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Aliança precária

Ex-governador secretário de Renan Filho cobra nomeações e sinaliza aliança com rival

Ronaldo Lessa cobrou cargos do governador e foi a evento com o prefeito de Maceió

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Ex-governador Ronaldo Lessa com o prefeito Rui Palmeira, inaugurando academia pública em Maceió. Foto: Marco Antônio/Secom Maceió

Pouco mais de um mês após ser nomeado pelo governador Renan Filho (MDB) como secretário de Agricultura do Estado de Alagoas, o ex-governador Ronaldo Lessa (PDT) expôs ontem (10) sua insatisfação com o descumprimento de um acordo político que previa nomeações de sua equipe. Como se não bastasse a cobrança por cargos feita em vídeo publicado nas redes sociais, Lessa apareceu ao lado do principal rival da família Calheiros, o prefeito de Maceió (AL) Rui Palmeira (PSDB), inaugurando uma academia pública municipal, em horário de expediente na manhã desta quinta-feira (11).

No vídeo divulgado em seu perfil do Facebook, o secretário de Renan Filho revela que após devolver 81 cargos ao governo, só teve sete nomeações na sua equipe, após as exonerações. E cobrou mudanças na relação com o governo do filho do senador Renan Calheiros (MDB-AL), ao anunciar aos integrantes do PDT a decisão de tentar agilizar as nomeações prometidas, com a entrega do cargo de Laílson Gomes Ferreira, presidente da Agência Reguladora de Serviços de Alagoas (Arsal).

Apesar de idas e vindas na aliança com Rui Palmeira, o prefeito manteve no comando da secretaria de Esporte e Lazer o indicado de Lessa, Daniel Maia Mello. Ao lado do maior rival dos Calheiros, na inauguração da academia pública no bairro do Feitosa, o ex-governador demonstrou que busca reatar a aliança política como alternativa para a escassez de cargos prometidos por Renan Filho. E o prefeito tucano não deve  recusar ampliar suas bases políticas.

Lessa lembrou ainda que, quando coordenava a bancada federal no Congresso e firmou acordo para compor o governo estadual, no ano eleitoral de 2018, Renan Filho garantiu dois espaços para o PDT no governo: na Arsal e na pasta de Desenvolvimento Econômico e Turismo (Sedetur). Mas depois de Lessa não ser reeleito para a Câmara dos Deputados, Renan Filho não teve sucesso na tentativa de mantê-lo em Brasília (DF), oferecendo secretarias a deputados federais da coligação da qual o ex-governador é 1º suplente.

O ex-governador diz que, após aceitar ser secretário e migrar parte dos 81 cargos do PDT da Sedetur para a pasta da Agricultura que passou a comandar, a indicação da Arsal seria devolvida ao governo. Mas a pendência política “tem se arrastado ao longo desses meses, o governo não nomeia ninguém”, o que tem ampliado o desgaste para o PDT, com o esvaziamento da fiscalização na Arsal, cujo gestor Laílson foi convencido a entregar uma carta ao governador, agradecendo pela confiança e deixando o cargo.

“Isso é importante para que os companheiros saibam. E saibam também que o espaço que o PDT tem não terá mais a mesma coisa que a gente tinha quando eu tinha um mandato de deputado, apesar de ter a Secretaria de Agricultura, que a gente vai fazer o maior esforço para contemplar a nossa equipe de trabalho e também dar uma resposta que Alagoas merece, que somos um estado agrícola e vamos fazer o possível. Mas nós precisamos botar o pé no chão e entender o momento em que nós estamos vivendo. Um momento difícil. Inclusive até agora só tem sete nomeações feitas na Secretaria de Agricultura, enquanto na Sedetur e na Arsal as pessoas estão exoneradas. Eram essas as explicações que eu queria dar as vocês e eu espero que, a partir de amanhã [hoje], as relações com o governo se modifiquem”, disse Ronaldo Lessa.

Acusações e reações

Sob o comando de Laílson Gomes, a Arsal foi obrigada pela Justiça, em fevereiro, a dar fim à relação classificada pelo o promotor de Justiça Sidrack Nascimento como de uma organização criminosa que objetiva dilapidar o erário, sangrando R$ 12  milhões em um contrato com empresa de fachada que funcionou em um casebre no interior do Estado. Mas Lessa diz no vídeo que Renan Filho concordou que ficou claro que não houve nenhum problema de improbidade na gestão de Laílson Gomes na Arsal, mas pediu o espaço para acomodar as novas forças que venceram a eleição.

O presidente demissionário da Arsal diz que combateu irregularidades de gestão anterior, com a contratação alvo de denúncia.

Seis dias após a nomeação de Lessa, o Diário do Poder publicou a reação negativa de produtores que pediam nas redes sociais a saída de Lessa do cargo, criticando a decisão meramente política de Renan Filho. E revelou que o governador justificou a interlocutores que representam o setor que a nomeação fez parte de um acordo político e pediu paciência, afirmando que Ronaldo Lessa deve durar pouco tempo na pasta. A relação com o setor foi pacificada, mas o governo lhe nega condições de atuar com sua equipe.

O secretário insatisfeito de Renan Filho é irmão do presidente do Tribunal de Contas de Alagoas, Otávio Lessa. E chegou a liderar pesquisas para senador, em 2017, e foi cotado para disputar o governo. Desistiu de tudo para apoiar as reeleições de Renan Filho e do senador Renan.

Nenhuma exoneração ou nomeação relacionada ao PDT foi publicada na edição de hoje do Diário Oficial do Estado de Alagoas. E a assessoria do governador não respondeu se Renan Filho tem algo a dizer a respeito dessa cobrança pública de Ronaldo Lessa por nomeações. Nem informou se alguma dessas nomeações pendentes estão previstas para ocorrer, quando questionada pelo Diário do Poder.