APP E INCLUSÃO

Software testa se aplicativos são acessíveis a usuários com deficiências

Software é fruto de pesquisa de professor da EACH e o trabalho lhe rendeu premiação do Facebook criada para a área de testes

Software testa se aplicativos são acessíveis a usuários com deficiências

Página do Facebook no celular. Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

Pesquisa da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP resultou num sistema para testar erros de acessibilidade em aplicativos para todo tipo de smartphones. Em seu estudo, o professor Marcelo Medeiros Eler utilizou a ferramenta Mate (Mobile Accessibility Testing), desenvolvida por ele, para detectar problemas técnicos no funcionamento dos aplicativos. O artigo foi premiado pelo Facebook Testing and Verification Research Awards no final de 2018.

O projeto Automated Accessibility Testing for Mobile Apps consiste em utilizar a ferramenta Mate para testar a acessibilidade de aplicativos, detectando empecilhos a usuários com algum tipo de deficiência, como visual e motora. “A ideia é poder testar automaticamente uma aplicação móvel, visto que os programas que fazem isso hoje são manuais ou feitos por especialistas, o que exige muito tempo e recursos”, conta o professor.

Logotipo do Mate

Segundo Eler, que desenvolveu a Mate em pós-doutorado na Inglaterra, existem várias normas nacionais e internacionais de acessibilidade que não são cumpridas pelos aplicativos. “Eu não sei se as normas de acessibilidade são compreensíveis para os desenvolvedores”, comenta o professor. “A maioria deles, assim como a maioria das pessoas, não faz ideia das dificuldades enfrentadas por usuários com deficiência ao usar uma aplicação móvel que não segue as boas práticas de design.”

O nível de contraste entre um texto e seu fundo, e tamanho dos botões foram alguns dos problemas citados pelo professor que podem ser detectados pelo programa. Estas inadequações podem atrapalhar ou impossibilitar o uso das aplicações por usuários com problemas de visão e dificuldades de coordenação motora.

A Mate gera ações aleatórias – cliques, swipes (rolagem de tela), textos – de forma a testar toda a aplicação automaticamente, avaliando se os componentes e páginas obedecem às normas que garantem que usuários com deficiências consigam usar o aplicativo de maneira satisfatória. O programa então gera um relatório para os desenvolvedores dizendo os problemas que precisam de correção.

Para Eler, o conhecimento das normas de acessibilidade deve ser um requisito para o desenvolvedor. “Como existem leis específicas relacionadas à acessibilidade digital, podemos dizer que é obrigação de todos conhecer as normas, ou pelo menos o modelo brasileiro.”

Marcelo Eler – Foto: Arquivo pessoal

O professor acredita que a preocupação com a acessibilidade ainda não é difundida o suficiente entre desenvolvedores digitais. “Atualmente as leis relacionadas à
acessibilidade digital está mais bem divulgada. Já existe um modelo de acessibilidade digital brasileiro, o e-MAG, e por isso esperava-se que a preocupação
com acessibilidade fosse maior.”

O projeto foi desenvolvido em parceria com os professores Gordon Fraser, da Universidade de Passau, na Alemanha, e José Rojas, da Universidade de Leicester, na Inglaterra.

O artigo foi publicado pelo Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos e pode ser lido acessando o site do instituto.

Pesquisa premiada

A pesquisa do professor Eler foi premiada pelo Facebook Testing and Verification Research Awards, criado com o objetivo de procurar novos programas e ferramentas para verificar erros de teste e verificação nos aplicativos móveis da empresa.

O programa do Facebook recebeu submissões de todo o mundo, e a pesquisa do professor da EACH foi uma das dez selecionadas entre mais de 140 projetos apresentados. (Jornal da USP)

Mais informações: e-mail marceloeler@usp.br, com Marcelo Eler 

 

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Marcus De Rosa
Marcus De Rosa
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