Perdas irreparáveis

escombros

Serão avaliadas ações emergenciais para resgatar peças que estão nos escombros e para resguardar acervo que sobreviveu
14/09/2018

Museu Nacional recebe visita de integrantes da missão da Unesco

Perdas irreparáveis

Museu Nacional recebe visita de integrantes da missão da Unesco

Serão avaliadas ações emergenciais para resgatar peças que estão nos escombros e para resguardar acervo que sobreviveu

O Museu Nacional, no Rio de Janeiro, recebeu nesta quinta (13) a primeira visita dos integrantes da missão da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Até a próxima semana, serão avaliadas ações emergenciais necessárias para resgatar peças que estão nos escombros e para resguardar o acervo que tenha sobrevivido ao incêndio de grandes proporções que tomou conta do edifício no dia 2 de setembro. O diretor do Museu Nacional, o paleontólogo Alexander Kellner, explicou que, antes da visita ao edifício incendiado, ocorreu uma primeira reunião de orientação geral entre a missão da Unesco e a diretoria da instituição. Algumas medidas concretas já foram discutidas. “Entre outras coisas, está se pensando em cobrir parte de uma área do acervo para proteger da chuva. É uma situação que está sendo conversada. Entendam que estamos todos muito no início ainda e nós vamos estabelecendo os protocolos corretos de trabalho daqui para frente”, disse. Kellner destacou ainda que, apesar do incêndio, a instituição permanece ativa e funcionando regularmente nos edifícios não atingidos. “O Museu Nacional vive. As pesquisas continuam, as aulas prosseguem, estamos nos adequando a toda essa situação”. Uma campanha com o slogan Museu Nacional Vive foi desencadeada nos últimos dias com adesivos e com interações nas redes sociais. Programa da Síria A chefe da missão é a italiana Cristina Menegazzi, que desde 2014 comanda o Programa de Salvaguarda de Emergência do Patrimônio Cultural Sírio, no escritório da Unesco em Beirute, no Líbano. Ela está sendo acompanhado por José Luiz Perdessoli Junior, gestor de projetos de conservação de coleções do Centro Internacional de Estudos para a Conservação e Restauração de Bens Culturais (Iccrom), sediado em Roma, na Itália. Nenhum dos dois deu declarações à imprensa. Segundo a Unesco, pronunciamentos públicos só devem ocorrer na próxima semana, porque os dois, inicialmente, estão consultando as autoridades e tomando conhecimento da situação. A agenda de amanhã não foi divulgada, mas o diretor do Museu Nacional informou que a ideia é que sejam apresentados os protocolos de preservação e recuperação do acervo em vigor na instituição. O diretor disse também que questões ligadas a recursos não foram tratadas hoje. “A última coisa que estou preocupado é com dinheiro da Unesco. Felizmente, a Unesco tem muito mais a nos aportar, não só em termos de suporte internacional, como também de conhecimento e de como nós podemos tratar dessa situação”. Falta de segurança De acordo com Alexander Kellner, os trabalhos mais intensivos de busca do acervo sob os escombros só poderão ocorrer depois que o prédio oferecer segurança. Ele reconheceu a dificuldade de se garantir essa segurança com rapidez. Há preocupações com a estrutura e a cobertura e existem riscos de desabamento de partes do edifício. Desde terça-feira, tapumes estão sendo instalados no entorno do museu. Kellner não quis comentar a medida provisória assinada pelo presidente Michel Temer que criou a Agência Brasileira de Museus (Abram). A nova estrutura deverá assumir a responsabilidade da reconstrução do Museu Nacional e da gestão de 27 museus em todo o país. A medida gerou críticas de servidores do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) e do Sebrae, que entrou com mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal pelo fato de a nova instituição concorrer com os recursos das demais serviços sociais autônomos. “O que precisamos ter nesse momento é serenidade. Tenho recorrido à analogia de uma mina que implode e deixa gente presa lá dentro. Qual deve ser o foco dos esforços? Em retirar as pessoas de lá ou em rediscutir o Código de Mineração? Então, por parte do Museu Nacional, não tivemos condições de analisar. Respeitosamente, não é a nossa prioridade. Nossa preocupação agora é com as ações necessárias para que possamos resgatar a maior parte possível do acervo”, disse o diretor. (ABr)
04/09/2018

Bombeiros encontram crânio entre os escombros do Museu Nacional

Tragédia

Bombeiros encontram crânio entre os escombros do Museu Nacional

Especialistas vão analisar o item para descobrir se é o crânio de Luzia, o fóssil mais antigo encontrado na América

Os bombeiros encontraram um crânio em meio aos escombros do Museu Nacional, na manhã desta terça (4). Especialistas vão analisar o item para descobrir se o crânio é de Luzia, o fóssil mais antigo já descoberto na América. O Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, zona Norte do Rio de Janeiro, foi destruído por um incêndio que começou por volta das 19h30 deste domingo (2) e só foi controlado pelo Corpo de Bombeiros seis horas depois, às 3h da manhã desta segunda (3). Na madrugada desta terça, a chuva ajudou a apagar alguns focos de incêndio, que insistem em continuar a aparecer. A Defesa Civil esteve no local nesta segunda e constatou que existe a possibilidade de desabamento de partes remanescentes da laje, parte do telhado e paredes dentro do prédio. No entanto, a fachada do palecete que já foi residência da família imperial brasileira não corre o risco de desabar. O Museu Nacional, inaugurado por Dom João VI, completou 200 anos neste ano e tinha um acervo de mais de 20 milhões de peças. Entre elas estavam itens importantes como o fóssil de Luzia, o primeiro dinossauro montado no país e o maior meteorito já encontrado no Brasil. Segundo funcionários da instituição, apenas 10% do acervo não foi destruído pelas chamas. Nesta segunda, a Polícia Federal abriu um inquérito para investigar as causas que levaram ao incêndio. Por ser vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), um órgão federal, as investigações e a perícia são de responsabilidade da PF.
03/09/2018

Funcionários entram no Museu Nacional em busca de peças do acervo

Museu

Funcionários entram no Museu Nacional em busca de peças do acervo

Eles entraram pela porta principal, acompanhados por soldados do Corpo de Bombeiros

Um grupo de aproximadamente 15 funcionários do Museu Nacional entrou no prédio, às 15h de hoje (3), em busca de objetos e peças do acervo que possam ter escapado às chamas. Eles entraram pela porta principal, acompanhados por soldados do Corpo de Bombeiros. Os funcionários removeram cuidadosamente restos de escombros, como pedaços de madeiras, telhas e mesmo vigas metálicas, na esperança de encontrar algum objeto de valor histórico. Normalmente, o trabalho de rescaldo é feito apenas pelos bombeiros, mas como se tratam de peças antigas, é necessário acompanhamento dos especialistas, para distinguir um simples resto de escombro de um artigo valioso. Munidos com martelos, pás e enxadas e usando apenas capacete, sem luvas, os funcionários trazem para fora as peças que encontram, colocando as menores dentro de caixas plásticas. Algumas rochas da Coleção Werner, que ficavam próximas à saída, foram retiradas, inclusive rochas pesadas, carregadas nos ombros. Uma das primeiras peças retiradas foi um grande quadro, ainda emoldurado, carregado por quatro funcionários. O trabalho é lento e minucioso, pois muitas peças ainda podem estar em condições de recuperação, abaixo de toneladas de madeiras queimadas e telhas de barro. Os três andares do museu desabaram um por cima do outro até o chão. Apenas bombeiros e funcionários do museu podem ingressar dentro do prédio. Os jornalistas e demais pessoas ficam a cerca de 20 metros de distância, por questão de segurança. Entre as peças mais raras, estão as múmias egípcias, compradas pelo Brasil por Dom Pedro I, e o crânio de Luzia, o mais antigo fóssil humano encontrado no país, com cerca de 12 mil anos. A busca dos funcionários, entretanto, durou apenas 15 minutos. Agentes da Polícia Federal pediram para eles se retirassem para dar início às investigações sobre as causas do incêndio. (ABr)
04/05/2018

Bombeiros encontram primeiro corpo nos escombros, em São Paulo

Tragédia em SP

Bombeiros encontram primeiro corpo nos escombros, em São Paulo

Prédio invadido por sem-teto desabou após incêndio, na terça

As equipes do Corpo de Bombeiros localizaram no final da manhã de hoje (4) a primeira vítima nos escombros do edifício Wilton Paes de Almeida, que desabou após um incêndio na madrugada da ultima terça-feira (1º). Parte do corpo da vitima está soterrada no local identificado como setor 1, local em que as equipes de resgate concentram as buscas manuais pela queda do morador conhecido como Ricardo, que caiu quando tentava ser resgatado.  Ontem por volta das 14 horas, a cadela Vasty identificou um sinal de vítima neste setor. As equipes de Buscas e Resgate em Estruturas Colapsadas (BREC) investiram na retirada dos escombros e as equipes encontraram a primeira vítima fatal. Durante a madrugada, 5 máquinas auxiliaram na retirada dos escombros. Os entulhos do prédio que desabou formam uma montanha de 15 metros de altura. Uma equipe com mais de 40 homens trabalharam na madrugada, quando atingiram escombros habitados por moradores, já que começaram a ser encontradas roupas dos moradores e botijões de gás. Incêndio O incêndio que causou o desabamento do edifício Wilton Paes de Almeida, na última terça-feira (1º), foi causado por um curto-circuito em uma tomada de um cômodo no quinto andar. O espaço era ocupado por uma família de quatro pessoas. Segundo o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Mágino Alves Barbosa Filho, o pai e uma criança ficaram feridos com queimaduras graves. “O incêndio começou no quinto andar, em um cômodo que era ocupado por uma famílias, quatro pessoas, duas dessas pessoas sofreram ferimentos e foram levadas para o hospital. Uma para a Santa Casa e outra para o Hospital das Clínicas”, disse. O estado da criança, que tem 3 anos de idade, é grave. Ela foi socorrida pelo pai, que está com dois terços do corpo queimados. “Mas está em uma situação aparentemente melhor que a da criança”, informou o secretário. De acordo com Barbosa Filho, três aparelhos estavam ligados na tomada onde ocorreu o curto-circuito: um micro-ondas, uma geladeira e uma televisão. “Não foi uma briga de casal [como chegou a ser cogitado inicialmente], o que aconteceu foi a fatalidade, em um prédio que tinha diversas irregularidades, essa tomada ligava três aparelhos, terminou vitimando a família que ocupava esse cômodo”. O secretário disse que a mãe, que foi ouvida pela polícia, conseguiu salvar o outro filho, um bebê. (ABr)