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Após críticas de Bolsonaro

Marcos Pontes pode nomear militar da Aeronáutica na direção do Inpe

Ministro da Ciência e Tecnologia afirmou que vai 'mudar o sistema como um todo'

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Foram quase 5,2 mil quilômetros quadrados, o equivalemte a 47% dos 11,1 mil registrados pelo INPE

O ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes, informou nesta segunda-feira, 5, que pode escolher um oficial da Aeronáutica para a direção do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). “Estou procurando nome que tenha conexão com Inpe, que tenha conhecimento nessa área (desmatamento) e em gestão”, disse Pontes em entrevista à rádio “Eldorado”.

O novo nome para o comando do instituto será divulgado no início desta semana, de acordo com Pontes. O regimento interno do Inpe, aprovado pela portaria n° 897 de 3 de dezembro de 2008, prevê que a escolha do diretor deve ocorrer por meio de uma lista tríplice (relação de três nomes) elaborada por um comitê. Esse grupo é escolhido pelo Conselho Técnico-Científico do órgão, que tem 11 membros – seis especialistas e cinco integrantes do Inpe (incluindo o diretor, que neste caso foi exonerado).

Na última sexta-feira, 2, Ricardo Galvão foi avisado da exoneração do cargo após o presidente Jair Bolsonaro criticar e apontar que dados do instituto sobre o aumento do desmatamento da Amazônia serem mentirosos.

Na entrevista desta segunda, o ministro da Ciência informou ainda que o sistema de monitoramento do desmatamento será alterado, de modo a atender melhor o cliente final, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que responde ao Ministério do Meio Ambiente, chefiado por Ricardo Salles.

Segundo o ministro, serão colocados mais satélites, a análise será conjunta e a divulgação dos dados será definida junto ao Ibama, mas que será de forma transparente. Pontes explicou que antigamente os dados eram dados ao Ibama antes, que verificava se tinha alguma ação de desmatamento em curso e, só cinco dias depois, eram divulgados na página do Inpe.

Um dos sistemas de monitoramento é o Deter (Sistema de Detecção do Desmatamento na Amazônia Legal em Tempo Real), que apontou aumento de 88% do desmatamento na Amazônia em junho em relação ao mesmo mês do ano anterior e de 40% nos 12 meses anteriores, dado que deve ter maior aderência com o Programa de Cálculo do Desflorestamento da Amazônia (Prodes).

Segundo Pontes, os dados do Deter “são crus, não podem ser divulgados imediatamente”, afirmou. “Confiamos nos dados do Inpe, mas talvez a forma dos dados não seja ideal para combater o desmatamento.”

O ministro reconheceu, porém, que o Prodes, levantamento anual que deve ser divulgado entre o fim de agosto e início de setembro, deve mostrar a mesma tendência de aumento do desmatamento dos dados que iniciaram a polêmica no Inpe.

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