indústria, o comércio, os trabalhadores, e nós estamos trabalhando juntos, apesar de termos sido bombardeados à vontade”, completou.
25/05/2018

Anfavea anuncia paralisação de toda a produção de carros no país

Reflexo da greve

Anfavea anuncia paralisação de toda a produção de carros no país

Paralisação terá forte impacto na arrecadação do país

A paralisação dos caminhoneiros afeta também o mercado automobilístico. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) informou que, a partir de hoje (25), todas as linhas de produção instaladas no Brasil estão paradas. A indústria automobilística gera de impostos mais de R$ 250 milhões por dia e, por isso, a paralisação terá forte impacto na arrecadação do país. “A greve dos caminhoneiros afetará significativamente nossos resultados, tanto para as vendas quanto para a fabricação e exportação”, diz a Anfavea em nota divulgada à imprensa. Segundo a associação, a média diária de produção foi de 12,6 mil unidades. A maioria das montadoras já está sem produzir e outras estão com os pátios lotados, sem o transporte das cegonhas, e não há como estocar veículos. (ABr)
04/07/2017

Vendas da indústria automobilística crescem 3,7% no primeiro semestre

Primeira alta desde 2013

Vendas da indústria automobilística crescem 3,7% no primeiro semestre

Foi vendido pouco mais de 1 milhão de veículos no período

As vendas da indústria automobilística no primeiro semestre, segundo dados do mercado, aumentaram 3,7% em relação ao mesmo período do ano passado, com um total de 1.019,4 milhão de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. Foi o primeiro resultado semestral positivo desde 2013. O resultado traz um certo alívio para o setor, mas, na visão de analistas e de executivos da indústria, ainda é cedo para afirmar que já há uma retomada consistente do mercado, pois o cenário político ainda traz incertezas e o crédito para financiamento segue com restrições. “Ainda há uma dificuldade em entender se o movimento é estrutural ou conjuntural”, diz Rodrigo Nishida, economista da LCA Consultores, especializado no setor automotivo. Segundo ele, as vendas diretas (das fábricas para locadoras, frotistas, etc) seguem fortes – no mês passado, representaram 42% dos negócios. No varejo (das lojas para os consumidores), houve impulso de compras com a liberação dos saques de contas inativas do FGTS. Os dois fenômenos não devem se repetir neste segundo semestre, avalia Nishida. A liberação do FGTS termina neste mês e, no caso das vendas diretas, uma vez que tiverem renovado suas frotas, os chamados clientes especiais vão reduzir as compras nos próximos meses. A projeção da LCA é de crescimento de cerca de 2% nas vendas totais de veículos neste ano em relação a 2016. A aposta da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) é de aumento de 4%, após quatro anos seguidos de queda. Estabilização. Para o executivo de uma das grandes montadoras, há sinais de melhora no mercado, mas ele prefere tratar os resultados atuais como “uma estabilização”. Em sua avaliação, a questão política, a queda dos juros, que ainda não chegou ao consumidor, e a previsão de um PIB mais fraco que o previsto levam o setor a ver os números do semestre ainda com certa cautela. Junho No mês passado, as vendas de veículos novos praticamente ficaram estáveis em relação a maio, com queda de 0,3%, totalizando 194,9 mil unidades. Em relação a igual mês de 2016, houve alta de 13,5%. A venda média diária aumentou 4,4% em junho, que teve 21 dias úteis, ante maio, com 22 dias úteis. No comparativo com junho do ano passado, que também teve 22 dias úteis, o crescimento foi de 18,9%. Apenas no segmento de automóveis e comerciais leves, que corresponde a 97% das vendas totais das montadoras, o crescimento no semestre foi de 4,2%, para 991,6 mil unidades. Só em junho foram vendidas 189,2 mil unidades, das quais 42% foram vendas diretas. Essa categoria de negócios cresceu 10% no comparativo anual, enquanto as vendas no varejo aumentaram 2,8%. Na quinta-feira, a Anfavea divulgará dados de produção, exportações e empregos no setor. Usados As vendas de automóveis, comerciais leves e veículos pesados (caminhões e ônibus) usados cresceram quase 10% de janeiro a junho, somando 5,2 milhões de unidades. Segundo a Federação das Associações de Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), a maior alta ocorreu entre modelos com até três anos de uso, chamados de seminovos. Foram vendidas 2,8 milhões de unidades, 23,7% a mais ante o primeiro semestre de 2016. (AE)
02/05/2015

Com novos em crise, venda de carro usado cresce

Indústria automobilística

Com novos em crise, venda de carro usado cresce

Modelos de segunda mão registram alta de 2,3% nas vendas no primeiro trimestre

Enquanto o mercado de carros zero-quilômetro vive uma grave crise, com queda de mais de 16% nas vendas no primeiro trimestre, as concessionárias de automóveis usados sobrevivem à recessão e fecharam março em terreno positivo, com alta de 2,3% nas vendas em unidades nos primeiros três meses do ano. Com o orçamento mais apertado, o consumidor está atento ao fator preço – neste quesito, os usados levam vantagem. Enquanto o valor do veículo novo subiu 7,2% nos últimos 12 meses, em média, os usados tiveram queda de 3,2%. Entre os usados, os chamados seminovos, com até três anos, lideram a preferência do consumidor. As vendas cresceram 26%. Os brasileiros que querem dar um “upgrade” em seu veículo ficam atentos a este mercado. Segundo Mauricio Emerich, dono da revenda R1 Motors, em São Paulo, o consumidor hoje usa muito a internet ao comprar. E, ao comparar os preços de carros zero e seminovos, consegue perceber que a diferença é grande. Segundo dados de mercado, após um ano de uso, o preço de um veículo cai cerca de 20%. Na R1 Motors, um Evoque, da Land Rover, blindado e com 8 mil km rodados, sai por R$ 220 mil. Um modelo zero-quilômetro, com os mesmos opcionais, fica em R$ 280 mil. Já um Fox 1.0, cujo preço de tabela é de R$ 44,6 mil, pode ser encontrado em sites por cerca de R$ 36 mil após um ano de uso. O empresário gaúcho Renan Resende da Costa, 32 anos, achou mais vantajoso comprar um usado. Ao descobrir que seria pai, no fim do ano passado, começou a buscar um carro mais confortável para a família.“Se fosse comprar um novo, teria de abrir mão e pegar um modelo inferior”, diz Costa. As pesquisas na internet trouxeram o empresário até São Paulo, onde a diferença de preço chegava a R$ 12 mil em relação a Porto Alegre. No início de março, veio para a capital paulista e comprou um Mercedes 2012, diretamente do proprietário, por R$ 70 mil à vista. Para levar um zero, teria de desembolsar mais R$ 60 mil. “Até pouco tempo era muito mais fácil comprar um carro novo, mas a situação mudou.” Com o aquecimento no mercado de segunda mão, a relação entre número de carros usados vendidos para cada novo está em 3,7 neste ano, a mais alta desde 2005, quando era de 4,1 usados para cada novo, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Para o gerente de desenvolvimento da consultoria Jato Dynamics, Pedro Mendes, a alta dos preços dos carros novos está levando o consumidor para a opção dos usados. De janeiro a março, mesmo com a forte queda do mercado de carros zero, os preços subiram 4,42%, enquanto o preço dos usados ficou estável (com alta de 0,03%), segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Mendes explica que, além da alta do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) em janeiro, houve aumento de insumos. “Em contrapartida, o usado manteve o preço e acabou ficando mais atrativo.” Juros. Apesar dos preços mais baixos, quem vai financiar o veículo precisa prestar atenção nos juros do financiamento do usado. Segundo o Banco Central, enquanto os juros de montadoras estão abaixo de 14% ao ano, nas empresas especializadas em carros usados podem chegar a 55%. A Fenauto, que representa as revendedoras de usados, afirma que o juro do setor varia de acordo com o perfil do cliente. “A taxa diminui conforme o valor da entrada aumenta”, diz Ilidio dos Santos, presidente da entidade (AE).