Carlos Marun

Remédio?

Remédio?

O Pres Bolsonaro interviu na Petrobras e, mesmo sem falar com o seu guru econômico Paulo Guedes, mandou que fosse cancelado um aumento de cerca de 5% no óleo diesel. A primeira vez que tive contato com isto foi na CPI da Petrobras. O delator Paulo Roberto Costa em seu depoimento disse textualmente: “Vocês pensam que foi a corrupção que quebrou a Petrobras? Estão enganados. Foi a incompetência. Foi querer fazer política com os preços dos combustíveis”. Durante um dos momentos mais críticos da minha vida, o Movimento dos Caminhoneiros, muitas vezes estivemos diante deste dilema. Havíamos recebido a Petrobras quebrada. Com uma política de preços reais e profissionalismo na gestão em menos de dois anos a recuperamos. Todavia, a política de reajustes quase diários se mostrou incompatível com a realidade brasileira. Veio a greve. Nas nossas reuniões teve sempre voz ativa a área econômica que era contrária a qualquer intervenção. Baixamos o preço na bomba. Mas o presidente optou pela manutenção da lógica dos preços reais para a Petrobras e a sociedade brasileira pagou a conta, que felizmente não foi tão grande, pois dali para frente o comportamento do binômio dólar/barril de petróleo nos foi favorável. Agora pelo visto a situação voltou a se complicar e o Pres Bolsonaro decidiu pela intervenção direta. Teremos problemas. Devem ter sido constatados sinais da possibilidade de um novo movimento paredista. Acionistas brasileiros e estrangeiros vão cobrar na Justiça um prejuízo que só ontem foi de R$ 32 bilhões. O resultado não sei qual vai ser. Mas uma coisa eu sei: a existência da Petrobras enquanto empresa privada que busca preferencialmente o lucro é incompatível com o fato de ela possuir a chave do funcionamento do Brasil e uma nova greve de caminhoneiros agora traria um prejuízo que o Brasil não pode pagar. Algo tinha que ser feito. Não havia como ficar inerte. Agora é torcer para que o remédio não piore a saúde do doente em vez de curá-lo.
Durma-se com um barulho destes…

Carlos Marun, ex-deputado federal, foi ministro da Secretaria de Governo na gestão de Michel Temer.