Entrevista

Distrito Federal

Futuro secretário de Ibaneis aposta em bom começo do ano letivo
13/12/2018

Rafael Parente busca valorização, motivação e tecnologia para a educação do DF

Entrevista

Rafael Parente busca valorização, motivação e tecnologia para a educação do DF

Futuro secretário de Ibaneis aposta em bom começo do ano letivo

Em menos de um mês, Rafael Parente irá assumir a Secretaria de Educação do Distrito Federal, a convite do governador eleito Ibaneis Rocha (MDB). Ao Diário do Poder, o PhD em educação pela Universidade de Nova York (NYU, na sigla em inglês) disse que espera começar bem o ano letivo de 2019. O sentimento é de otimismo: “a gente já tem uma rede qualificada, muitos programas e ações acontecendo nas escolas, mas com pouca visibilidade. Vamos seguir a linha da valorização, motivação”, afirma o futuro secretário. Os últimos anos foram difíceis para a educação da capital: no ano passado, estudantes da rede pública de ensino passaram 29 dias fora das salas de aula por causa da greve de professores, que reivindicavam reajuste salarial e o pagamento da última parcela do aumento aprovado em 2013. Um relatório do Tribunal de Contas do DF (TCDF) trata de outra preocupação na rede pública de educação: de cada dez escolas na capital, pelo menos nove precisam de reformas médias ou grandes. Mesmo assim, no primeiro trimestre deste ano, o GDF empenhou para reparos nas escolas apenas 6% do orçamento prevista para a educação, de acordo com o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). Em 2015, uma auditoria do TCDF apontava problemas graves no transporte escolar oferecido aos alunos da capital. Os auditores do tribunal visitaram as escolas: 32,7% dos diretores entrevistados disseram que os alunos têm atrasos constantes por causa do transporte. Em 36,8% dos casos analisados, o atraso causou perda no conteúdo e na carga horária. O orçamento que estará disponível para o ano que vem é um ponto importante para que esses e outros problemas sejam trabalhados. Questionado sobre o orçamento, Parente afirma a preocupação do governo como um todo, não somente da pasta que irá chefiar. A gestão de Rollemberg já afirmou que não conseguirá fechar o mandato com as contas em dias. As previsões do GDF apontam déficit de R$ 600 milhões. “É uma preocupação, com certeza. Mas eu sei que o Ibaneis Rocha e os secretários estão em meio de articulações para conseguir aumentar as verbas. Eu também estou fazendo o que eu posso”, disse o futuro secretário. Parente fala ainda sobre uma análise mais profunda em relação aos dados apresentados sobre a educação, como os relacionados à infraestrutura das unidades de ensino da capital. “Às vezes existem escolas em piores condições que não foram condenadas.” Para ele, faltam dados que tratem de políticas públicas que funcionam ou não na educação pública do DF. “Não se tem metodologias, estruturas de avaliação de aprendizado [para essas políticas].” Tecnologia, uma aliada da educação O futuro secretário de Educação do DF é um grande defensor do uso de tecnologias digitais no ensino. “A gente tem modelos e metodologias hoje que estão completamente ultrapassadas. O professor falando lá na frente, uma aula centrada no professor são métodos que não funcionam mais”, afirma. Nada melhor que a tecnologia para a reformulação do jeito de ensinar as crianças, quem Parente chama de “nativos digitais”. Há anos Parente trabalha aliando tecnologia e aprendizado. Implantado em 2015, uma de suas criações, o Conecturma oferece a professores e alunos uma maneira diferente de apresentar o conteúdo na sala de aula a partir das novas tecnologias e suas ferramentas. O programa de Parente abrange da educação infantil ao 5º ano do ensino fundamental, estando em escolas públicas de 81 municípios em sete estados. O projeto é composto por várias mídias que, apesar de independentes, foram desenvolvidas para oferecer “uma experiência mais completa, imersiva e engajadora” por meio de atividades lúdicas envolvendo conteúdos de matemática e português, tanto por meios digitais quanto por livros didáticos. Respeito à diversidade, autoconhecimento, inclusão são alguns dos outros tópicos que estimulam o desenvolvimento socioemocional dos estudantes. Por possíveis conflitos de interesses, que ainda estão sendo avaliados pelo novo governo, o Conecturma provavelmente não chegará ao Distrito Federal durante a gestão de Ibaneis Rocha. O que não significa que a tecnologia não fará parte dos planos do governo para a educação no Distrito Federal.  Parente afirma, que ainda em 2019, a pasta terá projetos nesta área. “A gente quer ter mais computadores e projetores na sala de aula, quer criar com os professores e alunos uma plataforma digital, em que os conteúdos e games serão criados pelos alunos e professores.” A ideia é trabalhar ainda em conjunto com startups para a criação de aplicativos e conteúdos que contribuam com a educação na capital. Cursos técnicos voltado para o empreendedorismo também estão na pauta: “Brasília não precisa ser a cidade do serviço público”. Novo currículo Aprovada na última terça (4), a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) estabelece conhecimentos, competências e habilidades que se espera de todos os alunos que passam pela educação básica. Com a BNCC, matemática e português terão carga horária obrigatória nos três anos do ensino médio, enquanto os demais conhecimentos poderão ser distribuídos ao longo destes três anos — permitindo que o aluno escolha parte das disciplinas que serão estudadas no ensino médio. As aprendizagens essenciais definidas na nova base curricular estão organizadas por áreas do conhecimento: Linguagens e suas Tecnologias; Matemática e suas Tecnologias; Ciências da Natureza e suas Tecnologias; Ciências Humanas e Sociais Aplicadas. Antes da aprovação da Base Nacional Comum Curricular o Brasil não tinha um currículo obrigatório; a lei previa apenas que as disciplinas de português, matemática, artes, educação física, filosofia e sociologia eram obrigatórias nas escolas. O documento cita algumas possibilidades de “situações pedagógicas mais colaborativas, que se organizem com base nos interesses dos estudantes e favoreçam seu protagonismo”: laboratórios, oficinas, clubes, núcleos de criação artística e de estudos são algumas das sugestões. Parente vê com bons olhos as mudanças propostas pela nova base curricular. Para ele, a o texto privilegia conteúdos essenciais para o aprendizado dos estudantes. O futuro secretário acredita que dificuldades na interpretação de texto e no desenvolvimento de um raciocínio matemático acabam atrapalhando o aprendizado em outras disciplinas. Matemática e português são de fato preocupações dos educadores. De acordo com o Ministério da Educação (MEC), sete a cada dez alunos do 3º ano do ensino médio têm nível insuficiente nas duas disciplinas. Por meio do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) 2017, as etapas da educação básica foram classificadas em níveis de proficiência: os de 0 a 3 são considerados insuficientes; entre 4 e 6 se encontram os estudantes com nível de conhecimento básico; e de 7 até 9, adequado. Tanto o 9º ano do ensino fundamental quanto o 3º ano do ensino médio apresentaram desempenhos classificados como insuficientes. No primeiro, foi registrado o nível 3 de proficiência e, no segundo, o nível 2. O 5º ano do ensino fundamental apresentou um resultado melhor, no nível 4, mas mesmo assim está fora do considerado adequado pelo Ministério da Educação. O futuro secretário do DF acredita que com a implementação da nova base curricular, que deve acontecer até 2020 nas escolas públicas e particulares de todo o Brasil, seja possível conquistar uma equidade educacional no país.
12/12/2018

Lei de Uso e Ocupação do Solo é aprovada pela Câmara Legislativa

Após oito anos

Lei de Uso e Ocupação do Solo é aprovada pela Câmara Legislativa

Entre outras medidas, a LUOS define índices para as edificações urbanas, de acordo com o local

A Lei de Uso e Ocupação do Solo (LUOS) foi aprovada na noite desta terça (11) pela Câmara Legislativa do Distrito Federal, após oito anos do prazo estipulado pelo Plano Diretor de Ordenamento Territorial. O texto, que agora segue para sanção do governador Rodrigo Rollemberg (PSB), foi aprovado com 22 votos a favor e duas ausências — dos distritais Israel Batista (PV) e Julio Cesar (PRB). A matéria foi aprovada após duas suspensões para que deputados, com apoio de técnicos da Casa e do GDF, pudessem discutir modificações sobre as quais ainda não havia acordo entre os parlamentares. Com os debates, duas emendas polêmicas foram aprovadas: a que mantém templos religiosos em setores de comércio e de indústrias; e a que permite que escritórios de advocacia — além dos já autorizados consulados e embaixadas — sejam instalados em casas do Park Way, Lago Norte e Sul. Antes, ainda nesta terça (11), a LUOS passou pelas comissões de Assuntos Fundiários (CAF), de Desenvolvimento Econômico Sustentável, Ciência, Tecnologia, Meio Ambiente e Turismo (CDESCTMAT), de Constituição e Justiça (CCJ) e de Orçamento e Finanças (CEOF), que tiveram que dar pareceres sobre as emendas apresentadas pelos colegiados. Nas regulamentações previstas pela LUOS estão normas urbanísticas como altura, área máxima de construção, taxa de permeabilidade, afastamentos. Com a Luos, as normatizações deixam de ser compostas por diversas legislações, dando lugar a uma lei única, com o objetivo de simplificar as regras que incidem sobre os usos dos terrenos do Distrito Federal. As regiões que ficam fora da LUOS são as tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) — Plano Piloto, Cruzeiro, Candangolândia e Sudoeste —, que continuarão seguindo as regras do Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília (PPCub). Também não serão contempladas pela Lei de Uso e Ocupação do Solo aquelas regiões do DF que não estão totalmente regularizadas, como o Vicente Pires. Em novembro deste ano, o governador eleito Ibaneis Rocha (MDB) chegou a se reunir com os distritais para discutir o andamento da votação da LUOS na Câmara Legislativa. Ibaneis considerava como prioritária para o desenvolvimento econômico e da cidade a aprovação da proposta, a qual considerou “madura para ser votada”. Recentemente, a pauta foi motivo de confusão na Câmara Legislativa. Durante uma audiência pública, uma pancadaria chegou a tomar conta do auditório da Casa. Durante todo o processo de tramitação, a LUOS foi tema de polêmica, atraindo muitas críticas de quem se manifestou contra propostas que poderiam causar impactos ambientais e no trânsito, por exemplo.
06/12/2018

Advogado Everardo Gueiros Filho é anunciado secretário de Cidadania do DF

Governo Ibaneis Rocha

Advogado Everardo Gueiros Filho é anunciado secretário de Cidadania do DF

No governo de Ibaneis Rocha, Cidadania será desvinculada da Secretaria de Justiça

O advogado Everardo Gueiros Filho foi anunciado como futuro secretário de Cidadania, no governo de Ibaneis Rocha (MDB). Na gestão do próximo governador eleito, a pasta de Cidadania será desvinculada da Secretaria de Justiça, como é organizada atualmente. Gueiros se formou em Direito pela Universidade Católica de Pernambuco; é pós-doutor em Ciências Sociais pela Universidade de Buenos Aires, na Argentina. Até maio deste ano, o advogado ocupava o cargo de desembargador do Tribunal Regional Eleitora do Distrito Federal (TRE-DF). Desde 2000, o futuro chefe da Secretaria de Cidadania do DF é sócio de um escritório de advocacia na capital, especializado em direito administrativo, penal e trabalhista. Conheça os outros secretários do governo de Ibaneis Rocha: – Adão Cândido (Cultura); – Aldemário Araújo Coutinho (Desenvolvimento); – Anderson Torres (Segurança Pública); – André Clemente (Fazenda); – Dilson Resende (Agricultura); – Ericka Filippelli (Mulher); – Eumar Novacki (Casa Civil); – Gilvan Máximo (Ciência e Tecnologia); – Gustavo Rocha (Justiça); – Izidio Santos (Obras); – João Pedro Ferraz (Trabalho); – Leandro Cruz (Esporte); – Laerte Bessa (Gabinete de Segurança Institucional); – Léo Bijos (Juventude); – Ludmila Galvão (Procuradoria-Geral); – Mateus Oliveira (Habitação); – Osnei Okumoto (Saúde); – Pedro Rodrigues (Relações Internacionais); – Rafael Parente (Educação); – Ruy Coutinho (Desenvolvimento Econômico); – Sarney Filho (Meio Ambiente); – Vitor Paulo (Relações Institucionais); – Weligton Luiz Moraes (Comunicação).
05/12/2018

Futuro secretário do DF é finalista do Prêmio de Educação da revista Veja

Educação

Futuro secretário do DF é finalista do Prêmio de Educação da revista Veja

Projeto de Rafael Parente se destaca por unir tecnologia e ensino

Rafael Parente, futuro secretário de Educação do Distrito Federal na gestão de Ibaneis Rocha (MDB), é um dos finalistas do Prêmio Veja-se na categoria Educação. Parente é criador do projeto Conecturma, que une tecnologia e ensino. O objetivo do programa implantado em 2015 é oferecer a professores e alunos uma maneira interessante de apresentar o conteúdo na sala de aula. O Conecturma abrange da educação infantil ao 5º ano do ensino fundamental, estando em escolas públicas de 81 municípios em sete estados. Parente vê no modelo de ensino que o país utiliza atualmente um dos motivos para os resultados ruins na educação brasileira. Dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) 2017, divulgados pelo Ministério da Educação em agosto deste ano, apontam que sete de cada dez alunos do 3º ano do ensino médio têm nível insuficiente em português e matemática. A maioria dos alunos do 9º ano do ensino fundamental ainda estão no patamar insuficiente de aprendizado, também de acordo com o sistema de avaliação. O objetivo do projeto é levar métodos mais lúdicos de ensino para crianças de escolas públicas, independentemente do nível de infraestrutura do local. O estado onde o projeto está em mais avançado em implementação é o Goiás; o plano é atingir 100% dos colégios estaduais. Confira mais sobre o projeto: