'A gente não pode brincar'

Maia defende isolamento e diz que liberação precoce pode provocar tragédia

Presidente da Câmara cobrou do governo pacote integrado de ações para combater a crise do coronavírus

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"Reunião" de Maia com embaixador chinês é apenas factoide de quem vai perder poder. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), cobrou mais uma vez do governo um pacote integrado de ações para enfrentar os impactos da crise provocada pela pandemia do coronavírus no País.

Segundo ele, o Parlamento tem ajudado e está aberto ao diálogo para construir as soluções, mas o governo precisa garantir previsibilidade para a sociedade brasileira e liderar esse processo. “Estou dizendo que, se o governo não decidir, o Congresso vai decidir. Isso é bom? É péssimo, porque a solução vai chegar de forma desorganizada. Isso vai gerar mais insegurança, por isso vou continuar cobrando”, ressaltou.

Maia participou de evento nesta sexta-feira do Grupo Lide, que reúne diversos segmentos empresariais. O presidente da Câmara disse que deveria ter sido proposta uma política compensatória para o setor de shoppings, por exemplo, como foi feito para o setor aéreo. “Isso não foi feito, mas não vamos brigar pra trás, vamos olhar o futuro”, disse o presidente.

Para Rodrigo Maia, é preciso superar as divergências entre os Poderes e entre o governo federal e os entes federados para encontrar consensos para solucionar a crise. “Quem precisa enfrentar os problemas é o Estado brasileiro”, completou.

Reunião

Maia voltou a propor que o presidente Jair Bolsonaro comande uma reunião com os chefes dos Poderes e representantes dos governadores para reabrir o diálogo. O Executivo federal e os governadores têm entrado em conflito em relação às medidas adotadas para conter o avanço do vírus, especialmente o isolamento social e o fechamento de escolas e do comércio. “A gente não pode brincar, se liberar agora [do isolamento] vai ser uma tragédia”, ressaltou Maia.

Segundo Maia, decisões atropeladas entre os Poderes e os entes federados dificultam o combate à crise. “Se tivesse tudo organizado, a questão dos empregos, da suspensão de impostos, a questão dos aluguéis, dos vulneráveis; se tudo tivesse em um pacote só, esses conflitos não existiriam, porque todos estariam organizados [no enfrentamento da pandemia]”, disse o presidente da Câmara.

Isolamento social

Rodrigo Maia reafirmou que o isolamento social é a melhor medida de contenção dos impactos do vírus e avaliou que não é o momento para liberar as pessoas a voltar à circulação normal. Na avaliação do presidente da Câmara, isso poderia aumentar a contaminação e colapsar o sistema de saúde, gerando impacto ainda maior na economia com uma recessão maior do que a prevista.

“Ou a gente vai seguir as decisões corretas do resto do mundo ou vamos navegar no escuro, se não vai sobrar rezar”, ironizou. Rodrigo Maia ressaltou que nos países em que o isolamento acabou rápido “houve uma tragédia”. “Vamos esperar que os brasileiros tenham mais imunidade do que em outros países?” indagou Maia.

Microempresas

Maia elogiou a decisão do governo desta sexta-feira (27) de anunciar uma linha de crédito emergencial para pequenas e médias empresas para ajudá-las a pagar os salários de seus funcionários pelo período de dois meses. Segundo ele, o valor poderia ser até maior, mas a medida é importante.

“O [presidente do Banco Central] Roberto Campos Neto tem tomado algumas decisões para que se possa garantir a liquidez de pequenas e médias empresas com crédito represado…estamos trabalhando com os bancos, estamos acompanhando essa linha de empréstimo, esses R$ 20 bilhões (por mês) já é um começo e isso deve chegar muito rápido na conta das empresas e na conta dos funcionário, mas vamos ter que esperar o resto das medidas. Uma coisa é anúncio e outra coisa é o resultado”, disse o presidente. (Agência Câmara)

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