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Legislativo de São Paulo

Deputado propõe homenagem a ditador chileno; Alesp diz que barrará

Homenagem a Augusto Pinochet foi proposta por Frederico D´Ávila (PSL)

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O deputado estadual Frederico D'Ávila (esq.) e o ditador chileto Augusto Pinochet (dir.). Foto: Reprodução

O ditador do Chile, Augusto Pinochet, que comandou o país entre 1973 e 1990, após golpe militar, pode receber homenagem na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). A proposta é do deputado estadual Frederico D’Avila (PSL).

O deputado do PSL registrou o evento no calendário do Legislativo com abreviação do sobrenome Pinochet: “Ato Solene em Memória do Presidente Augusto P. Ugarte”. Ao jornal Folha de S.Paulo, D’Avila afirmou por meio de nota que “o presidente Augusto Pinochet foi sem dúvida, o maior estadista sul-americano do século 20, haja visto o respeito que figuras como Margareth Thatcher e Ronald Reagan tinham por ele”.

O evento está marcado na agenda oficial da Alesp para o dia 10 de dezembro, data em que se comemora o Dia Internacional dos Direitos Humanos.

Após forte reação negativa diante da homenagem sugerida, o presidente da Alesp, Cauê Macris (PSDB), disse que vai barrar a iniciativa dentro da Casa.

“Assino nesta quinta um ato da Presidência impedindo que aconteça o evento em homenagem ao ditador Augusto Pinochet dentro da @AssembleiaSP . O ato será publicado no Diário Oficial do Estado na sexta-feira (22).”

O embaixador do Chile no Brasil, Fernando Schmidt, havia classificado de lamentável a realização do ato.

“Para nós é lamentável que algo desse tipo ocorra, ainda mais quando os esforços do governo do Chile estão postos em unir o país. Isso só produz rejeição”, disse Schmidt.

Ao mencionar as tentativas de unificação do Chile, o embaixador faz referência à onda de protestos que há semanas ocorre no país. As manifestações levaram o presidente, Sebastián Piñera, a propor um pacote de medidas sociais e a sugerir que seja redigida uma nova Constituição, elaborada durante a ditadura.

A homenagem a Pinochet não é a primeira polêmica de D’Avila. Em agosto, o deputado disseminou em vídeo uma fake news sobre Fernando Santa Cruz, o pai do presidente da OAB, Felipe. A publicação alcançou 75 mil visualizações.

Nos últimos dias, em suas redes sociais, o deputado divulgou enquete cujo resultado foi favorável à cassação dos ministros do STF e fez uma defesa da monarquia.

“Se o Brasil ainda fosse uma monarquia, nunca teríamos uma Suprema Corte dominada por párias e a ameaça socialista estaria a léguas de distância”, escreveu.

A homenagem a Pinochet foi marcada para o aniversário de morte do ditador. Ele morreu em 10 de dezembro de 2006, aos 91, após sofrer ataque cardíaco.

A estimativa da Justiça chilena é que cerca de 3.200 pessoas tenham desaparecido durante a ditadura e que mais de 30 mil tenham sido torturadas. Mais de 1,1 mil ainda estão desaparecidas.

Pinochet morreu em 2006 enquanto respondia a três processos judiciais por acusações sobre violações de direitos humanos em seu governo e sonegação de impostos. Ele chegou a ser preso no fim da vida no Reino Unido, para onde fugiu em meio às acusações que sofria no Chile. (Com informações da Folhapress)