Tendência Mundial

Economia Compartilhada

O ir e vir mudou e trouxe diferentes alternativas que facilitam a vida das pessoas
31/01/2019

Economia compartilhada transforma a mobilidade humana

Tendência Mundial

Economia compartilhada transforma a mobilidade humana

O ir e vir mudou e trouxe diferentes alternativas que facilitam a vida das pessoas

Você pode até não saber, mas provavelmente faz uso da economia compartilhada praticamente todos os dias. Essa tendência mundial, que vem ganhando cada vez mais espaço na rotina das pessoas, sobretudo nos centros urbanos, sugere uma nova forma de consumir serviços e produtos. Afinal, não faz mais sentido alugar filmes ou comprar CDs, uma vez que é possível ter acesso a esse tipo de conteúdo online, certo? A realidade mudou porque o comportamento do consumidor mudou. Antes, “o sonho da casa própria” era um sinônimo de sucesso perseguido por grande parte das pessoas. Hoje, a tendência é o desapego de bens materiais. Ser uma pessoa bem-sucedida é investir o dinheiro em viagens e experiências. Prova disso é um estudo da Universidade de Harvard, que apontou uma queda de 12% na taxa de compra de imóveis entre adultos com menos de 35 anos, no período de 2006 a 2011. Um novo modelo de negócios A crise americana de 2008 revelou que o modo de consumo com o qual o mundo estava acostumado já não era mais viável. Isso porque a recessão global e o aumento da preocupação com questões ambientais expuseram feridas em relação à forma de se obter produtos e pagar por serviços — evidenciando um alto desperdício de tempo, dinheiro e recursos materiais. Além disso, os avanços tecnológicos e as redes sociais, responsáveis por ampliar o conceito de comunidade, possibilitaram a criação de aplicativos com dinâmicas efetivas de recomendações e compartilhamento de recursos humanos, físicos ou intelectuais, categorizando pessoas (seja consumidores ou fornecedores) e mercadorias com base na experiência, que passa a ser o foco dessa nova maneira de se consumir. A partir daí, utilizando sistemas e plataformas digitais, diversas empresas conseguiram aproveitar oportunidades de oferecer a seus clientes maneiras mais acessíveis e democráticas de obter o que eles desejam, adaptando seus modelos de negócios à essa nova realidade: sustentável e escalável — criando, inclusive, uma ampliação de market share. Exemplo disso é a Airbnb, considerada hoje a maior rede hoteleira do mundo e, no entanto, não possui, de fato, nem um único hotel. Mobilidade humana, sustentabilidade e economia compartilhada Essa nova era econômica trouxe impactos positivos em diversos setores, e a mobilidade é, com certeza, um dos que mais evoluiu nos últimos anos. A Uber é um baita exemplo de como o modelo de negócios compartilhado colaborou com o deslocamento de milhões de pessoas em todo o mundo. Vamos pensar na relação usuário/proprietário: quando alguém opta por comprar um carro, podemos dizer que essa pessoa está adquirindo um bem. No entanto, o custo com esse bem não para por aí, já que, no momento em que sai da concessionária, o veículo sofre grande desvalorização — sem falar nos custos de manutenção e impostos e demais gastos com gasolina, estacionamento… Em contrapartida, quando a pessoa abre mão de ser dona do carro e opta por ser apenas usuária de um carro, as despesas citadas não entram na conta, bem como as possíveis dores de cabeça causadas por um problema mecânico. O planeta também agradece essa nova consciência em relação ao consumo! Afinal, se a demanda diminui, a produção também cai e, consequentemente, há menos desperdício de recursos e queda na liberação de gases poluentes e resíduos expelidos pelas indústrias na fabricação de peças e materiais. Isto é: menos poluição e aquecimento — que também interferem na saúde da população. Ainda nesse contexto, de acordo com esse estudo, carros privados ficam parados cerca de 95% do tempo e é por isso que, especialmente entre os millenials, serviços de carona compartilhada têm crescido. Os impactos no ir e vir Apesar de o número de carros da Uber e de outras empresas de caronas compartilhadas ser grande, esses serviços tendem a diminuir a quantidade de automóveis nas ruas. Entretanto, quando falamos em economia compartilhada e mobilidade, o destaque fica por conta do incentivo a meios de transporte alternativos, como bicicletas e patinetes, que tomaram conta das ruas paulistanas nos últimos meses. Com iniciativas de empresas privadas como Yellow e Grin, os cidadãos ganharam uma forma acessível e fácil de se deslocar pela cidade. Dessa forma, é possível perceber que a mobilidade é, sobretudo, uma questão humana, já que é o ser humano quem se desloca, utiliza meios de transportes e é responsável pelas inovações e pelo desenvolvimento de alternativas que melhoram o ir e vir. Uma mobilidade humana mais inteligente e segura aprimora as relações sociais e as interações entre os indivíduos e o espaço urbano.
08/11/2018

A economia compartilhada revela como ainda precisamos evoluir individualmente

Tecnologia X Fator humano

A economia compartilhada revela como ainda precisamos evoluir individualmente

Objetivo é mostrar como é possível compartilhar recursos, serviços e produtos em geral

Além das milhares de bicicletas já disponíveis para uso compartilhado na cidade de São Paulo, mais 100 mil bikes serão viabilizadas em cidades de todo o Brasil até 2020. É o que promete a Yellow, startup criada por Ariel Lambrecht e Renato Freitas, criadores da 99, e Eduardo Musa, ex-CEO da Caloi. O trio pegou carona na onda da Economia Compartilhada, que torna possível a partilha de recursos, serviços e produtos, e recebeu investimento de aproximadamente US$ 63 milhões em um aplicativo de compartilhamento de bicicletas  e, recentemente, de patinetes também. Como já é de conhecimento geral, seu funcionamento é simples: basta verificar, por meio do app, se há bikes disponíveis para uso nas imediações e, caso haja, ir a uma delas e destravá-la fotografando um QR Code. Além de acessível, ambos os veículos podem ser usados por menos de R$ 4, o diferencial do serviço é a praticidade: não é preciso retirar as bicicletas em uma estação determinada, muito menos devolvê-las em um ponto específico. Elas podem ser achadas e deixadas nos lugares delimitados pela empresa, indicados no aplicativo, contanto que sejam bloqueadas após o uso, também via app. No caso dos patinetes, como ainda não há regulamentação que permita que eles sejam deixados em qualquer lugar, é preciso devolvê-los em uma estação pré-estabelecida. A ideia é ousada, mas se mostrou totalmente possível em lugares como a China e os EUA, por exemplo, que vêm usando outros meios de transporte com esse conceito compartilhado – como é o caso dos patinetes. No entanto, apesar de servir para facilitar a vida das pessoas, a tendência tem trazido alguns problemas justamente no quesito a que se propõe a resolver: mobilidade. Em São Francisco, o Departamento de Obras Públicas da cidade apreendeu dezenas de scooters (patinetes motorizados) que estavam obstruindo a passagem de pedestres nas calçadas e bloqueando trechos das ruas, pois haviam sido “largados” pelas pessoas que os utilizaram. As empresas responsáveis pelos equipamentos estão sendo multadas e prometeram buscar soluções para resolver o problema, que anda incomodando boa parte dos cidadãos, principalmente idosos e pessoas com mobilidade reduzida, que exigem regulamentação do serviço e medidas mais rígidas por parte da prefeitura para a implementação do mesmo. Fica evidente, nesse caso, que o principal impasse está no fator humano. As pessoas querem um meio de transporte ágil e barato, mas talvez ainda não estejam preparadas para fazer um bom uso dele. Em outras palavras, querem, sim, fazer uso de uma Economia Compartilhada, mas não se mostram dispostas a, de fato, dividir de maneira consciente e empática o espaço público com os demais agentes que formam a mobilidade urbana – que, nesse caso, deveria ser humana. Essa problemática traz à tona diferentes questões sobre os motivos e as consequências que envolvem o mind-set coletivo em relação ao “ir e vir”. E nesse contexto, é preciso que diferentes âmbitos – acadêmico, legislativo, judicial e até mesmo cultural – ajam em conjunto, com abordagens variadas, para que possamos evoluir e extrair o melhor que a evolução tecnológica pode proporcionar, coletiva e individualmente. Caso contrário, ela não será tão útil como se propõe a ser.