Mais Lidas

Suspeita de laranja

MP Eleitoral investiga candidata que gastou R$ 450 mil e teve 233 votos, em Alagoas

Tida do Brejinho disputou vaga na Câmara dos Deputados pelo PSD

acessibilidade:
Maria Aparecida Lisboa foi candidata a deputada federal em Alagoas pelo PSD. Foto: Divulgação/Facebook

O Ministério Público Eleitoral decidiu ontem (20) abrir um procedimento investigativo para apurar o destino de quase meio milhão de reais gastos na campanha de uma dona de casa sertaneja que obteve apenas 233 votos para deputada federal, em Alagoas. Maria Aparecida Lisboa, conhecida como Tida do Brejinho, foi a única candidata do PSD à Câmara Federal em Alagoas, além do deputado federal reeleito Marx Beltrão, ex-ministro do Turismo no governo de Michel Temer.

Tida integra a lista de candidatos que receberam grandes volumes de dinheiro e tiveram desempenho pífio nas urnas, em 2018, ficando em evidência após a polêmica que abriu uma crise no PSL e no governo do presidente Jair Bolsonaro, com suspeitas de candidaturas laranjas no partido.

As investigações serão tocadas com todo o aparato do Ministério Público Federal em Alagoas, onde está sediada a Procuradoria Regional Eleitoral, em Maceió (AL). O MP Eleitoral tomou conhecimento das suspeitas sobre os gastos de campanha de Tida do Brejinho, através da reportagem do Diário do Poder, que detalhou a prestação de contas da candidata natural de São José da Tapera (AL).

A dona de casa recebeu R$ 450 mil do Fundo Especial Eleitoral do Diretório do PSD de Alagoas e de acordo com seus gastos de campanha, cada voto recebido pela candidata custou ao contribuinte mais de R$ 1.900,00. O volume é imenso, se comparado ao custo da eleição de Marx Beltrão, que consumiu R$ 7,52 dos cofres públicos por voto recebido, com base na prestação de contas oficial entregue à Justiça Eleitoral.

Foco na propaganda

Somente com material gráfico, Tida consumiu R$ 272 mil dos recursos recebidos para campanha. Foram R$ 192,9 mil pagos à Gráfica Santana, registrados na prestação de contas como investidos na produção de adesivos de vinil e de papel e santinhos e praguinhas, liquidados em 17 de setembro. No mesmo dia, a candidata pagou R$ 30 mil à Proimagem Comunicação Visual LTDA por adesivos perfurados.

Apenas dez dias depois do investimento, a candidata do PSD registrou outro pagamento de mais R$ 50 mil, para comprar mais adesivos, santinhos e praguinhas, expondo indícios de que estaria à frente de uma campanha de dimensão inversamente proporcional ao resultado colhido nas urnas.

A candidata ainda pagou R$ 13,5 mil com aluguel de veículos e R$ 2,5 mil com gasolina e óleo diesel.

O gasto com material gráfico representa quase um terço do valor investido pelo colega de partido Marx Beltrão, que se elegeu com mais de 139 mil votos. Mas os custos da campanha da candidata Tida se igualam aos do parlamentar com a terceira maior votação de Alagoas, quando se trata de assessoria jurídica e contábil. A candidata pagou os mesmos R$ 160 mil custeados pela campanha de Marx aos mesmos fornecedores nessa área: R$ 100 mil para o advogado Claudemir Lins Fonseca e R$ 60 mil para a empresa Controla Contadores Associados LTDA.

A situação é comparável à que deu margem à polêmica que abriu uma crise entre o ex-ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, e o presidente Jair Bolsonaro, após a revelação de que Maria de Lourdes Paixão, secretária administrativa do PSL de Pernambuco, recebeu R$ 400 mil para a campanha para deputada federal e teve apenas 273 votos. As suspeitas são de que as candidaturas com essas características seriam “laranjas”.

O Diário do Poder não obteve respostas à tentativa de contato com Tida do Brejinho, para saber se ela realmente utilizou o material pago para sua campanha e se teria imagens da propaganda de sua candidatura nas ruas.

‘Legislação obrigou’

O PSD de Alagoas é presidido pelo irmão do deputado Marx, o ex-prefeito de Feliz Deserto (AL) Maikon Beltrão. E emitiu a seguinte nota sobre o assunto, no início desta semana:

O PSD de Alagoas informa que a distribuição de recursos financeiros obedeceu aos critérios legais, especialmente, neste caso, os referentes à questão de gênero em atendimento aos programas de incentivo à participação política das mulheres, preconizados pela legislação eleitoral vigente.

Neste sentido, 30% dos valores recebidos em Alagoas deveriam ser destinados a candidatas mulheres. E como o partido somente registrou 1 (uma) candidata a deputada federal, 30% do montante repassado pela legenda foi destinado a esta candidata, que é a senhora Maria Aparecida Lisboa (Tida do Brejinho).

Vídeos Relacionados