Economia

IBGE

Principal responsável pela inflação de 3,75% em 2018 foi o aumento do custo com alimentos
11/01/2019

Medida pelo IPCA, inflação oficial fecha 2018 em 3,75%

Economia

Medida pelo IPCA, inflação oficial fecha 2018 em 3,75%

Principal responsável pela inflação de 3,75% em 2018 foi o aumento do custo com alimentos

A inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), fechou 2018 em 3,75%. Em 2017, ela havia ficado em 2,95%. Os dados foram divulgados nesta (11) no Rio de Janeiro, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A inflação ficou dentro da meta estabelecida pelo Banco Central para 2018, que varia de 3% a 6%. Em dezembro, o IPCA registrou inflação de 0,15%, taxa maior que a de novembro, que teve deflação de 0,21%. Em dezembro de 2017, o indicador havia registrado inflação de 0,44%. Com alta de 4,04%, alimentos puxam inflação O principal responsável pela inflação de 3,75% em 2018 foi o aumento do custo com alimentos, que tiveram alta de preços de 4,04% no ano passado. Em 2017, o grupo alimentação e bebidas registrou queda de preços de 1,87%. O resultado foi impactado pela greve dos caminhoneiros em maio, o que provocou desabastecimento de itens alimentícios e aumento de preços desses produtos. Os alimentos consumidos em casa ficaram 4,53% mais caros no ano, enquanto os preços dos alimentos consumidos fora de casa (em bares e restaurantes, por exemplo) subiram 3,17%. Os produtos alimentícios que tiveram maior impacto na inflação de 2018 foram o tomate (71,76% mais caros), frutas (14,1%), refeição fora de casa (2,38%), lanche fora (4,35%), leite longa vida (8,43%) e pão francês (6,46%). Outras despesas Outros grupos de despesas que tiveram impacto importante na inflação do ano passado foram habitação (4,72%) e transportes (4,19%). Entre os itens de transporte que ficaram mais caros estão passagem aérea (16,92%), gasolina (7,24%) e ônibus urbano (6,32%). Já entre os gastos com habitação, o principal impacto no aumento do custo de vida veio da energia elétrica (8,7%). Entre os nove grupos de despesa pesquisados, apenas comunicação teve deflação (-0,09%). Os demais grupos tiveram os seguintes índices de inflação: artigos de residência (3,74%), saúde e cuidados pessoais (3,95%), educação (5,32%), despesas pessoais (2,98%) e vestuário (0,61%). Dezembro Em dezembro, o IPCA registrou taxa de inflação de 0,15%. No mês, os alimentos também foram os principais responsáveis pela alta de preços, com uma inflação de 0,44%. Os transportes e os gastos com habitação, por outro lado, evitaram uma alta maior do IPCA no mês, ao acusarem deflação de 0,54% e 0,15%, respectivamente. Capitais Entre as regiões metropolitanas e capitais pesquisadas pelo IBGE, Porto Alegre foi a que acumulou maior inflação em 2018 (4,62%), seguida por Rio de Janeiro (4,3%), Vitória (4,19%) Salvador (4,04%) e Belo Horizonte (4%), todas acima da média nacional. As menores taxas de inflação foram observadas em Aracaju (2,64%), São Luís (2,65%), Recife (2,84%), Fortaleza (2,9%) e Campo Grande (2,98%). (ABr)
08/01/2019

Produção industrial tem 1º alta mensal em novembro após 4 quedas seguidas

0,1%

Produção industrial tem 1º alta mensal em novembro após 4 quedas seguidas

A alta registrada de 0,1% é o pior resultado para o mês de novembro desde 2015

A produção industrial brasileira cresceu 0,1% no país de outubro para novembro, segundo dados da Pesquisa Industrial Mensal divulgados hoje (8) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Rio de Janeiro. A alta, ainda que pequena, interrompeu quatro meses seguidos de quedas, período em que acumulou uma perda de 2,8%. Em relação a novembro de 2018, no entanto, a produção industrial teve queda de 0,9%. Na média móvel trimestral, também foi observado recuo (-0,6%). A indústria acumula altas de 1,5% nos 11 primeiros meses do ano de 2018 e 1,8% no período de 12 meses. Na comparação de novembro com outubro, foram observadas quedas de 2,7% nos bens de capital (máquinas e equipamentos) e de 3,4% nos bens de consumo duráveis. Já os bens intermediários (insumos industrializados usados no setor produtivo) tiveram alta de 0,7% no período. Os bens de consumo semi e não duráveis não tiveram variação no volume produzido. Alimentos Apenas dez dos 26 ramos industriais tiveram crescimento de outubro para novembro, com destaque para os alimentos, que avançaram 5,9%, produtos farmoquímicos e farmacêuticos (7,1%) e coque, produtos derivados de petróleo e biocombustíveis (0,5%). Entre os 16 ramos industriais em queda, os maiores recuos foram observados nos veículos automotores e carrocerias (-4,2%), máquinas e equipamentos (-3,2%), produtos diversos (-13,3%), outros produtos químicos (-2,0%) e indústrias extrativas (-0,6%). “Mesmo com esse resultado positivo, o que chama atenção é que há uma predominância de taxas negativas quando a gente observa as atividades. Somente dez das 26 atividades assinalam resultados positivos, o que dá uma ideia de que muito desse crescimento observado tem uma relação com alguns poucos setores. O que dá um entendimento de que esse momento recente do setor industrial é bem caracterizado por uma menor intensidade em seu ritmo produtivo”, disse o pesquisador do IBGE André Macedo. (ABr)
28/12/2018

Taxa de desemprego registra leve recuo no trimestre encerrado em novembro

Mercado de trabalho

Taxa de desemprego registra leve recuo no trimestre encerrado em novembro

Mesmo com queda, desemprego ainda atinge 12,2 milhões de brasileiros

A taxa de desemprego registrou um leve recuo no trimestre encerrado em novembro deste ano. De acordo com dados divulgados nesta sexta (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a queda foi de 0,5%, passando de 12,1% — registrado no trimestre encerrado em agosto — para 11,6%. No mesmo período do ano passado, a taxa de desemprego registrada foi de 12% — 0,4% maior que o resultado deste ano. Mesmo assim, o número de brasileiros afetados pelo desemprego ainda é grande: 12,2 milhões. A leve melhora entre o trimestre encerrado em novembro e o encerrado em agosto, além da queda do desemprego que vem sendo registrada desde o ano passado, é motivada pelo crescimento dos empregos informais, impulsionado pela redução dos postos com carteira de trabalho assinada. Os trabalhadores sem carteira assinada agora somam 11,6 milhões, alta de 4,5% (498 mil pessoas) em relação ao trimestre encerrado em agosto. Já os autônomos sem funcionários somam 23,8 milhões de pessoas, alta de 2,3% ou 528 mil novas a mais nessa situação. O volume de pessoas empregadas no país foi recorde desde o início da série histórica. O contingente de ocupados no país — ou seja, aquelas pessoas que estão de fato trabalhando, informalmente ou não — atingiu 93,1 milhões de pessoas no trimestre encerrado em novembro, , alta de 1,1 milhão de pessoas frente ao trimestre imediatamente anterior. (Com informações da FolhaPress)
09/12/2018

O que a imprensa não fala sobre a pobreza

Tiago de Vasconcelos

O que a imprensa não fala sobre a pobreza

O ritmo de crescimento da pobreza é o menor dos últimos 4 anos no Brasil, mas com base nas manchetes da imprensa, você não sabia disso. E mais: a pobreza mundial é a menor da História. Vivemos o melhor momento da humanidade. Quem consumiu qualquer jornal produzido pelo grupo Globo (na TV, impresso, rádio ou internet) na última quarta-feira (5/dez) ficou sabendo que “no Brasil, 15,2 milhões vivem abaixo da linha da extrema pobreza, diz IBGE” ou “em 1 ano, aumenta em quase 2 milhões número de brasileiros em situação de pobreza, diz IBGE”. Isso se espalhou pelas dezenas de veículos do conglomerado de comunicação repetidamente, durante todo o dia, e se entranhou na mídia em geral. Do Globo Rural à Bloomberg e à agência AFP, todos seguiram a mesma narrativa: a pobreza no Brasil se alastra. A blitz do noticiário não permitiu conclusão diferente: o país vive um dos piores momentos. Isso é falso. Os números são reais, mas a informação é incompleta. Na comparação de resultados do IBGE entre 2016 e 2017 houve um aumento de 0,8% na proporção de pessoas no Brasil que vivem em situação de pobreza (de 25,7% para 26,5%). Mas o fato mais relevante a ser extraído dos resultados do IBGE sobre a pobreza em 2017 deveria ser que o ritmo de crescimento é o menor desde 2014. Além do mais, o valor é o mesmo do ano de 2011. A notícia deveria ser positiva. Atualmente, o ritmo de crescimento da miséria é cerca de 20% daquele de 2015, auge da tragédia petista (ver gráfico 2). Nós jornalistas parecemos não gostar de admitir, mas o governo Temer freou consideravelmente o alastramento da pobreza e essa situação está quase revertida. Na matéria de 2017 sobre o estudo anual do IBGE, a Folha de S.Paulo mostrou que desde 2003 o Brasil assistiu a uma queda constante (sempre, segundo dados do IBGE) na proporção da população que vivia abaixo da “linha da pobreza”; limite definido pelo Banco Mundial – em 1992 e revisto em 2015 – do valor em dólar que um ser humano precisa para sobreviver, por dia. Teve até gráfico (acima). Mas a matéria da Folha deste ano não menciona os resultados dos anos de 2013, 2014 e 2015, assim como o release oficial do IBGE, que 100% dos veículos reproduziram. Não houve atualização do gráfico. Aliás, nem sequer um veículo que noticiou essa “novidade” menciona a evolução do quadro desde os últimos anos de governo do PT e o tamanho do desastre deixado de herança por Dilma e cia. Dados do IBGE (acima) demonstram que o Brasil cortou o ritmo do avanço da linha da pobreza. Em 2003, primeiro ano do governo Lula, a proporção era de 45,8%. A queda foi constante até atingir 20,4% há quatro anos, um recorde no histórico no levantamento. No entanto, desde 2014, os resultados têm piorado de forma assustadora. Em 2015 a taxa pulou para 22,1%. Em 2016, para 25,7%; o mais grave crescimento de todos os tempos, com 3,6 pontos percentuais. Mas desde o impeachment essa explosão de pobreza diminuiu de intensidade; o último levantamento mostra 0,8 ponto de aumento e isso ainda não contabiliza o ano de 2018. Para entender a história completa, é preciso destrinchar a metodologia por trás das conclusões do IBGE. Anualmente o instituto produz a Síntese de Indicadores Sociais (SIS) que, segundo o próprio IBGE, “reúne múltiplas informações sobre as condições de vida da população brasileira, acompanhadas de comentários”. A SIS tem base nos resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, o PNAD População. É importante destacar que a amostra do PNAD é de 1.000 domicílios, universo de entrevistados menor que muitas das pesquisas eleitorais do segundo turno. Em contraste, o próprio IBGE projeta o total da população brasileira em 209,2 milhões. Também vale destacar que os “comentários” de analistas que acompanham o levantamento estatístico são os responsáveis por guiar a interpretação da SIS e consequentemente da assessoria de imprensa do instituo acerca da pesquisa, a responsável por pautar a imprensa brasileira e estrangeira. A boa notícia: é a melhor época da Humanidade As matérias não refletem, mas os resultados do IBGE dos últimos anos são positivos e animadores. É possível perceber que o país exibiu desenvolvimento estável e maduro suficiente para arrumar a casa para superar crises. Outra pesquisa que também demonstra isso, do instituto Insper em conjunto com a Oliver Wyman publicado este ano, estudou a evolução de um conjunto de indicadores socioeconômicos no Brasil. E não há más notícias (veja abaixo): Desde meados da década de 90, todos os principais indicadores sociais e econômicos do Brasil evoluíram de forma impressionante. Vale ressaltar a média de anos de escolaridade de brasileiros com mais de 25 anos, que dobrou desde 1990 de 4 para 8 anos, o aumento da expectativa de vida, que pulou de 67 para 75 anos em duas décadas e também o avanço de 173% no valor do salário mínimo. O Insper/OW compilou dados do Banco Central do Brasil, World Development Indicators, Banco Mundial; Total Economy Database, The Conference Board, IBGE e IPEA. Além do Brasil, a notícia é boa para todo o planeta. Em abril deste ano, o psicólogo e acadêmico Steven Pinker proferiu palestra num evento TED (disponível com legendas em português), onde demonstra que o mundo nunca esteve tão bem. Os números de homicídios, o volume de pobreza e até a taxa de poluição nunca estiveram tão baixos. A quantidade de guerras é a menor da História e até os atos de terrorismo diminuíram nos últimos 30 anos. Enquanto isso, liberdades pessoais e políticas cresceram, além de haver progresso unânime em questões tangíveis como expectativa de vida, mortalidade infantil, renda e acesso a saúde, segurança e educação. Problemas ainda existem, claro. Mas das Américas à Europa e por toda a África e Ásia o progresso da raça humana no último século é inegável.   No seu estudo, o professor Pinker defende que houve e há progresso. Ele definiu variáveis que podem ser medidas para indicar se de fato o mundo está melhor em relação ao passado. São oito: Vida, Saúde, Sustância, Prosperidade, Paz, Liberdade, Segurança, Conhecimento, Lazer e Felicidade. Se existiu crescimento aferível dessas variáveis, houve progresso. Ele compilou estudos de várias décadas (e até séculos) sobre esses aspectos e o resultado não poderia ser melhor. Em todos os quesitos os seres humanos estão melhores. Até “atos de Deus”, como relâmpagos, matam menos pessoas nos dias de hoje. Mais de 90% da população mundial abaixo dos 25 anos, por exemplo, sabe ler e escrever, segundo o Our World in Data. Os resultados nunca foram tão positivos. Mas essa não é a sensação comum do telespectador de jornal ou usuário de internet. O problema é o humor da imprensa Paralelamente, segundo Steven Pinker, a percepção da imprensa sobre os acontecimentos mundiais vem piorando cada vez mais desde o início do século passado. De acordo com o Cultureconomics 2.0 – estudo que fez uma tabulação das emoções de palavras nas reportagens de todo o mundo –, durante as décadas em que a humanidade se tornou mais saudável, mais rica, sábia, segura e feliz, “os noticiários mundiais em geral se tornaram cada vez mais melancólicos e o New York Times, por exemplo, se tornou cada vez mais taciturno”, diz. A pesquisa usa milhares de fontes, incluindo acervos dos principais jornais do mundo, como o NYT, para atribuir valores emocionais positivos ou negativos às informações. O levantamento inclui o Summary of World Broadcasts (SWB), banco de dados criado na Segunda Guerra pela rede inglesa BBC para monitorar a imprensa mundial, e o Foreign Broadcast Information Service (FBIS), iniciativa da agência de inteligência americana CIA de 1941 com o mesmo propósito dos ingleses. O SWB monitorou os veículos de imprensa em mais de 100 países até 1997, e o FBIS se transformou em 2005 no Open Source Center (OSC), a principal fonte aberta de informações de inteligência estratégica, sob a supervisão da CIA. O software que realiza a tabulação utilizado pelo autor do estudo, Kaleev Leetaru, destrinchou entre 10 mil e 100 mil artigos desses bancos de dados por dia entre 1º de janeiro de 2006 e 31 de maio de 2011 para atribuir o valor das emoções das manchetes e notícias da imprensa. O gráfico (abaixo) com os resultados delineia a tendência: o humor da imprensa só piora. Há uma desconexão de humor e também de interpretação. Nos últimos anos repórteres e acadêmicos da Grã-Bretanha não compreenderam o Brexit; o mesmo aconteceu com a eleição de Donald Trump nos EUA. Este ano foi a vez dos jornalistas brasileiros estarem “chocados” com a eleição presidencial. Mas o pior de tudo é que nos três países a imprensa não foi capaz de prever movimentos políticos amplos, populares e majoritários. A reação desses setores à própria incapacidade de manter o dedo no pulso da sociedade tem sido diversa; resistência, indignação, militância. Sinal de que é provável que essa massa majoritária continue a se afastar dos meios de comunicação tradicionais.   Tiago de Vasconcelos é Diretor de Redação do Diário do Poder