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Entre 2000 e 2014

Temer recebeu R$ 5,9 milhões em propinas do setor portuário, diz PF

Segundo inquérito, presidente participa de esquema de propina no Porto de Santos desde 1998

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O presidente havia apostado na vitória da seleção por 2 a 1.

O relatório final da Polícia Federal sobre o Inquérito dos Portos vê indícios de que o presidente Michel Temer recebeu diretamente R$ 5,9 milhões de propina no setor portuário há mais de 20 anos, desde a época em que era deputado federal por São Paulo.

De acordo com o documento, que tem mais de 800 páginas, assinado pelo delegado Cleyber Malta Lopes, os valores teriam sido pagos pela Rodrimar, pelo grupo J&F e pelo grupo Libra, em doações oficiais e em dinheiro vivo.

A PF afirma que “o setor portuário sempre foi área de influência e interesse do MDB e do presidente” e por isso as indicações até hoje são feitas pelo partido.

O relatório da polícia aponta que o coronel João Baptista Lima Filho é o intermediador do emedebista há pelo menos 20 anos.

A PF indiciou o presidente e outras dez pessoas, entre as quais a filha dele, Maristela Temer, o coronel João Baptista Lima Filho e sua mulher, Maria Rita Fratezi, amigos do presidente, e Carlos Alberto Costa e seu filho, diretor da Argeplan. A Polícia Federal pediu o bloqueio de bens de todos os suspeitos e a prisão de quatro deles. Eles estão impedidos de deixar o país.

“Lima e Costa criaram uma dezena de outras empresas, já identificadas, utilizando-se da estrutura oficial da Argeplan, visando transferência de recursos ou patrimônio, de forma oculta ou dissimulada e em benefício próprio e de terceiros. Numa engenharia que tem servido para lavagem de dinheiro, posta principalmente a disposição do Senhor Michel Temer, ao longo dos últimos 20 anos”.

Aberto em 2017, o inquérito buscava esclarecer se Temer recebeu, por meio do militar aposentado, propina em troca da edição de um decreto que teria beneficiado companhias que atuam no porto de Santos.

A medida assinada por Temer permitiu ampliar de 25 para 35 anos os prazos dos contratos de concessões e arrendamentos no porto firmados após 1993.

Outro ponto do relatório da PF é uma reforma realizada na casa da filha do emedebista, entre 2013 e 2015. A mulher do coronel, Maria Rita Fratezi, pagou em dinheiro vivo despesas da obra do imóvel de Maristela Temer.

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