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PF mira desvio de recursos no governo do MS por meio de licitações direcionadas

Sexta fase da Operação Lama Asfáltica investiga ainda aquisição fictícia ou ilícita de produtos, além de simulação de contratos

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A Polícia Federal, em parceria com a Controladoria Geral da União (CGU) e a Receita Federal, deflagrou na manhã desta terça (27) a sexta fase da Operação Lama Asfáltica. O objetivo da ação é coibir o desvio de dinheiro público no governo do Mato Grosso do Sul por meio de licitações direcionadas para serviços de informática.

De acordo com as investigações, os recursos usados para o pagamento de serviços de informática eram enviados para o exterior pelos proprietários das empresas beneficiadas pelas licitações. Essas empresas foram alvos de investigação em outras etapas da Operação Lama Asfáltica.

A PF apura ainda evasão de divisas, aquisição fictícia ou ilícita de produtos; simulação de contratos para repasse de recursos desviados do governo do Mato Grosso do Sul; além da utilização de “laranjas” para a ocultação de patrimônio.

Os agentes cumprem nesta terça quatro mandados de prisão preventiva e 25 mandados de busca e apreensão nas cidades sul-mato-grossenses de Campo Grande, Jaraguari, Dourados e Paranhos. Foi determinado ainda o bloqueio de contas bancárias de pessoas e empresas envolvidas nesta fase, batizada de “Computadores de Lama”.

Fases anteriores

A primeira fase da Operação Lama Asfáltica, que apura desvio de dinheiro público em gestões anteriores do governo do MS, foi deflagrada em 2015. As investigações apontaram fraude em obras públicas, como na do plantio de grama ao longo de três rodovias do estado.

Em 2016, a segunda fase da operação indicava que o dinheiro obtido por meio do esquema de corrupção teria sido usado para compra de fazendas. Os agentes cumpriram mandado na casa do ex-governador André Puccinelli, preso desde julho deste ano.

No mesmo ano, a terceira fase da Lama Asfáltica mirou a tentativa de ocultar a origem do dinheiro por meio da revenda de bens de alto valor e da posterior divisão do dinheiro. A quarta etapa da operação, deflagrada no ano passado, focou no direcionamento de licitações públicas; superfaturamento de obras, aquisições fictícias ou ilícitas de produtos.

Já a quinta fase teve como alvo um grupo suspeito de desviar R$ 235 milhões em recursos públicos por meio de direcionamento de licitação, superfaturamento de obras, aquisição fictícia ou ilícita de produtos, financiamento de atividades privadas sem relação com a atividade-fim de empresas estatais, concessão de créditos tributários com vistas ao recebimento de propina e corrupção de agentes públicos.

A estimativa é de que o prejuízo dos crimes apurados durante as seis fases da Operação Lama Asfáltica passe da casa dos R$ 432 milhões.

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