Propaganda online

Portugal e ‘atividade anormal’ ajudaram Bolsonaro a vencer nas redes, aponta estudo

Cientistas atestam que 44,5% da campanha online veio de fora do país

Portugal e ‘atividade anormal’ ajudaram Bolsonaro a vencer nas redes, aponta estudo

Bolsonaro momentos antes de ser esfaqueado em campanha em Juiz de Fora (MG). Foto: Rafaela Frutuoso/Folhapress/Arquivo

Um estudo da Alto Data Analytics indicou que 44,5% da produção de propaganda online favorável à eleição do presidente Jair Bolsonaro (PSL) foi feita fora do território brasileiro, em 2018. Neste universo, Portugal foi reduto de 1.412 dos apoiadores estrangeiros. E a ‘atividade anormal’ de perfis suspeitos também foi registrada como intensa na campanha do presidente.

A análise sobre a ajuda de Portugal para que Bolsonaro ganhasse o debate nas redes sociais foi divulgada neste sábado (9) pelo jornal português Diário de Notícias. E as provas do apoio externo no método de campanha presidencial que se mostrou mais eficiente no último pleito, via redes sociais, foram obtidas por um grupo de cientistas da área de informática e especialistas em análise de dados.

Na campanha presidencial no Brasil nas redes online, Portugal foi identificado como o país estrangeiro onde foram produzidos mais conteúdos da campanha de Jair Bolsonaro. E também expõe ainda que vieram da Argentina e da Venezuela a maioria das publicações alinhadas à campanha de seu opositor, Fernando Haddad (PT), derrotado no 2º turno.

Os dados da Alto Analytics não permitem concluir se os apoios online de Portugal que ajudaram Bolsonaro a vencer com clareza o debate nas redes eram contribuições reais de cidadãos brasileiros envolvidos no debate político, nem se tinham origem em perfis falsos.

O profissionalismo da campanha online feita pelo conjunto desses apoiadores de Bolsonaro é evidenciado pelo número deste levantamento técnico: os perfis que ajudavam o candidato do PSL duplicaram suas atividades com o avançar da campanha até a eleição, de 30 mil para 60 mil mensagens diárias nas redes.

“A sua atividade foi contínua sem que houvesse uma hora do dia sem publicar”, revela o relatório da Alto Data.

Robôs eleitorais

O estudo mostra a influência dos bots ou robôs, que são aplicativos programados para movimentar a presença nas redes de perfis falsos. A prova, segundo o relatório, seria o registro de um “nível anormal de atividade” de cada um desses perfis no debate.

Com números concretos, a Alto Data Analytics constatou que Bolsonaro tinha pouco mais de um terço dos perfis de apoiadores do que os de seus adversários, mas conseguiu ter o triplo da atividade.

“O centro-esquerda era a maior comunidade: 138.802 utilizadores gerando 1.780.305 mensagens, 13 por utilizador. A comunidade da direita era mais ativa: com apenas 50.355 utilizadores gerando 5.921.834 mensagens, 117 por utilizador, o que pode ser considerado um sinal antecipado de nível anormal de atividade”, diz a Alto Data.

O uso de robôs partiu, aparentemente, de todos os campos políticos. Porém, a liderança foi identificada como da campanha favorável a Bolsonaro, com atividade online que denuncia a automação, fora do que é considerado o “normal comportamento humano”.

Além da automação normal para pessoas reais, foi identificado casos de utilizadores com mais de 4.000 retweets, com alta atividade no Twitter. No patamar seguinte, entre 1500 e 3999 retweets, os autores do relatório estimaram que 30% de todos os retweets nas comunidades direita e esquerda foram publicados por apenas 1,3% dos utilizadores.

A Alto Data Analytics conclui que o grupo de apoio a Bolsonaro inclui 663 utilizadores com essa atividade “anormal”, enquanto a esquerda toda, com Fernando Haddad (PT) Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede) tinha 290 utilizadores com níveis altos de atividade.

“O impacto digital de Bolsonaro foi muito superior ao de qualquer outro candidato no Twitter. A sua comunidade reuniu seis dos 15 perfis mais influentes da rede”, diz um trecho do relatório.

Veja o papel dos influenciadores entre candidatos:

Supremacia branca

O estudo ainda identificou que, entre os domínios mais partilhados pelos apoiadores de Bolsonaro está um site norte-americano “Gab.ai”, que, segundo a Wikipédia, é “uma plataforma para os defensores da supremacia branca e a alt-right”. Fato também considerado incomum pela Alto Data Analytics.

O domínio Gab.ai lançou na campanha brasileira, a favor de Bolsonaro, temas semelhantes aos de outros partidos populistas no resto do mundo: #ImprensaCretina, com Bolsonaro como vítima da mídia e da “esquerda fascista”; #PesquisasMENTEM, que qualificavam sondagens de intenções de voto como não confiáveis; além de notícias em torno do atentado contra Bolsonaro; agenda financeira do economista Paulo Guedes; alerta de que os meios de comunicação terão que encontrar novas maneiras de se financiar caso Bolsonaro vença; e temas como Deus, Família, Segurança, Menos Brasília e mais Saúde e Educação, e o Fim do PT.

Veja aqui o estudo original da Alto Data Analytics. (Com informações do Diário de Notícias)

Redação
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