Ponte entre Rivais

agricultura

Ronaldo Lessa foi elogiado pelo prefeito de Maceió Rui Palmeira e prometeu parceria
14/03/2019

Ex-governador visita adversário de Renan, após se tornar secretário de Renan Filho

Ponte entre Rivais

Ex-governador visita adversário de Renan, após se tornar secretário de Renan Filho

Ronaldo Lessa foi elogiado pelo prefeito de Maceió Rui Palmeira e prometeu parceria

Dois dias depois de tomar posse como secretário de Agricultura do governo de Renan Filho (MDB), o ex-governador de Alagoas Ronaldo Lessa (PDT) visitou ontem (13) o maior rival político da família Calheiros em Alagoas, o prefeito de Maceió (AL), Rui Palmeira (PSDB). A movimentação política incomum foi divulgada hoje (14) pela assessoria do prefeito tucano, que exaltou o trabalho do pedetista na coordenação da bancada federal alagoana, destinando R$ 6 milhões em emendas parlamentares para a capital alagoana, na legislatura passada. O encontro ocorreu na sede da Prefeitura de Maceió, em Jaraguá, quando Rui Palmeira ressaltou a parceria com Lessa, que no ano passado mantinha cargos na administração da capital e no governo estadual e chegou a debater com o prefeito tucano suas chances de disputar o mandato de governador, incentivado pelo PDT a duelar contra a reeleição de Renan Filho. “Estas parcerias são fundamentais para o crescimento do nosso município, principalmente por serem em áreas tão importantes. Pudemos contar com o trabalho de Ronaldo Lessa como parlamentar e, com certeza, vamos continuar contando com ele como titular da Secretária de Estado da Agricultura, Pecuária, Pesca e Aquicultura (Seagri)”, destacou o prefeito Rui Palmeira, que fez campanha contra a reeleição do senador Renan Calheiros (MDB-AL), no ano passado. Ronaldo Lessa retribuiu os elogios, afirmando que, como deputado federal, buscou contribuir com Maceió, e prometendo manter a aliança à frente da Seagri. “Agora como secretário, não vai faltar compromisso para o desenvolvimento da capital alagoana”, afirmou o ex-governador Ronaldo Lessa, que não conseguiu se reeleger para a Câmara Federal, na coligação dos Calheiros. A assessoria do prefeito tucano lembrou que Lessa propôs a destinação de R$ 5 milhões em recursos para a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), que contemplaram atenção básica e o Hospital Universitário. Outros R$ 500 mil foram destinados para a Secretaria Municipal de Esporte, Lazer e Juventude (Semelj) para investir na implantação e modernização de infraestrutura para o esporte educacional, recreativo e de lazer. E R$ 500 mil foram enviados para a Fundação de Ação Cultural (Fmac) e aplicados em projetos de fomento à atividades culturais. Lessa chegou a liderar pesquisas ao Senado em Alagoas, em 2017. O pedetista governou Alagoas de 1999 a 2006. E antes de se eleger para a Câmara dos deputados, em 2014, perdeu três eleições, ao Senado, em 2006; ao governo, em 2010; e à Prefeitura de Maceió, em 2012. O secretário de Esporte de Maceió, Daniel Maia de Mello, participou do encontro. Ele foi o nome indicado por Ronaldo Lessa para o cargo, após aliança com Rui Palmeira em 2016, quando rompeu com Renan Filho para apoiar a reeleição do prefeito tucano. E segue no cargo como indicação pessoal do prefeito, apesar do rompimento com o PDT em 2018.  
06/03/2019

Produtores já pedem saída de ex-governador de Alagoas da pasta da Agricultura

Nomeação eleitoral

Produtores já pedem saída de ex-governador de Alagoas da pasta da Agricultura

Setor vê despreparo em Ronaldo Lessa, na nomeação fruto de acordo eleitoral

Integrantes do setor produtivo do campo reagiram negativamente à nomeação do ex-governador Ronaldo Lessa (PDT) como titular da Secretaria da Agricultura de Alagoas (Seagri). Em grupos do aplicativo WhatsApp, produtores passaram o feriadão de carnaval reclamando que não foram consultados sobre o nome do pedetista e consideraram sua nomeação, há seis dias, um retrocesso para os produtores alagoanos. A falta de conhecimento técnico do escolhido do governador Renan Filho (MDB) para lidar com o setor e o caráter meramente eleitoral da mudança foram os principais problemas citados. “Ele sabe o que é um pé de feijão?”, foi um dos questionamentos daqueles que criticaram o suposto nível de despreparo de Ronaldo Lessa em relação aos conhecimentos técnicos de antigos secretários neste governo que, mesmo assim, passou o último mês sob protestos de 5 mil produtores de leite, contra o atraso milionário de repasses garantidos por Renan Filho, durante a campanha de reeleição. Um dos 150 integrantes do grupo do Movimento União Rural de Alagoas (Mural) considerou absurda a iniciativa de Renan Filho de nomear Ronaldo Lessa como secretário seja do que for, muito menos na Agricultura, onde já teria atrapalhado a classe no estado. “Nos grupos de agronegócio de Alagoas, não teve um cidadão sequer que aprovasse ou tivesse um meio termo ali. Todo mundo foi contra a nomeação, achando um absurdo, que é um tapa na cara da gente. É um retrocesso. Teve o Álvaro Vasconcelos que foi um excelente secretário; teve o [Antônio Dias] Santiago, que era um técnico da Embrapa, respeitado e da área. E agora vem botar o Ronaldo Lessa na secretaria. É uma loucura, isso! Uma falta de respeito com a classe!”, disse o produtor de grande porte, que pediu para não ser identificado. Outros produtores que se manifestaram no grupo também pediram para não identificar os demais integrantes dos grupos de WhatsApp, porque buscarão uma das entidades que os representam para expor a posição a partir de segunda-feira (11). “Vamos fazer uma convocação para se discutir o que fazer. Conversar com o governador e dizer da nossa insatisfação e falar que queremos outro e se possível levarmos o nome de um técnico capaz e com conhecimento político também”, escreveu outro produtor. “Com desprezo nos empurram qualquer coisa pela garganta e ficamos calados”, completou outro. “Precisamos mostrar ao governador que estamos fora, que ele não conta conosco e Renan Filho está começando a mostrar pra que veio. Assim como o pai se eternizar no poder. Outro dia com o tio [Olavo Calheiros, para presidir a Assembleia], agora com Ronaldo. Será que ele conhece um pé de feijão?”, questionou outro produtor, durante o debate ao qual a reportagem teve acesso. Paciência, que passa logo O Diário do Poder apurou que o governador justificou a interlocutores que representam o setor que a nomeação fez parte de um acordo político e pediu paciência, afirmando que Ronaldo Lessa deve durar pouco tempo na pasta. Lessa chegou a liderar pesquisas para senador, em 2017, e foi cotado para disputar o governo. Desistiu de tudo para apoiar as reeleições de Renan Filho e do senador Renan Calheiros (MDB-AL) e foi nomeado porque não se reelegeu para deputado federal. Questionado sobre a reação de produtores e do governador, Ronaldo Lessa disse ao Diário do Poder que segmentos do setor falaram com ele de forma positiva. “Portanto, eu desconheço esse setor que reagiu negativamente, entendeu? E quanto ao governador, também não há tempo determinado para que eu fique na pasta”, respondeu, depois de afirmar que assumirá o cargo com muita disposição de trabalho, cumprindo as prioridades que são do governo. A assessoria do governo de Alagoas foi questionada pela reportagem sobre como o governador lidará com essa reação do setor; se há acordo com o ex-governador para que permaneça pouco tempo no cargo. Não houve respostas até a última atualização desta matéria.
01/03/2019

Ex-governador que perdeu mandato ao apoiar Renan vira secretário em Alagoas

Liderou para senador

Ex-governador que perdeu mandato ao apoiar Renan vira secretário em Alagoas

Ronaldo Lessa chegou a liderar disputa pelo Senado, contra Renan

O ex-governador de Alagoas, Ronaldo Lessa (PDT-AL), foi nomeado ontem para o cargo de secretário estadual de Agricultura, após sacrificar seu mandato na Câmara Federal para apoiar as reeleições dos emedebistas Renan Filho e Renan Calheiros, aos cargos de governador e senador, em 2018. O novo secretário é irmão do presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE/AL), Otávio Lessa. A nomeação é o cumprimento de acordo político firmado por Renan Filho no ano passado, quando Ronaldo Lessa era incentivado a disputar o governo de Alagoas pelo presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, e pelo candidato pedetista a presidente da República, Ciro Gomes, que acabaram cedendo e dando aval para a aliança do ex-governador com o clã Calheiros. Depois de se aliar com o maior rival dos Renans em Alagoas, há dois anos, Ronaldo Lessa chegou a liderar a disputa pelo senado em Alagoas, com dez pontos percentuais à frente de Renan Calheiros, que apareceu listado na terceira posição da pesquisa de intenções de votos do Instituto Paraná Pesquisa, no ano pré-eleitoral de 2017. Lessa foi coordenador da bancada federal de Alagoas no Congresso Nacional e não conseguiu de reeleger como deputado federal, depois de se render à aliança com a coligação de Renan, após a oposição desandar, com a indefinição de qual seria a cabeça da chapa que enfrentaria o favorito Renan Filho, reeleito praticamente sem adversários, com 77% dos votos válidos, em 2018. Cenário de crises A nomeação acontece em meio à crise que ameaça o Programa do Leite de Alagoas e enquanto o governo de Renan Filho se defende das denúncias de ilegalidade no contrato que sangrou R$ 12 milhões dos cofres públicos, sem licitação, sob a gestão de outro pedetista, ainda mantido na presidência da Agência Reguladora de Serviços de Alagoas (Arsal), alvo de denúncias do Ministério Público Estadual. Renan Filho chegou a oferecer cargos de secretários aos deputados federais Nivaldo Albuquerque (PTB-AL) e Marx Beltrão (PSD-AL), com o objetivo de abrir espaço para o ex-governador Ronaldo Lessa assumir a suplência do cargo de deputado federal, em Brasília (DF). Ronaldo Lessa substitui Carlos Henrique de Amorim Soares, na pasta que foi ocupada por quase todo o primeiro mandato de Renan Filho pelo agropecuarista indicado pelo senador Fernando Collor (Pros-AL), Álvaro Vasconcelos, demitido em outubro de 2017, através de um recado por telefone enviado pelo governador por meio de um assessor do governo.  
05/10/2018

Mulheres buscam o espaço delas na cadeia produtiva do café

Agricultura

Mulheres buscam o espaço delas na cadeia produtiva do café

Brasileiras se unem para crescer no mercado e iniciativas buscam o empoderamento de mulheres cafeicultoras

Ele é figura conhecida na mesa dos brasileiros. Servido de manhãzinha, depois da refeição ou no lanche da tarde, o café está sempre presente — coado ou expresso, de acordo com o gosto de cada um. Só entre os brasileiros, no ano passado, foram consumidas 1,07 milhão de toneladas do grão, aumento de 3,3% em comparação a 2016 que colocou o país no segundo lugar de maiores consumidores de café do mundo. Até 2021, a estimativa é de que o consumo da bebida queridinha dos brasileiros cresça para 1,24 milhão de toneladas, como aponta a pesquisa Tendências do Mercado de Cafés em 2017, patrocinada pela Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC). A paixão pelo café é tanta que o grão tem até um dia para ser comemorado. Em 1º de outubro, se comemora o Dia Internacional do Café. A data foi instituída pela Organização Internacional do Café (OIC) há quatro anos com o objetivo de desenvolver o mercado do produto ao redor do mundo. Desde então, todo ano, são organizados eventos em diversos países que reúne desde os produtores até os amantes do café. As comemorações são organizadas ao redor de um tema, instituído também pela OIC. O deste ano debate a participação da mulher na cadeia produtiva do café em todas as regiões do globo. De acordo com um relatório “Igualdade de gênero no setor cafeeiro” divulgado em setembro pela organização, “entre 20% e 30% das fazendas de café são operadas por mulheres e mais de 70% da força de trabalho na produção do café é realizada por mulheres, dependendo da região.” A participação feminina nesse mercado é de extrema importância, aponta o Centro de Comércio Internacional (ITC, na sigla em inglês). Em 2008, o percentual de trabalho exercido pelas mulheres dentro dos processos produtivos nas fazendas de café representava 70%. No entanto, a pesquisa faz um alerta para a igualdade de gênero nesse mercado: as mulheres teriam menos acesso à terras, crédito e informação do que os homens. “Mulheres enfrentam restrições ligadas a questões de gênero no acesso a recursos, o que dificulta a produtividade agrícola e afeta negativamente o bem-estar das família”, apontou a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). O resultado dessa desigualdade está em colheitas e retornos financeiros menores para elas. De acordo com o relatório, em Uganda e na Etiópia, por exemplo, a venda de café é de 39% a 44% menor entre as mulheres dessas regiões. Problemas são apontados ainda no tamanho das terras de propriedade feminina e no nível de estudo na área. A busca pela solução dessas diferenças entre homens e mulheres nos campos pode impulsionar a produção agrícola em até 4%, de acordo com a FAO. Nos campos brasileiros De acordo com a publicação “Mulheres dos cafés no Brasil”, divulgada pela Embrapa no ano passado, a mulher brasileira que atua na produção de café no Brasil atua majoritariamente como produtora ou proprietária; em seguida, elas estão presentes no ensino, pesquisa e extensão do mercado e comércio de café. O benefício destinado a elas cresceu ao longo dos anos, o que pode facilitar na participação delas na produção agrícola: em 2014, 10,5% dos beneficiários do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) foram mulheres; já em 2015, o índice da participação feminina na busca de créditos por meio do Pronaf subiu para 16,6%. No entanto, elas ainda têm muito a conquistar, principalmente pelo meio rural brasileiro ainda ter um perfil mais tradicional. De acordo com a Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres, em 2013, um homem no meio rural recebia em média R$ 977,50, enquanto as mulheres recebiam uma média de R$ 614,80, abaixo até do salário mínimo vigente à época. Em algumas regiões, elas pouco participam das associações e cooperativas voltadas ao café. No Cerrado Mineiro, por exemplo, a participação delas nesses locais é de apenas 9,6%, de acordo com a publicação da Embrapa. O motivo é a necessidade que as mulheres encontram de associar o trabalho com os afazeres domésticos e o cuidado da família, o que não as permite ter tempo de exercer outras atividades. Mas as mulheres seguem conquistando seu espaço e se unindo para atingir seus objetivos na produção do café. Formada por mulheres que vivem exclusivamente da produção do grão, a Associação das Mulheres Empreendedoras do Café da Serra da Mantiqueira do Sul do Estado de Minas Gerais (Amecafé Mantiqueira) é um exemplo dessa reunião. Segundo a diretora presidente da associação Iraci de Fatima Inácio Carvalho, o trabalho delas na Mantiqueira, no Sul de Minas, é pesado, já que por ser uma região montanhosa não há uso de maquinário. “Temos que contar exclusivamente com a mão de obra manual”, afirmou a diretora. Outro desafio está na luta constante contra o preconceito, que ela acredita já estar menor. “Nosso desafio como mulher é poder fazer o nosso trabalho bem feito sem que um homem chegue e queira ensinar como fazê-lo, mas nós mulheres estamos acostumadas a caprichar. A maioria das associadas faz um café maravilhoso; estão batendo um bolão. É até engraçado ver maridos felizes por suas esposas conseguirem vender melhor seus cafés. Preconceito sempre há, mas hoje em dia já é bem melhor.” Ao descobrir sobre a pesquisa da Organização Internacional do Café que aponta que 30% das fazendas do mundo inteiro são operadas por mulheres, Iraci contesta e diz acreditar que, na realidade brasileira, esse número é menor. Ela tem razão: de acordo com o Censo Agro 2017 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 18,6% dos estabelecimentos agropecuários brasileiros são comandados por elas. Se a codireção for considerada, a proporção aumenta para 34,8%. Mesmo que o comando ainda não seja em sua maioria feminino no Brasil, Iraci aponta para a força feminina na produção do café, de acordo com a experiência que tem dentro da associação. “Nossa participação é forte. Dentro da nossa associação, as mulheres sempre estão presente, nas panhas e nos terreiros de cafés. A participação já chega a 50% dentro das propriedades.” Para Iraci, o segredo do sucesso está no cuidado que a mulher tem com os processos de produção. “Quando fazemos a coisa bem feita, consequentemente temos ótimas colheitas, tanto na questão do fruto quanto da qualidade e consequentemente produzimos ótimos grãos.” Projeto Florada Pensando no empoderamento de mulheres cafeicultoras e para trazer diversidade ao campo brasileiro, o Grupo 3corações criou em março deste ano o Projeto Florada. Entre as iniciativas realizadas pelo projeto estão a promoção de conversas e encontros, a oferta de capacitação e informação, e a criação de um concurso para premiar os melhores cafés. Junto com o lançamento do projeto foi apresentado o Café Florada Edição Especial, desenvolvido pela cafeicultora Jane Muniz, da Fazenda Santa Tereza, na região Sul de Minas Gerais. Já em fase de andamento, a primeira edição do concurso — destinada a espécie de café arábica nas categorias via úmida e via seca — conhecerá suas vencedoras no dia 9 de novembro, durante a Semana Internacional do Café. Para participar, a mulher não precisa ser proprietária da fazenda produtora de café, mas precisa ter participado ativamente dos processos da safra do café com o qual irá concorrer. No site do Projeto Florada, as mulheres encontram ainda videoaulas gratuitas sobre as melhores práticas na produção de cafés especiais, com temas como gestão e lavoura e produção.